Que atividade de leitura propor para os que ainda não sabem ler?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Ler para para os bebês é fundamental. Rodas de leitura  diárias  nas turmas de creche e pré-escola são de suma importância para a formação leitora deles. E podemos propor que leiam por si mesmos? Claro, desde bem pequenos eles começam a atribuir significado a algo escrito.

Veja o exemplo do vídeo onde a bebê faz uma leitura, imitando o comportamento adulto. Certamente a pequena vivenciou muitos momentos nos quais pessoas mais velhas leram em voz alta para ela.  Outro exemplo, que circulou muito em redes sociais é o garoto que identifica todas as letras de uma embalagem, mas faz uma leitura apoiada na embalagem do produto, o que chamamos de contexto material.  Chama a atenção o quanto ele realiza a empreitada com segurança e sentindo-se importante.

Então, que atividades de leitura podemos propor para os pequenos que ainda não leem convencionalmente? Elas precisam ser atreladas a um contexto material ou verbal.

Contexto material

São as informações de embalagens, imagens, logotipos, placas e outros suportes nos quais os que não leem ainda se apoiam para dizer o que está escrito. Na sala de aula, você pode fazer um trabalho com os cartões de nomes que as crianças precisam identificar de quem é. Elas podem dizer qual é o nome escrito se apoiando no tamanho da palavra, evidenciado pela quantidade de letras. Facilmente elas diferenciam ANA de GUILHERME, por exemplo.  Se diariamente é escrita a rotina na lousa e o professor pode lê-la apontando cada palavra, os pequenos memorizam indícios e podem localizar onde está escrito PARQUE e RODA DE CONVERSA.  Numa fotografia legendada, os pequenos vão se apoiar na imagem para ler, assim como nas embalagens, eles dizem o nome do produto e ou marca que conhecem.

 

Contexto verbal

São as situações nas quais o professor diz o que está escrito e a criança localiza onde está a palavra. Um exemplo clássico é mostrar três cartões de nomes e informar, sem apontar, que lá estão os nomes da Mariana, da Maya e do Eduardo, pedindo  para a criança dizer qual é de quem. Outra possibilidade é fazer uma lista das histórias lidas para a turma  e deixá-la no mural da sala. Você pode ir ampliando essa lista e retomando o que está escrito, assim os pequenos podem localizar onde está CHAPEUZINHO VERMELHO ou PINÓQUIO.

Em todas essas situações, nos alerta a pesquisadora argentina Mirta Castedo, “o professor não deixa as crianças sozinhas diante de letras”, senão elas tentarão adivinhar o que está escrito, e a proposta é que utilizem os indícios que observam e analisam. 

Na medida em que a criança participa de situações de análise e comparação de escritas, ela começa a se apoiar nas letras iniciais e/ou finais das palavras, vai ajustando seu conhecimento às informações e avançando na leitura. Conforme ela avança, o docente vai ajustando os desafios propostos. O início dever ser com palavras muito diferentes entre si no tamanho e na composição. Depois, podem ser propostas expressões próximas, como A BELA E A FERA e BRANCA DE NEVE.

Ler com autonomia é uma grande conquista para as crianças e a aprendizagem será muito tranquila se todas puderem usar suas hipóteses, desde bem pequenas, como os dois exemplos dos vídeos, concorda?

Um abraço,

Leninha

 

 

 


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O que um esqueleto nos ensinou sobre flexibilidade no planejamento

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

“Tem um esqueleto lá no pátio!” Foi isso que as crianças gritaram quando viram a mais nova aquisição que a escola tinha feito para as aulas de Ciências. Todos queriam ver a curiosa peça, pendurada em um suporte, que reproduz em tamanho real a estrutura óssea de uma pessoa adulta.

Os menores, de até 7 anos, tiveram as mais diversas reações. Uns se assustaram e preferiram só observar de longe, sem coragem de tocar. Outros riam e mexiam em tudo. Houve criança que contou histórias de terror para dar susto nos coleguinhas. Alguns pais até quiseram conhecer, tamanha a empolgação dos filhos ao relatar em casa o que tinham visto. O esqueleto virou notícia!

A essa altura, já era evidente para mim que aquela situação, que pensamos que seria banal, havia se transformado num acontecimento. Precisávamos encontrar uma forma de trazer o esqueleto para as aulas o quanto antes, algo que inicialmente não estava no nosso horizonte.

