Garanta que as boas ideias dos professores circulem para a escola toda

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

No papel de coordenador pedagógico, uma das coisas que mais me chama a atenção é o quanto aprendemos com os professores. Por acompanhar várias turmas com propostas e projetos semelhantes, conseguimos ver bem como cada docente faz encaminhamentos e utiliza estratégias muito particulares. Várias vezes já pensei: “Que boa ideia!” ou  “Como essa professora consegue ser tão acolhedora ao mesmo tempo que propicia a autonomia de cada criança?”.

Por acreditar que podemos sempre aprender uns com outros é que acho importantíssimo que esses saberes circulem entre os professores. Para que isso ocorra, algumas vezes, será preciso intencionalidade do coordenador pedagógico, já que na rotina da escola esse não é o foco dos educadores. Durante o meu período como coordenadora, elegi alguns conteúdos que considero merecerem ser compartilhados sempre. Veja o que aprendi observando cada um deles:

1)      Organização do espaço

Como armários, brinquedos e materiais são disponibilizados para o uso dos pequenos faz toda a diferença na Educação Infantil. Certa vez, planejei uma ida até as salas de aula para observar as diferentes soluções dadas ao canto da leitura, ao faz de conta e até o uso dos murais. Se a escola for grande, dá para visitar as salas da própria instituição ou conhecer outras. Veja abaixo fotos de soluções que encontramos em outras escolas.

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2)      Gestão de sala

São inúmeras as situações, desde o próprio colega pedir para ensinar a canção que ouviu no parque até as filmagens que explicitam a gestão da turma.  Dentro do eixo de movimento, por exemplo, muitas vezes pedi para algum professor ensinar alguma brincadeira que vi fazendo com a sua turma. Também vale levar o grupo no pátio e utilizar uns 15 minutos para vivenciar como se faz.

 

3)      Junto às famílias

Apresentar a proposta pedagógica aos pais pode ser feito de várias maneiras. Observando alguns professores, pude conhecer propostas como simular um debate sobre autonomia e preparar uma atividade semelhante às enfrentadas pelas crianças, mas com desafio ajustado aos saberes dos adultos. Compartilhei imediatamente com o grupo ou anotei nos meus registros para, no momento certo, poder utilizar.

 

4)      Relatórios das crianças

Escrever os relatórios de aprendizagem é um desafio grande e cansativo para os professores. Sendo assim, uma vez, reservei 20 minutos do horário de formação para que o grupo socializasse como se organiza para essa empreitada.  Até dicas de melhor horário, revisão por um familiar e como consultar as produções das crianças foram bem-vindas.  Depois desse encontro, duas professoras comentaram como ficou mais fácil se organizar utilizando a sugestão de metas diárias dada por uma colega.

Por último, um lembrete: todos são bons em alguma coisa e cabe à equipe gestora valorizar essas características e contribuir para o estabelecimento de um grupo de aprendizagem colaborativa.

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Nossa escola tirou 7,7 no Ideb. E agora? Não basta só comemorar

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Use o resultado do Ideb de maneira construtiva na sua escola Crédito: Shutterstock

Olá, coordenadores,

No início do mês, recebemos o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que tem como objetivo orientar as políticas educacionais e subsidiar a gestão escolar. Nossa escola atingiu 7,7 nos anos iniciais, continuando um histórico de aumento acima da meta estabelecida. Ficamos felizes, claro, mas que reflexão esse índice pode gerar para nós e para a equipe de professores que coordenamos?

Estamos acostumados com as provas internas das salas de aula, geralmente elaboradas por cada professor e planejadas com base nos conteúdos trabalhados no dia a dia.  Elas servem como diagnósticos individuais destinados a auxiliar os docentes no planejamento de suas atividades, na elaboração de estratégias didáticas e na identificação das necessidades dos alunos, mas não trazem uma reflexão geral sobre a escola.

Já as avaliações externas, desenvolvidas fora do ambiente escolar e aplicadas a um grande número de participantes, servem para oferecer uma visão distanciada e potencialmente mais crítica do funcionamento e dos processos pedagógicos. Esses resultados não substituem as avaliações internas, planejadas pelos professores, e também não indicam o que cada aluno precisa melhorar, mas mostram como está cada instituição em relação às habilidades avaliadas e permite compará-las com outras, dando parâmetros para saber o quanto se está avançando em relação às demais.

