Como colocamos em prática um projeto com professores e alunos do 1º ao 9º ano

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Alunos do Ensino Fundamental I participam da Mostra de Educação Física, organizada pelas turmas do 8º ano. (Foto: Eduarda Mayrink)

Uma das funções mais importantes de um coordenador pedagógico é ser o articulador de saberes, o interlocutor de parcerias entre os diversos profissionais da equipe pedagógica. Quando a escola se dedica a mais de um ciclo da Educação Básica, essa interlocução precisa se estender entre eles.

Minha escola é uma dessas instituições onde há turmas da Educação Infantil ao 9º ano, e eu sou responsável pelo Ensino Fundamental I e auxilio a coordenadora do Ensino Fundamental II. Estou bem ali “no meio do caminho”, acolhendo os pequenos e preparando os mais crescidos para os desafios que os esperam nos anos finais. Portanto, você já imagina o quanto a interlocução entre os ciclos impacta a minha rotina de trabalho.

Nesse sentido, gostaria de compartilhar com vocês uma experiência que tive no último semestre, e que me ensinou muitas coisas sobre isso. Numa dessas minhas observações cotidianas, soube que os professores de Educação Física do Fundamental II, Sérgio Luiz Silva e Maria Aparecida Rodrigues Vasconcelos Caldeira, planejavam realizar uma mostra de atividades. O objetivo deles era fazer os alunos do 6º ao 9º ano refletirem sobre o uso de tecnologias a favor do movimento, interagirem com outros estudantes da escola e terem contato com práticas esportivas pouco presentes na rotina tradicional.

Sérgio e Cida queriam fazer um evento que oferecesse diversas atividades físicas com recursos disponíveis na própria escola, como games, computadores, e outros brinquedos eletrônicos, além de materiais esportivos, como a fita de slackline. A organização da mostra ficou a cargo dos alunos do 8º ano.

Fiquei muito interessada pelo projeto e pensei: por que não envolver também as turmas do Fundamental I? As crianças certamente aprenderiam e se divertiriam muito com as atividades. A proposta logo foi aceita, mas Sérgio, Cida e eu percebemos que havia alguns desafios. Em primeiro lugar, teríamos que encontrar tempo para o planejamento em conjunto. Depois, era necessário definir qual seria o meu papel e o de outros professores na viabilização do projeto. Além disso, tínhamos que organizar uma grande quantidade de materiais e criar condições para atender os 805 alunos da escola, uma demanda enorme. Por fim, precisávamos estabelecer como registrar e avaliar todo o processo e verificar se os objetivos foram de fato alcançados.

Cada desafio demandou muito esforço, e seria difícil descrever cada etapa do trabalho em breves linhas. Mas o que posso dizer é que cada parte envolvida contribuiu à sua maneira. Sérgio e Cida, junto com as turmas do 8º ano, adaptaram as atividades da mostra às crianças de 6 a 10 anos; os professores regentes das turmas do Fundamental I colaboraram na construção de um cronograma que estabeleceu o tempo destinado a cada atividade e uma ordem de participação para evitar tumultos; e eu, além de mediar a conversa entre os docentes, cuidei da compilação dos registros e avaliações.

Ficamos muito satisfeitos com o resultado final! As crianças se divertiram muito numa tarde esportiva na escola, e os adolescentes do 8º ano puderam interagir com elas, ajudando-as a realizar as atividades e participando da própria avaliação dos resultados depois do evento.

A lição de experiências como essas é que o papel de articulação que a coordenação pedagógica tem é fundamental para garantir não somente a coerência do projeto político-pedagógico (PPP), mas também uma troca de experiências enriquecedora para todos os envolvidos – alunos, pais e professores. É algo que demanda disposição para ouvir, habilidade para negociar e disciplina para planejar.

E você, o que pensa sobre o assunto? Como a coordenação pode contribuir ainda mais para a articulação dos objetivos gerais da escola? Quero ouvir a sua opinião!