No entanto, os professores não pareciam muito empolgados com a ideia. Argumentaram que o plano semestral já estava pronto e bem planejado, e ficaram temerosos de que faltasse tempo para suprir as demandas mais essenciais.

De fato, eles tinham suas razões, mas ao mesmo tempo não podíamos desperdiçar tamanho interesse e entusiasmo. Comecei a pensar em como ajudar a equipe a flexibilizar o planejamento, sem prejudicar os conteúdos já previstos. E mais: como fazer isso no meio do semestre, com o trabalho em curso?

A resistência dos docentes deixava claro que a importância da flexibilidade no planejamento era um tema que tinha que entrar nas nossas formações. E nada melhor do que aproveitar uma situação concreta para discutir algo. Então, sentei com a equipe e coloquei o assunto na pauta.

A partir daí, percorremos um caminho interessante até encontrar a solução e colocá-la em prática. A seguir, quero compartilhar alguns desses passos, que podem ajudar quando você estiver em uma situação parecida.

  1. A primeira coisa foi levantar que tipos de comentários os alunos fizeram em sala de aula sobre o esqueleto, para saber efetivamente quais eram as curiosidades. As professoras contaram que muitos queriam saber o nome de cada um dos ossos e aprender mais coisas sobre o corpo humano.
  2. De posse dessa informação, propus que a equipe olhasse para a matriz curricular de Ciências e buscasse encontrar conteúdos que tinham alguma ligação com as dúvidas trazidas pelos pequenos. Logo viram que, nas séries iniciais, o conhecimento sobre o corpo humano é um conteúdo previsto. Estava aí a brecha que precisávamos.
  3. Em seguida, partimos para as estratégias. Concluímos que atividades de pesquisa e leitura eram eficazes para que as crianças explorassem os ossos do esqueleto. Aí notamos que os conteúdos planejados em Língua Portuguesa, como textos de gênero informativo, também permitiam adaptações simples para contemplar a demanda. Bastava redirecionar o tema das atividades.
  4. Por fim, mãos à obra: organizamos uma grande sequência de atividades e colocamos as crianças no centro do processo de aprendizagem. Elas pesquisaram sobre as funções dos ossos no organismo, assistiram a vídeos, fizeram desenhos, ouviram histórias lidas pelo professor que tinham como personagem um esqueleto, compararam a constituição óssea dos humanos com a de animais. Até a Educação Física entrou na onda, com danças que ressaltavam os movimentos de certos ossos.

Alunos do Ensino Fundamental I se reúnem para analisar os ossos do esqueleto, em uma das atividades propostas. Foto: Eduarda Mayrink

Foram quase dois meses de atividades, que os alunos fizeram com grande proveito e interesse. Mais uma vez, ficou provado para nós que a curiosidade é um motor poderoso do aprendizado.

Aqui no blog, já escrevi diversos textos que mostram como planejar é importante – e é mesmo! Mas o planejamento não pode ser uma camisa de força. Quando as crianças mostram interesse por um assunto, vale muito a pena refletir se vale a pena flexibilizar o cronograma. Educar também é manter os ouvidos bem abertos para a escuta.

E você, já se deparou com uma situação em que as crianças mudaram o rumo do trabalho? Conte para a gente!

Abraços,
Eduarda


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Estabeleça prioridades na formação de professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Definir qual será o projeto de formação dos professores é tarefa, nem sempre fácil, do coordenador pedagógico. Sempre temos muitas necessidades de revisão e aprofundamento da prática de sala de aula. Então, como definir qual vai ser o foco do 2º semestre?

Ao longo dos anos, aprendi que quanto mais simples é meu objetivo mais eficaz será a formação. Antigamente, elaborávamos um planejamento para estudar tudo que se referia à leitura em sala de aula, desde a organização do canto para a atividade até as situações didáticas de leitura pela criança. São muitos os aspectos importantes, entretanto a diversidade de conteúdos e objetivos tornava mais difícil acompanhar as metas do projeto de formação.  Essa percepção me levou a concluir que menos é mais, também no trabalho para aperfeiçoamento dos docentes. Quando temos um foco claro, podemos analisar profundamente um conteúdo, ler as pesquisas didáticas e avaliar as situações da prática em sala de aula a fim de qualificá-las.