Então, o que a coordenação pedagógica pode fazer com os resultados? Divido minhas sugestões em dois momentos: a reunião com a equipe e a lição de casa que vou fazer realizar, depois.

Sugestões para o encontro com os professores

- Analisar o índice da escola e comparar com os resultados das avaliações internas, coletivamente (entre todos os alunos) e depois individualmente (por cada professor) para, assim, mapearmos por sala quais têm necessidades de aprendizagem.

- Organizar e planejar momentos formativos dos professores para avaliar com a equipe o que deu certo e devemos manter e o que exige mudanças.

- Observar os dados obtidos e os índices anteriores para analisar avanços e retrocessos, retomando o plano de metas do ano anterior a fim de manter e reforçar as ações que deram certo.

- Retomar a matriz curricular e de referência para identificar quais áreas da escola precisam de investimentos.

Após a reunião com os docentes

- Organizar um cronograma com as atividades que cada um deve realizar em prol das metas e ações definidas pelo grupo, estabelecendo uma rotina de acompanhamento em cada sala de aula e de planejamento com os professores.

- Incentivar o professor para o uso de novas estratégias. Para isso é preciso conhecer a prática dele, acompanhá-lo e o ajudar no seu planejamento.

- Preparar, com base nas necessidades dos docentes e nos conteúdos de trabalho, reuniões para a formação constante sobre o processo de ensino e aprendizagem.

- Identificar quais alunos apresentam necessidades de aprendizagem e realizar estratégias de intervenção com eles desde as séries iniciais.

- Organizar equipes de apoio pedagógico por meio do agrupamento de alunos por ciclo e necessidade de aprendizagem. Dependendo do conteúdo, pode-se até utilizar a própria equipe de professores em dias definidos previamente.

Só com base em dados e evidências o coordenador pode fugir do papel de “bombeiro”, que passa a maior parte do tempo “apagando incêndio” e atuando “no escuro”. Ele precisa agir na causa dos problemas, garantindo, assim, a aprendizagem de alunos e, consequentemente, a melhoria dos indicadores de sua escola. O objetivo maior, é claro, é aprimorar o ensino e a aprendizagem, sempre em benefício dos alunos. O resultado no Ideb é consequência de um trabalho bem feito.

E vocês, que ações estão desenvolvendo com base no Ideb da sua escola?Comente abaixo.

Abraços,

Eduarda


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Como envolvi os professores na filmagem de situações de aula

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

A melhor maneira de analisar coletivamente uma situação didática é fazendo a tematização da prática (aquele momento em que você revê algo que aconteceu em sala e vai conversando sobre cada ação) e, como vimos no post anterior, as filmagens são uma ótima ferramenta. Mas, os professores podem ser resistentes a esse tipo de registro. Pensando nisso, vou contar como lidei com essa questão na escola que coordenava.

No projeto de formação em Matemática, já tínhamos feito várias leituras e discutido os conteúdos e objetivos de aprendizagem de cada nível da Educação Infantil. Estávamos no momento de refletir sobre as intervenções mais adequadas para que as situações planejadas fossem de fato potentes.  A tematização da prática estava prevista no meu planejamento, primeiramente com filmagens e análise de registro escrito de fora daquela escola e, depois, de situações filmadas por mim ou pelos próprios professores do grupo.

Para introduzir a tematização, utilizei dois relatos escritos.  A vantagem desse tipo de registro é que podemos descrever melhor aquilo que queremos discutir com o grupo. Aqui você pode acessar dois registros que utilizei para refletir sobre o papel das intervenções do professor na aprendizagem da recitação e da contagem.  Só depois disso é que utilizei uma filmagem da Nova Escola, Matemática é D+ .A apreciação do vídeo foi muito proveitosa, pois possibilitou a reflexão sobre os procedimentos das crianças e, principalmente, as intervenções da professora.

Toda vez que vamos utilizar um registro de situação didática é preciso definir qual será o foco da análise dos professores, ou seja, o formador precisa planejar com os docentes que atividades serão realizadas.  São elas que nortearão o olhar de cada um.

Algumas questões são clássicas: elenque em torno de quais conteúdos a atividade está organizada; reflita sobre o que as crianças podem aprender; e analise as intervenções do professor. Mas podemos também fazer observações acerca das respostas, hipóteses e parcerias estabelecidas pelos pequenos. O formador precisa assistir várias vezes o vídeo para encontrar o melhor foco para a formação.