Um abraço,
Eduarda


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Estratégias para se aproximar das famílias

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Enquanto aguardava, na secretaria de uma escola de Educação Infantil, antes de uma formação, escutei o seguinte diálogo:

Mãe: A diretora está? Quero conversar com ela.
Secretário: A  senhora pode me adiantar o assunto?
Mãe: Quero saber por que meu filho ainda não leva tarefa pra casa e quero entender mais umas coisinhas.
Secretário: Bom, nessa etapa de ensino realmente não tem tarefa.
Mãe: Eu quero saber isso direitinho porque o meu sobrinho que estuda em outra escola leva lição todos os dias.
Secretário: Se a senhora preferir, podemos agendar um horário com a coordenação pedagógica.
Mãe: Ah…mas, eu prefiro a diretora. Ela que sabe.  Não adianta conversar com os outros.

Fiquei meio desconcertada. Então, antes de iniciarmos a formação, procurei a coordenadora pedagógica para conversar. Relatei o diálogo que presenciei e ponderei que a primeira coisa que me chamou a atenção foi a mãe querer tarefa por que tem em outra escola. Outro aspecto foi a fala: “A diretora é quem sabe. Não adianta falar com os outros”. Essa situação nos trouxe um questionamento: Seria a atitude da mãe movida pela ideia de “falar com quem manda para conseguir o que se quer” ou por desconhecer a presença e o papel do coordenador pedagógico no ambiente escolar?

A coordenadora me relatou que, por muito tempo, a escola teve apenas o cargo de diretor e uma supervisora da secretaria de educação, responsável por acompanhar o trabalho pedagógico. Apenas há pouco mais de um mês é que ela havia assumido a função na escola.  Isso já explicou muita coisa. Mesmo assim, refletimos que já estamos no meio do ano e já ocorreram 2 reuniões de pais nas quais a proposta pedagógica havia sido abordada. Além do que, a escola tem apenas 6 salas de aula, permitindo que os pais entrem para buscar as crianças e tenham contato diário com os professores. Desse modo, podem acompanhar as produções das crianças tanto nos murais da sala como dos corredores.

Com base nesse cenário, a coordenadora elencou algumas ações para aproximar-se da comunidade além de agendar um horário para conversar com a mãe de aluno. Confira abaixo:

  • Procurar estar na entrada ou saída das crianças para estabelecer um maior contato com as famílias;
  • Utilizar uma parte do mural, que fica próximo da secretaria, para expor textos ou informações sobre aprendizagem, pesquisas ou educação com linguagem clara e acessível para que as famílias se interessem, com uma identificação bem específica, Notícias da Coordenação Pedagógica;
  • Organizar grupos de estudo ou mini palestras sobre assuntos que se relacionam com educação e desenvolvimento infantil para as famílias.

Ponderei que seu maior investimento seria na formação dos professores e acompanhamento da prática para auxiliá-los nos encaminhamentos em sala. Afinal, só agora a escola contaria com uma coordenação pedagógica diária. Certamente, tinha muito trabalho pela frente.

Você acha importante as famílias conhecerem o trabalho do coordenador pedagógico ou o que importa é o resultado dele nas aprendizagens das crianças? Deixe sua opinião aqui nos comentários.

Um abraço,

Leninha


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5 passos para trabalhar o documentário “O Começo da Vida” numa formação

| Muriele Massucato
Três bebês engatinham num chão branco (Foto: Shutterstock)

A primeira infância é um momento único da vida de qualquer pessoa. E o desenvolvimento integral dos bebês e crianças é responsabilidade de todos (Foto: Shutterstock)

Olá, colegas!

Novamente, cá estou eu, Muriele Salazar Massucato, coordenadora pedagógica do CEU Luiza Maria de Farias, em São Bernardo do Campo, em São Paulo. A partir de hoje, retomo minha contribuição como blogueira convidada aqui, neste espaço. Nas próximas quatro semanas, dividirei com vocês as atividades previstas na minha rotina pós recesso escolar. Vamos lá?