Para que a formação seja efetiva, também é interessante compartilhar os objetivos específicos com os professores e elaborar indicadores mensuráveis de avaliação do impacto na aprendizagem das crianças. Um exemplo, dentro do conteúdo “Leitura”, é focar no espaço onde ele é explorado. O objetivo compartilhado com os professores seria “Qualificar o canto de leitura da sala de aula, nos aspectos estéticos e organizacional para que as crianças o utilizem cada vez mais e tenham acesso a livros de qualidade. ”. Com esse norte claro ficam mais específicas as atividades selecionadas para levar ao grupo de educadores. Algumas das etapas do nosso trabalho, antes de escrever o projeto em si, seriam:

  • Filmar e/ou fotografar os cantos antes da intervenção;
  • Observar e transformar em dados a utilização do espaço pelos pequenos;
  • Analisar os livros que estão no acervo de cada sala;
  • Elaborar uma lista de bons títulos para possível compra;
  • Pesquisar soluções encontradas por outras escolas e trazer bons modelos;
  • Discutir com os professores como podem envolver as crianças na revitalização dos cantos;
  • Filmar o uso do canto para tematização;
  • Fotografar o canto depois das intervenções e montar um mural para toda a comunidade escolar, com o antes e o depois da revitalização;
  • Colocar no mural depoimentos dos professores e das crianças sobre a percepção das mudanças no ambiente.

Definidas as etapas que consideramos bacanas, agora precisamos decidir o que fazer em cada encontro. Como queremos utilizar apenas três Horários de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), será preciso utilizar muito bem o tempo, selecionando o que podemos antecipar e delegar.  A parceria com a direção da escola será fundamental, já que vai envolver investimento financeiro.

E na sua escola como você define quais serão os focos da formação?

Um abraço,

Leninha

 


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Como acompanhar os instrumentos de planejamento do professor?

| Muriele Massucato

Crédito: Ricardo Toscani

Olá, colegas,

O acompanhamento do planejamento dos docentes é, sem dúvidas, uma das nossas atribuições como coordenadores pedagógicos. Porém, em meio a tantos afazeres, muitas vezes acabamos lidando com essa responsabilidade de maneira pouco produtiva e – porque não dizer – burocrática.

Quando você se sentir assim, reconheça: é hora de pisar no freio e refletir porquê e para que realizamos essa tarefa. Para evitar a alienação das nossas práticas faz-se necessário repensar sempre sobre os motivos que sustentam cada uma das nossas ações. Desse modo, tudo fica mais leve.

O registro do planejamento do professor é de suma importância. É por meio dele que o docente faz a documentação da sua prática, indica suas concepções, seus objetivos e sua intencionalidade pedagógica. É nele que seu exercício de ação-reflexão-ação é feito e, portanto, não pode ser uma anotação qualquer, dispensável, sem interlocutor e sem intenção comunicativa.

E nós, coordenadores pedagógicos, precisamos auxiliar nossos professores nesse exercício constante de pensar e repensar a sua prática, de documentá-la e atestá-la, de mantê-la ou alterá-la em virtude das necessidades, do contexto vivenciado, do feedback de seus alunos. Precisamos nos reconhecer como incentivadores e encorajadores da equipe docente, como parceiros experientes, promotores de bons questionamentos e boas reflexões. E, para inspirá-los nessa atividade, compartilho algumas dicas para que sua análise do planejamento docente e a devolutiva sejam um sucesso:

1. Esclareça para o professor os motivos que justificam o acompanhamento do planejamento dele pela coordenação pedagógica. Socializar os objetivos do seu acompanhamento é uma forma de colocar o docente a par da importância desse procedimento. A devolutiva também é essencial. Neste link, vocês podem conferir um modelo de uma das minhas devolutivas .

2. Combine datas de entrega dos instrumentos de planejamento. Além de ser uma atitude respeitosa, é preciso lembrar que o planejamento é um norteador da prática docente e que, portanto, precisa estar diariamente em sala de aula. Considerando isso, eu combino uma entrega mensal, com uma escala previamente compartilhada e combinada com toda equipe. Veja aqui o modelo.

3. Estabeleça focos de análise. É improvável que você consiga olhar e analisar qualitativamente tudo de uma só vez! Além disso, para sua devolutiva ser bem-vinda, ela não pode ser desencorajadora, então: calma! Ao longo do ano letivo, você terá outras oportunidades para leitura dos registros do professor. Escolha uma prioridade por vez e vá mudando o foco para garantir que passe por tudo.

4. Faça uma análise equilibrada. Reconheça e destaque sempre os pontos positivos da prática documentada e não somente aqueles que precisam ser melhorados. Os pontos fortes da prática docente geralmente apontam os caminhos e modos para que outros sejam também aprimorados.

5. Contribua sempre que puder. Ofereça subsídios formativos, materiais teóricos e artigos pedagógicos que respaldem sua devolutiva, reconhecendo que esta é uma possibilidade de parceria efetiva com o professor e demonstra apoio ao seu exercício de reflexão-ação.

6. Seja presente e parceiro no cotidiano de sua equipe. Não limite a sua atuação na coordenação pedagógica ao acompanhamento dos planejamentos. Estar próximo em sala de aula, fazer observações da prática, ter escuta nos horários de trabalho pedagógico coletivo e atender o professor individualmente, por exemplo, são ações necessárias. Caso contrário, sua devolutiva será pouco significativa pois corresponderá a um olhar de alguém distante da realidade e do contexto daquela turma.

E vocês, como realizam o acompanhamento dos instrumentos metodológicos de planejamento dos professores? Ajude-nos a enriquecer este debate, compartilhando aqui suas experiências!

Aproveito a oportunidade para agradecer este espaço honroso aqui concedido pela equipe de GESTÃO ESCOLAR e, em especial, às colegas autoras deste blog: Eduarda Mayrink e Leninha Ruiz. Foi um prazer ter sido, mais uma vez neste mês, blogueira convidada e ter compartilhado aqui no blog algumas das minhas experiências.

Aprendi muito também neste espaço e desejo ter contribuído com todos vocês, caros leitores e colegas de profissão! Obrigada por tudo! Até a próxima oportunidade!!!

Um abraço,
Muriele Massucato


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Transforme a sequência didática em um material de referência para a equipe

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Quando se pensa em uma sequência didática, a primeira imagem que vem à mente é a de uma lista ordenada de atividades, com tópicos que detalham até certo ponto como cada uma delas tem que ser desenvolvida. No entanto, a equipe pode – e até deve – ir muito além, e transformar essa mera listagem num verdadeiro material de trabalho do professor, que possa servir como fonte de consulta e reflexão sobre os objetivos da prática e os conteúdos que serão abordados.

Aprendi isso com uma experiência que vivi aqui na rede municipal de Rio Piracicaba (MG), logo após um intenso período de formação oferecido pela Secretaria de Educação. Aliás, já relatei aqui no blog um dos frutos desse processo: a aplicação de uma sequência didática sobre Pinóquio, um dos personagens mais famosos da literatura infantil.

Pois bem, a avaliação da sequência sobre Pinóquio foi muito positiva. Por essa razão, o grupo de coordenadores do qual eu fazia parte decidiu dar mais um passo. Nossa tarefa seria elaborar uma nova sequência didática para trabalhar leitura, mas dessa vez o objetivo era avançar na elaboração do material em si.

O primeiro desafio foi a escolha do livro sobre o qual estaria assentada a sequência. Depois de muita pesquisa, selecionamos Contos da Rua Brocá, de Pierre Gripari, publicado em português pela Editora Martins Fontes, em 2002. O autor usa uma linguagem de ficção científica bastante imaginativa para criar um universo onde personagens de várias origens vivem histórias que se cruzam. Um detalhe interessante é que todos esses personagens adoram contar e ouvir histórias, o que pode ser uma forma de mostrar aos alunos como é bom ler.

Passamos, então, à criação da sequência propriamente dita. O resultado foi um material com 22 páginas, dividido em blocos que procuramos desenvolver bem. Abaixo, listo brevemente quais foram eles:

  • Justificativa do trabalho: afinal, por que a sequência proposta é relevante? Colocar no papel as razões que motivam o trabalho ajuda a não perder o foco ao longo do trabalho.
  • Objetivos gerais e específicos: no caso da sequência sobre leitura, fizemos questão de elencar quais os comportamentos leitores que esperávamos que os alunos desenvolvessem, e o que eles deveriam ter aprendido ao final.
  • Breve descrição da obra escolhida: um resumo do livro que ressalte os aspectos que devem ser priorizados nas discussões em sala é uma fonte de consulta muito útil que agiliza o trabalho e não deixa esquecer o que é relevante.
  • Atividades: por fim, entra a descrição das atividades propriamente ditas. A equipe não pode economizar nas linhas! É fundamental detalhar bem os conteúdos que serão trabalhados em cada uma e o itinerário que será percorrido na aula.