Para estrear esta nova temporada, quero dividir o planejamento de uma sequência formativa que vou levar para os professores, com base no documentário O Começo da Vida. Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de assisti-lo, mas (não vou dar nenhum spoiler, prometo!) posso afirmar que ele é imperdível. A diretora Estela Renner viajou para nove países para contar histórias que mostram a importância dos primeiros anos de vida de uma pessoa. A ideia central do filme é deixar claro que o desenvolvimento integral de bebês e crianças é responsabilidade de todos, da família à comunidade, da escola ao governo, independentemente do local de nascimento, da classe social ou da cultura dos pequenos.

Mas antes de entrar nos detalhes do meu planejamento da formação, alerto que o documentário não é um material pedagógico, daqueles que nós levamos para uma reunião com o objetivo de analisar alguma prática. Depois que o assisti, pensei em trabalhar com ele justamente porque ele pensa o espaço que a infância ocupa na vida de uma pessoa, o que vai muito além da escola. E mais: a proposta do filme casou muito bem com o momento que estamos vivendo no CEU, que é de pensar no currículo do segundo semestre letivo e discutir bastante sobre a concepção de infância que acreditamos como equipe de uma instituição com turmas de Educação Infantil.

Quando pensei na proposta, eu já sabia que o tema poderia despertar emoções no meu grupo de professores. Dito e feito: foi só assistir ao filme para começar uma enxurrada de memórias, estranhamentos, preconceitos, questionamentos e incertezas sobre a primeira fase da vida. Por isso, caso você queira trabalhar o documentário na sua escola também, esteja preparado para tudo.

Aproveito esse gancho para contar, em cinco passos, como me preparei:

  1. Assisti duas vezes ao documentário com atenção, antes de reproduzi-lo para o grupo.
  2. Anotei todas as impressões que tive, inclusive os aspectos educativos que observei. Guiei meu olhar pelas diretrizes para a Educação Infantil da minha escola e da minha rede de ensino.
  3. Reli as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que tratam das diversas concepções de infância e das interações, experiências e brincadeiras que os pequenos vivenciam na escola. Nesse momento, já pensei em diversas relações que os professores poderiam fazer entre o documentário e o documento, bastante difundido entre os docentes, na hora da discussão.
  4. Planejei uma formação, dividida em dois encontros, que possibilitasse ao grupo de professores apreciar o filme e aguçar a curiosidade em aprofundar alguns conceitos destacados em outros momentos formativos. Para ficar mais claro para vocês, compartilho as duas pautas que preparei para os dois dias. A primeira aconteceu na última terça-feira e vocês podem acessá-la aqui. Deixei alguns comentários no arquivo com o que foi mais bacana. A segunda (clique aqui para acessá-la) será na próxima semana e, assim que acontecer, compartilho os resultados no blog.
  5. Organizei a exibição do documentário para a equipe. Fiz isso de forma gratuita, no site oficial do longa. Lá, você só precisa se cadastrar, ler os termos de uso e exibição e marcar o horário, o local e o dia da sua sessão. Eu ainda recebi, por e-mail, materiais formativos para apreciação e aprofundamento da discussão pós-filme. São materiais muito enriquecedores, vale a pena conferir!

É claro que o projeto de formação pensado por cada coordenador está diretamente implicado ao percurso formativo, necessidades e demandas da equipe docente, mas garanto que O Começo da Vida é um recurso que faz pensar e repensar a infância, valorizando suas particularidades e a importância desse momento único na vida de todos nós. Mas, se o documentário não for pertinente para o momento da sua escola, recomendo que você o assista mesmo assim, pois posso garantir que ele me fez repensar muitas questões sobre a criança e valorizar ainda mais a infância, com suas particularidades. É, de fato, um momento muito único na vida de qualquer pessoa.