É claro que você pode adequar essa sistematização às necessidades da sua equipe ou a outras disciplinas. Mas o importante é ter consciência de que a sequência pode ser mais do que uma lista. Eu e meus colegas coordenadores aprendemos muito com isso, e adotar a prática de desenvolver melhor esses documentos facilitou a vida das equipes docentes.

E você, como ajuda os professores a elaborar esses materiais? Conte pra gente!

Abraços,

Eduarda


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O aluno sugeriu um faz de conta de cadeia. E agora?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Os cantos de faz de conta devem estar presentes em todas as salas de Educação Infantil e são inúmeras as possibilidades de temas: cozinha, casa, quarto de bebê e mercadinho são algumas delas.  Eles são muito importantes porque, ao fantasiar e imitar um comportamento visto anteriormente, a criança pode compreender, a seu modo, o mundo social que a rodeia. Brincar de ser a mamãe, o papai, a princesa ou o mecânico permite experimentar e entender convenções e acontecimentos.

Trocar a temática do canto nesse recomeço do ano letivo é bem propício. Vale trocar entre as salas de aula os materiais e equipamentos, assim como fazer uma campanha com as famílias para conseguir mais objetos. Geralmente as próprias crianças demonstram interesse por alguma brincadeira específica ou fazem novas propostas

Há um ano, consultando a turma, uma professora que conheço viveu uma verdadeira saia justa. Em uma roda de conversa, ela compartilhou com os pequenos que iriam trocar o canto do faz de conta e perguntou do que eles gostariam de brincar. Algumas crianças sugeriram uma oficina de carros com pista de corrida enquanto outras preferiam uma casinha igual da outra turma.  No meio dessa conversa, um aluno, cujo pai estava preso, disse que gostaria de brincar de cadeia. Ele se empolgou tanto que logo deu ideias de como fazer as grades e engajou outros pequenos que já pensavam na roupa da polícia e do ladrão e na corda para amarrar os presos. Frente a essa situação, a docente decidiu prosseguir no bate-papo, mas minimizando a montagem do canto de faz de conta. Assim, ela foi questionando sobre porque alguém vai para a cadeia e outras questões referentes a esse tema. O encontro terminou sem uma definição sobre a montagem do canto.

Sem saber o que fazer, a educadora comentou a situação com sua equipe gestora que lhe advertiu sobre a impossibilidade de criar o canto sugerido pelo aluno e repreendeu por não ter cortado o assunto no início. Incomodada com o que ouviu, ela ainda compartilhou com as colegas. Essas falaram que não costumam perguntar às crianças, pois muitos cantos já têm os materiais e acessórios disponíveis na escola e fica mais prático elas mesmas escolherem.

A professora seguiu angustiada. Ela queria acolher a proposta da turma, mas também achava complicado montar o canto da cadeia. Algumas famílias inclusive poderiam reclamar na escola. No encontro seguinte, ela optou por levar 3 opções de canto e quando os pequenos perguntaram da cadeira, a docente os instruiu a brincar de polícia e bandido na hora do pátio. Lá, eles poderiam fazer de conta que um dos brinquedos é a prisão. As crianças foram convencidas com facilidade, mas ela ainda não se sentiu plenamente satisfeita e ainda hoje se questiona sobre o encaminhamento que fez.

Ouvi seu relato e achei que ela encaminhou muito bem o ocorrido tanto por que permitiu e incentivou a conversa sobre o assunto como por contornar a situação propondo que poderiam continuar brincando no pátio.  Depois, fiquei refletindo o quanto as brincadeiras simbólicas são importantes para a compreensão do mundo que nos cerca, pois certamente era isso que o garotinho que propôs estava precisando.

Você já vivenciou uma situação que te deixa sem saber o que fazer?  Compartilhe conosco.

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Sete dicas para tornar seu plano de formação um instrumento vivo

| Muriele Massucato

Crédito: Ricardo Toscani

Olá, colegas,

O segundo semestre de vocês também começou em um ritmo acelerado, com muitas demandas, atribuições e eventos? Para dar conta da agenda intensa, planejamento é fundamental. Ele evita o investimento de tempo em situações de pouca importância e em ações sem clara intencionalidade. Hoje, vou falar sobre formação da equipe docente e quero destacar um documento que precisa ser de uso constante do coordenador pedagógico: o plano formativo.