Por outro lado, se você achar que o filme pode ajudá-lo a pensar numa formação bacana, não deixe de contar como foi o planejamento e a execução das atividades aqui nos comentários. Quero muito trocar figurinhas sobre essa prática!

Um abraço, Muriele


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O que Pinóquio ensinou à equipe sobre planejamento detalhado

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

A calmaria das férias é ótima para revisitar boas lembranças e lições aprendidas. Quero contar uma que me ocorreu dia desses, vinda do longínquo ano de 2008.

Já faz parte do imaginário coletivo a figura de Pinóquio, o boneco de madeira que é tão vivo que sabe até contar mentiras – ele só não aprendeu a disfarçar; o nariz cresce e a verdade aparece. As crianças, em geral, conhecem bem as linhas gerais dessa história e se divertem com o personagem. Isso não significa que a escola não possa explorar mais esse universo.

É importante ampliar as referências dos alunos, trazendo novas histórias para as aulas de leitura. Mas não podemos esquecer que os clássicos nunca se esgotam. Aliás, é justamente por isso que são considerados clássicos: geram interesse de geração em geração e podem ser apropriados por leitores e escritores de diversas maneiras, dando origem a novas adaptações, a novas narrativas.

Tive esse insight em uma formação que participei naquele ano, pela rede municipal aqui, de Rio Piracicaba, interior de Minas Gerais. Os professores do 4º ano planejavam juntos situações didáticas cujo objetivo era desenvolver os comportamentos leitores. A nossa reflexão era sobre como encontrar maneiras diferentes de explorar a leitura. Daí, surgiu a proposta de aproveitar as muitas versões do clássico Pinóquio para trabalhar comparações. Foi, então, que tive a ideia de levar o boneco de madeira para nossa escola.

A sequência proposta na formação estava organizada em 4 etapas: (1) leitura da versão original do livro de Carlo Collodi (considerada bem escrita), em que os alunos analisariam com o professor cada capítulo da obra e as características físicas e psicológicas dos personagens, além da rica linguagem; (2) leitura da versão adaptada de Cecília Casas, bem mais resumida; (3) produção escrita de um capítulo da história do livro da Cecília Casas, acrescentando detalhes; e (4) comparação dos textos lidos e produzidos com o filme baseado na história.

O primeiro desafio era que a sequência não estava planejada detalhadamente, aula a aula. Então, tive que estudar junto com os docentes cada etapa e pensar no que efetivamente ia ser feito. Por isso, organizei um plano de trabalho com as professoras nos horários de HTPC,  para realizar a leitura de cada capítulo e selecionar aspectos que deveriam ser levantados com as crianças, como a descrição dos cenários, os personagens, as expressões usadas pelo autor, os diálogos etc. Só depois planejamos as intervenções.

Durante o percurso, alguns professores se mostraram resistentes. Na cabeça deles, ainda havia a noção de que planejar a leitura de cada capítulo e separar os pontos a serem ressaltados era algo desnecessário. Afinal, “ler para a turma é simples, não precisa de planejamento”, diziam. Outro problema foi a resistência  em registrar cada uma dessas intervenções, sem organizá-las num documento, de forma sistematizada.

Superar essas relutâncias demandou de mim um trabalho de convencimento. Argumentei que trabalhar com versões de um mesmo texto, ainda mais quando se tem a impressão de conhecê-lo bem, pode dar a falsa impressão de que há um domínio completo do livro. A chance de fazer confusão entre as várias versões é enorme. Além disso, o registo detalhado poderia ser um arquivo valioso e aproveitável em outras situações, evitando muito retrabalho no futuro.

Logo que a equipe saiu para dar a primeira aula da sequência, percebeu na prática como o planejamento detalhado foi útil. Ao invés de “caçarem” na hora trechos a serem comentados, elas pouparam tempo e foram direto ao ponto. E, ao partir de um plano teórico para a prática, puderam fazer comparações entre o que foi pensado e o que foi concretizado, tirando lições que permitiram revisar e modificar o planejamento das aulas seguintes.