Como um mapa norteador, este instrumento precisa ser construído no início do ano letivo, considerando o projeto político-pedagógico (PPP) e trazendo observações sobre o perfil da equipe e um levantamento das necessidades formativas dela. Este é um documento de consulta regular e que, de tempos em tempos, precisa ser revisto e adaptado para se alinhar à realidade da sua escola. Nele, estão os conteúdos, metodologias e formas de avaliar a ação.

Neste período de volta às aulas, considero essencial reservar um tempo para essa tarefa. Para começar, minha sugestão é avaliar as necessidades e demandas apontadas pela equipe, como falamos no post da semana passada. Como segundo passo do processo de revisão do plano de formação, listei algumas dicas que podem torná-lo um documento “vivo”, atualizado, e que contribua com a sua prática:

1. Construa as diretrizes olhando seus “destinatários” reais, sem idealizações. Para que o documento seja efetivo é preciso levar em conta as reais necessidades formativas, potencialidades e fragilidades de seu grupo de professores. Para isso, ouvir é muito importante! Acolha opiniões e sugestões!

2. Evite perder tempo com assuntos repetitivos, desimportantes, que não agregam conhecimento novo (ou reciclado) à equipe.

3. Considere as orientações oficiais do local ou rede em que trabalha. No meu caso, considerei três eixos norteadores que temos em São Bernardo do Campo para encaixar as temáticas relevantes: prática pedagógica; acesso, sucesso e permanência escolar; e gestão democrática. Veja meu plano de formação clicando aqui!

4. Atualize o documento com frequência.
Leve em consideração as alterações de contextos e necessidades que surgem durante o percurso letivo. Estar em sintonia com o momento atual da equipe é a chave para que o plano formativo se mantenha vivo.

5. Verifique se suas intenções formativas são mesmo significativas. Após uma convivência e um acompanhamento maior de sua equipe, fica mais fácil avaliar se o que foi previsto no início do ano está de acordo com o que precisa ser trabalhado. Isso favorece dedicar atenção a aspectos de maior relevância.

6. Não seja generalista. As ações formativas não podem apenas ser citadas no documento. Ele precisa conter orientações mais específicas, focadas e individuais; que perpassem o acompanhamento do plano de ação (instrumento metodológico de registro do professor), as observações e devolutivas em sala de aula, por exemplo.

7. Estabeleça documentos complementares ao plano de formação. Organizar suas demandas e prioridades em curto prazo permite enxergar com mais clareza o passo a passo para atingir o objetivo final. Eu costumo organizar minha rotina semanal com base no plano, evitando ações não focadas em minha função como coordenadora pedagógica. Compartilho nesse link o meu planejamento para inspirar o de vocês!Além disso, também faço escalas com datas e previsões de pauta dos encontros formativos e compartilho com a equipe. Veja um exemplo aqui.

E vocês, caros colegas, consideram esse documento relevante para guiar as práticas formativas da equipe? Como se organizam para colocar em prática seus planos formativos?

Um abraço e até a próxima!
Muriele


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Como o desenho de um aluno mudou a cara de um projeto inteiro

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

 

Na primeira produção (à esq.), o aluno representou o avestruz com traços simples. Após a sequência, ele voltou ao desenho para criar formas de retratar, também, a textura do corpo (à dir.). Foto: Reprodução/Eduarda Mayrink

Por mais que seja mais própria do professor a tarefa de avaliar as produções das crianças, é ótimo que o coordenador pedagógico separe um tempinho para participar desse trabalho. Assim como a observação de sala de aula, a avaliação das produções é uma maneira de ter contato direto com os alunos e ter uma boa ideia dos resultados concretos do planejamento. E, não raro, surgem insights importantes para tematizar a prática ou corrigir falhas.

No ano passado, tive uma experiência muito interessante que exemplifica bem o que estou dizendo. A professora do 1º ano e eu trabalhávamos em um projeto didático chamado Pequena Enciclopédia, cujo tema era “Aves da nossa região”. A proposta era proporcionar diversas atividades de leitura, escrita e desenho, com o intuito de obter, como produto final, um folder ilustrado e com informações sobre as espécies pesquisadas, que seria apresentado para toda a comunidade.

Quando imaginei o projeto, pensei que o desenho deveria ter uma função importante, e não ser um coadjuvante. As atividades tinham que estimular a criatividade e trabalhar conceitos básicos, como linha, ponto, cores…

Um dia, numa das reuniões semanais que fazíamos para ver o andamento do trabalho, resolvi pedir que a professora me trouxesse algumas produções de desenho, já que nos encontros anteriores havíamos nos dedicado exclusivamente aos textos. Foi então que me dei conta de que estávamos “esquecendo” de prestar atenção àquilo. O primeiro desenho que peguei nas mãos era de um avestruz. O menino havia traçado no papel somente o contorno do corpo, com poucos detalhes e nenhuma cor.

Estava ali, nos traços daquele aluno, o que eu precisava fazer por aquele projeto. Tinha que mostrar à professora que o desenho também era um conteúdo que deveria ser ensinado, e que nossa tarefa era possibilitar experiências visuais e artísticas, ampliar o repertório e disponibilizar técnicas e materiais diferentes. E ela, olhando as produções ao lado de fotos, percebeu que bico e penas eram ótimas referências para explorar o campo das texturas.

Havia, ainda, uma coincidência que ajudou a nos motivar em direção a uma sequência didática sobre texturas: é que nas aulas de Ciências, as crianças estavam estudando justamente os cinco sentidos. Por que não aproveitar também as aulas de Arte para investir nas percepções táteis e visuais?

Com a ideia em mente, me pus a ajudar a professora a elaborar a sequência, que você pode conhecer na íntegra baixando o arquivo neste link. A realização do que planejamos gerou as condições didáticas necessárias para que as crianças representassem todas as aves com mais liberdade e criatividade. O avestruz, o tucano, o periquito, o gavião, o joão-de-barro e muitos outros foram ganhando mais vida com as colagens e as canetinhas coloridas.

Se eu não tivesse visto aquele avestruz desenhado de forma tão singela, talvez não tivesse me dado conta de que estávamos preterindo conteúdos tão importantes das artes visuais para o desenvolvimento dos alunos. Num processo formativo de ação-reflexão-ação, ver as produções ajuda o coordenador a cravar os dois pés no chão e trazer para o mundo real as reflexões feitas na sala dos professores.

E você, já mudou o rumo de um trabalho depois de ver a produção das crianças? Acha que isso é importante? Conte pra gente! Ah, e não deixe de compartilhar também suas dúvidas e sugestões.

Abraços,

Eduarda


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Como organizar a reunião de planejamento para o segundo semestre

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

No final do 1º semestre, os professores avaliaram todo o seu trabalho pedagógico com base em relatórios sobre as aprendizagens das crianças. Foi um trabalho intenso que agora precisa ser retomado com vistas à elaboração das atividades permanentes, sequências ou projetos de cada turma para o 2º semestre.  Afinal só podemos planejar se sabemos os que as crianças já sabem. Mas, como eu, no papel de coordenadora pedagógica, posso ajudar os educadores a elaborar boas situações didáticas?  Essa é a pergunta que me faço a cada período de planejamento e quero compartilhar algumas estratégias possíveis com vocês.

Os saberes dos professores

Um bom caminho é analisar o que a turma já aprendeu tendo como referência as expectativas de aprendizagem para o ano. Pode ser bem interessante elaborar um impresso que facilite a visualização do percurso percorrido e onde é preciso investir mais. Apresento um modelo bem simples de impresso sobre Matemática – Sistemas de Numeração, da turma de 5 a 6 anos, para você conhecer. Com essas informações, os profissionais têm condições de desenvolver boas situações de aprendizagem para o semestre que se inicia.

A proposta é que os professores, reunidos por nível em que leciona, analisem as aprendizagens de suas turmas apoiados nas pautas de observação do 1º semestre. Ao analisarem coletivamente o que a turma já sabe e o que precisa ser foco nas situações didáticas que planejarão já começam a delinear o que permanece ou o que precisa de adequação nas sequências e projetos que já estão escritos e foram, ao longo dos anos, sendo revisados.  Isso é o bacana, o coletivo de professores sempre aperfeiçoa os planejamentos deixando-os melhores.

Outra coisa importante é que mesmo que toda a turma já saiba recitar a sequência numérica até o 50, por exemplo, nas primeiras semanas devem ser propostas situações para que façam uso dessa recitação. Uma opção é fazer isso nas brincadeiras. A ideia é retomar aos poucos a rotina escolar e tudo que aprenderam no semestre anterior. Afinal, a criançada participou de outras atividades no período de férias. É preciso um aquecimento, não é mesmo?