E foi assim que o menino Pinóquio nos fez ver que planejamento detalhado é importante de verdade.

Ah, e se ficou interessado em conhecer os livros que utilizamos, anote as referências:

  • As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi. Tradução e ilustração de Gabriela Rinaldi – Editora Iluminuras
  • Pinóquio, adaptação de Cecília Casas do original de Collodi e parte da coleção Reencontro Infantil – Editora Scipione
  • Pinóquio, outra adaptação, de Maria Luisa A. Lima Paz – Editora Girassol
  • Pinóquio, adaptado por Tatiana Belinky – Editora Martins Fontes
  • Pinóquio, filme da The Walt Disney Company, com adaptação de Marta Sans – 1997

Abraços,

Eduarda


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Como escolher o tipo de formação que mais combina com o momento da sua carreira

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Já é um clássico. Em todo recesso ou início de semestre, a oferta de seminários, palestras, cursos e oficinas para os educadores, especialmente os professores, aumenta significativamente. Redes de ensino público, faculdades e outras organizações oferecem boas oportunidades para aprender coisas novas e desenvolver nossa prática. Porém, cada um tem suas peculiaridades e é necessário levá-las em conta para escolher o que melhor se encaixa às nossas necessidades, à nossa disposição e ao nosso momento na docência.

Por isso, listei todos os tipos de formação dos quais já participei e contei um pouco da minha experiência e aproveitamento em cada um deles. Acredito que você também possa utilizar os exemplos abaixo para orientar os professores da equipe que você coordena na hora de escolher o que e como estudar neste período do ano.

Palestras
Apesar de, em geral, esses momentos possibilitarem pouca interação com o palestrante, sempre fico com um gostinho de quero mais quando escuto um especialista falar sobre um assunto sobre o qual me interesso. Percebo que, quando mais específico é o tema da palestra, maior é a capacidade de fisgar minha atenção.

O palestrante precisa ser competente e trazer contribuições tanto sobre o ensino e a aprendizagem quanto sobre a didática ou conteúdo tratado em sala de aula.  Já foi o tempo – ou deveria ter saído de moda – no qual celebridades traziam falas prontas, com viés motivacional ou cômico. Eles até podiam descontrair o público e agradar muitos professores, mas o impacto na aprendizagem dos alunos era zero.

Me lembro de participar de uma palestra sobre leitura com a pesquisadora argentina Mirta Castedo. Depois daquele encontro, um mundo se abriu para mim. Fui atrás de seus livros e textos, compartilhei com os professores, levei para a formação continuada e, na escola em que trabalhava, passamos a investir em situações de leitura para as crianças com muito mais propriedade.

Seminários
Nesse caso, temos uma gama de opções, entre elas mesas redondas ou painéis. Em geral, esses eventos são direcionados a um público menor e têm um tema mais focado, o que aumenta as chances do encontro atender as nossas expectativas.

Cursos
São voltados para quem quer dedicar mais tempo a um assunto. Durante um período determinado, estudamos situações didáticas, refletimos e discutimos com profissionais de outras escolas. Por conta do nível de profundidade e tempo para a reflexão, essa é a modalidade que mais impacta na nossa prática.

Oficinas
Acho uma delícia participar de um momento como esse. Essa é a modalidade na qual mais me sinto aluna. De duração mais curta e voltada para a prática, uma oficina promove o trabalho ativa dos participantes e costuma resultar num produto final.

Seja uma decisão da Secretaria de Educação, nossa ou do professor, o critério de seleção de uma palestra, de um curso, de uma oficina ou de um seminário deve ser o potencial de ampliação dos conhecimentos que desenvolvam o nosso fazer e o impacto que isso pode gerar aprendizagem dos alunos.

Espero que tenham gostado do post de hoje! E, se tiverem algo para compartilhar, escrevam nos comentários abaixo.

Aproveitando que estamos falando de  formação, quero convidá-los para assistir à conversa que terei com a Mara Mansani, do Blog de Alfabetização, na próxima terça-feira, 26 de julho, às 14h. Falaremos sobre os desafios da alfabetização para o professor e para a coordenação pedagógica. Será um momento muito rico de troca de experiências. Para saber mais e enviar suas perguntas, acesse o evento que criamos no Facebook (clique no link) e confirme sua participação. O papo será ao vivo. Nos vemos lá!

Um abraço,

Leninha

 

 


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Cansado e atarefado no fim do semestre? A saída é priorizar

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

O mais importante é priorizar o que ajuda a pensar o que precisa ser feito depois das férias. Foto: Shutterstock

Esta foi, para mim, a última semana do semestre. É aquela fase em que todo o cansaço acumulado em meses de trabalho intenso começa a pesar, justamente quando parece que temos mil coisas para fazer num tempo curto, não é mesmo?

O que tenho buscado fazer é relaxar e priorizar algumas ações, para tentar transformar a última semana num momento de retomada do que foi feito, dos resultados das avaliações das crianças e dos obstáculos que surgiram. O mais importante nesse período é pensar sobre as ações ou tarefas realizadas na escola e definir as prioridades para depois das férias.

Para mostrar como isso pode ser feito, gostaria de compartilhar com você a rotina que eu estabeleci nessa última semana de trabalho.

  • Comecei pelas tarefas mais simples e urgentes: organizei meus armários, gavetas e portfólios para conseguir concluir os últimos registros e estar pronta para, depois das férias, ficar totalmente focada nas ações e estratégias do trabalho pedagógico. Também aproveitei para organizar os arquivos no computador, como vídeos, fotos, dados das turmas, instrumentos de avaliações dos professores, atividades aplicadas em sala etc. Às vezes, na correria do dia a dia, deixamos esses arquivos esparramados na área de trabalho ou sem um nome que faça sentido.
  • Incentivei a equipe docente a fazer o mesmo: colocar em ordem resultados das avaliações, planilhas com dados da evolução dos alunos e uma lista de conteúdos que precisarão ser retomados. Outra coisa que pedi foi que os professores elaborassem um breve relatório de estratégias, atividades e avaliações aplicadas ao longo do semestre. Esse registro me ajudará a saber o que já foi feito e o que falta, na hora de reiniciar as intervenções pedagógicas.
  • Como muitas informações estavam frescas na minha cabeça, aproveitei para anotar possíveis assuntos que quero tematizar com os professores a partir de agosto.

Bem, essas foram minhas ações nessa reta final de semestre. Mas, a partir de agora, minha meta de verdade é recarregar minhas energias! As férias de julho são curtas e, por isso mesmo, têm que ser bem aproveitadas. Minha dica é que você tente arejar a cabeça: assista aos programas de televisão que te divertem, aproveite para ver bons filmes (que você certamente não teve tempo de assistir antes), ler bons livros (o blog de Leitura separou ótimas sugestões para isso), passear, cuidar da saúde, curtir a família, organizar a casa, visitar amigos…

Enfim, são muitas as atividades que podem ajudar a relaxar e contribuir positivamente para que você faça um bom retorno em agosto.

Mas, lembre-se: nosso encontro semanal continua de pé, mesmo nas férias! Então, até semana que vem. :)

Abraços,

Eduarda


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Para repensar a recuperação com a equipe de professores

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

A recuperação tem que ser encarada como uma nova oportunidade de aprender que a escola tem obrigação de oferecer, e não uma punição. Foto: Manuela Novais

“E agora, o que fazer com meus alunos em recuperação?” A pergunta foi feita por uma professora aqui da escola ainda no final do bimestre passado, quando percebeu que alguns estudantes de sua turma não alcançariam as notas suficientes. A questão me deixou inquieta. Será que ela e os outros docentes não têm clareza do que fazer nesses casos? Será que nós, coordenadores pedagógicos, estamos falhando em nosso planejamento?