O papel do coordenador durante essa análise

No dia em que a equipe está reunida para planejar, minha vontade é estar junto com cada grupo o tempo todo já que é um momento de muita discussão e reflexão coletiva sobre o trabalho pedagógico. Quero ouvir o que estão propondo e também dar sugestões. Mas, como não é possível estar em todos os lugares, procuro dividir o tempo, ficando cerca de 1h30 em cada um deles.  É um momento de muita aprendizagem pra mim também!

E na sua escola, o planejamento do 2º semestre já está a todo vapor?

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Cansada de avaliação? Seis dicas para tirar seu (re) planejamento do automático!

| Muriele Massucato

Debater coletivamente os pontos que precisam ser avaliados pode contribuir para uma análise mais certeira. Crédito: Ricardo Toscani

Olá, colegas,

Curtiram o recesso? Descansaram? Espero que sim. Está chegando a hora de voltar para a rotina intensa do período letivo. É hora de revisar o que fizemos no semestre anterior e pensar nas ações e prioridades para o próximo. Falar em avaliação, logo após o recesso, deixa muita gente preocupada ou desinteressada.

Por isso, este texto não vai falar sobre a necessidade de avaliar as práticas pedagógicas e entender o rendimento dos nossos alunos até então. Quero provocá-los: será que, todos os anos, não fazemos esse trabalho no automático? Burocrático?

Não avaliamos nem para desanimar nem para manter tudo igualzinho. Quando usamos um instrumento para medir o que deu certo e o que deu errado, o que cumprimos e o que não cumprimos, levamos em conta os apontamentos de toda a equipe e reconhecemos as potencialidades, as dificuldades, as possibilidades de melhorias ainda no andamento do ano letivo. Mas você já parou para pensar se dá mesmo para fazer tudo isso com o instrumento de avaliação que temos? Todos os dados que colhemos são úteis?

Pensando sobre isso, estruturei alguns pontos que considero essenciais para ter em mente na hora de analisar o que fizemos nos seis primeiros meses do ano:

1. Tenha clareza do objetivo dessa avaliação. Entender a proposta evita que a atividade seja meramente burocrática.

2. Faça da teoria aliada da prática. Ao longo da vida, aprendi com textos que foram essenciais para a elaboração de um instrumento efetivo, atual e pautado nas orientações nacionais para a Educação. Destaco os materiais dos Indicadores de Qualidade da Educação e da Educação Infantil (MEC) (disponíveis online neste link) e o livro O planejamento estratégico – Um instrumento para o gestor da escola pública, de Claudia Zuppini Dalcorso.

3. Seja objetivo. É preciso estabelecer prioridades, filtros e fazer “recortes” dos aspectos mais impactantes da rotina escolar. Avaliações extensas podem ser desanimadoras, ainda mais nos casos em que a equipe deve dar um feedback por escrito. Considere a parceria dos demais membros da equipe gestora ao planejá-la. É fundamental para validar se os tópicos mapeados são condizentes com as necessidades da escola.

4. Planeje um instrumento prático e eficiente de coleta de dados. Eu utilizei o Google Forms, uma ferramenta online gratuita que permite fazer pesquisas por meio de formulários, além de compartilhá-los via e-mail. Dá para preencher rapidamente em notebooks, tablets e até smartfones. A ferramenta gera automaticamente dados organizados com as respostas enviadas pela equipe, o que otimiza muito o tempo da tabulação e análise quantitativa. Eu recomendo! É prático, rápido e eficiente. Para se inspirar, você pode conferir, clicando aqui , como ficou o formulário de avaliação da minha escola.

5. Analise qualitativamente os resultados. Quantificar e organizar em gráficos facilita a visualização dos dados e, consequentemente, a avaliação.

6. Registre tudo o que a equipe descobrir e decidir durante o processo. Atualizar o PPP é a forma de evitar que os achados sejam perdidos de vista. Levar em conta as observações da equipe nesse processo é enriquecedor porque ajuda a efetivar ações, aproximando os olhares da equipe de gestão e de todo coletivo escolar.

E para vocês, como foi ou tem sido a experiência no momento de avaliar? Já desligaram o botão do automático?

Um abraço e boa volta às aulas,
Muriele


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