Decidi, então, programar um itinerário de formação e planejamento sobre o assunto, porque senti que a equipe precisa refletir melhor sobre a finalidade da recuperação e entender melhor a aplicação dela. Em muitas instituições, ela ainda é encarada como uma espécie de punição ou instrumento de pressão, e não como nova oportunidade de aprender que a escola tem obrigação de oferecer.

É por isso que estou me empenhando na preparação desse itinerário, um trabalho que tem sido enriquecedor. Inclusive, quero compartilhar com vocês algumas perguntas que surgiram, e para as quais ainda não tenho respostas. Certamente, algumas delas também devem estar passando pela sua cabeça neste finzinho de semestre. Se ainda não passaram, anote-as! Elas são muito úteis para pensar:

  1. Quais expectativas de aprendizagem levantadas no início do ano que, ao não serem correspondidas, justificam encaminhar um aluno para a recuperação paralela?
  2. Quais instrumentos de acompanhamento podemos criar para identificar e analisar os conteúdos que os alunos apresentam mais dificuldades?
  3. Quais formas de avaliação foram ou podem ser aplicadas durante o bimestre, a fim de diagnosticar suas dificuldades?
  4. Quais estratégias já adotadas pelos docentes foram eficazes e em quais eles precisam investir mais?
  5. Qual o papel das atividades de revisão e fixação no processo de aprendizagem? Que ações podem ajudar os alunos na retomada de conteúdos? Será que um banco de atividades paralelas de fixação pode ser útil?
  6. Como as interações entre as crianças e a formação de grupos de estudos podem funcionar?
  7. Qual é o papel do professor de apoio e como incluí-lo nesse processo?
  8. E os responsáveis pelo aluno? Em que medida as reuniões individuais com a família antes da finalização do bimestre para análise do desempenho dos alunos em dificuldade podem ser uma ação eficaz?

Formas de recuperar

Existem, basicamente, duas formas de aplicar a recuperação, que não são excludentes. A primeira é a chamada recuperação contínua. Realizada no decorrer das aulas, consiste em orientações e atividades extras ministradas pelo professor assim que o aluno dá sinais de que necessita de ajuda. Ou seja, ao invés de esperar o período letivo terminar e simplesmente aplicar uma prova, o docente procura ajudar o estudante a sanar esses problemas ao longo do processo, sem deixá-lo para trás.

A segunda forma é a recuperação paralela. É a típica recuperação de fim de bimestre ou semestre, quando o aluno não atinge a nota mínima exigida. Às vezes, mesmo com a recuperação contínua, ela é inevitável.

A impressão que tenho é que, infelizmente, alguns professores não gostam de trabalhar nisso, pois organizar a prova é trabalhoso e, muitas vezes, os alunos não recuperam as notas. O problema é que, para funcionar, a recuperação paralela não deve se limitar à avaliação, e o docente não pode ser pego de surpresa. Ele deve ficar atento durante todo o bimestre aos alunos que, aparentemente, não terão bom desempenho e se antecipar. Sabendo quem pode ficar em recuperação, dá para planejar melhor um período de estudos antes da prova, no qual as crianças vão rever a matéria e tirar dúvidas.

Como formadora, espero que a equipe entenda a importância dessas duas maneiras de auxiliar os alunos em dificuldade. E, como gestora, quero garantir o suporte necessário para que a escola ponha as ações em prática no próximo semestre.

Bom, essas são algumas reflexões e questões que pretendo analisar com a equipe nas reuniões que farei sobre recuperação. Você tem alguma sugestão de como resolvê-las? Vamos trocar ideias?

Um abraço,

Eduarda