Então, voltando ao meu relato. Depois da primeira etapa, propus ao grupo que escolhesse uma situação didática de seu planejamento para que filmasse.  Deixei todos bem à vontade, seria opcional compartilhar comigo e com os colegas. Como sempre, o coordenador deve ajudar a antecipar tudo que acontecerá antes e durante a atividade. Pensando nisso, reservei um encontro para planejar detalhadamente a atividade a ser filmada.

A fim de que esse planejamento seja produtivo, o educador precisa conhecer o conteúdo de aprendizagem, os conhecimentos das crianças e como propor uma situação de aprendizagem, desde a configuração da sala e da turma (se será em grupos, no coletivo ou duplas, por exemplo), como explicitar a atividade e quais serão suas intervenções.

Durante essa reunião, algumas professoras pediram para eu filmar, outras decidiram segurar o celular, enquanto encaminharam a atividade.  Combinamos que cada uma assistiria seu material antes de decidir se disponibilizaria para o nosso uso.  Como foi a primeira vez, muitas filmagens não puderam ser utilizadas por vários motivos: o áudio estava muito ruim, foi filmado mais chão e parede do que a atividade em si e até porque as crianças ficaram posando para o celular em vez de se envolver na proposta. Mesmo assim, ficamos ainda com cerca de seis gravações que poderiam contribuir muito com nossas reflexões.

O mais importante para mim foi que os professores viram que poderíamos utilizar essa estratégia formativa tranquilamente. Foi muita aprendizagem, tanto sobre a Matemática como sobre o que é preciso considerar para fazer uma filmagem, algumas delas utilizo até hoje nos cursos e grupos de formação que realizo.

Um abraço,

Leninha Ruiz

 


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O que fazer quando a escola não tem um professor especialista em Arte?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Qual a melhor maneira de trabalhar Artes Cênicas, Visuais, Musicais e Dança em aula Crédito: Shutterstock

É fato que a disciplina de Arte tem de estar presente no currículo e também que ela deve ser ensinada por especialistas. Mas como, infelizmente, muitas escolas não possuem um professor apenas para a área, especialmente nos anos iniciais do Fundamental, são os próprios regentes de turma que trabalham o conteúdo. Essa é a realidade de onde atuo, por exemplo, e sei que não é nada fácil para eles.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) dessa área apresentam como eixo principal quatro linguagens que podem ser trabalhadas em sala: Cênicas, Musicais, Visuais e Dança. Executar os quatro eixos com professores não formados especificamente ou com poucas experiências no ramo é um desafio enorme.

Os professores que coordeno têm consciência de que possuem dificuldades, e eu também confesso que tenho problemas. Buscamos trabalhar as propostas a fim de estimular a criatividade nos alunos, mas acabamos muitas vezes abordando mais a Arte Visual. Como coordenadora, reconheço os problemas, mas não posso ficar justificando propostas mais usuais. Por isso, levo em consideração a seguinte pergunta: o que os professores precisam saber para ensinar Arte? A resposta a essa questão me fez olhar e refletir sobre os conteúdos, a habilidade e a prática. Com base nessa reflexão, iniciamos algumas mudanças:

1)      Planejamento: Estabelecemos momentos para organizar as atividades de Arte e, a cada bimestre, contemplamos um ou dois eixos. Vale lembrar que não é um problema trabalhar as quatro áreas durante um bimestre, já que a ideia é atuar com todos ao longo do ano letivo.

2)      Experiência: Organizamos oficinas com os professores a cada semestre com aplicação prática de atividades. Assim, eles podem ter uma vivência de criação em Arte para saber realmente o que é pintar, desenhar, modelar uma escultura com argila, montar uma obra usando materiais variados, dançar, escutar rimos, saber ouvir e usar materiais que produzem sons, conhecer diferentes tipos de músicas e seus ritmos etc. Quando vivenciam essas técnicas, conseguem incentivar mais a experimentação e a investigação do aluno. Além disso, nos momentos de formação, procuro levar uma experiência prática de forma que eles possam vivenciar situações que realizam na sala de aula. Por exemplo, eles podem apreciar obras de artistas ou das próprias crianças, ou ainda atividades realizadas pelos colegas da escola.

3)      Apoio externo: Buscamos pessoas que possam ajudar no trabalho artístico, vendo vídeos ou peças de teatro que possam ser realizadas com os alunos, música com ritmos e materiais alternativos.

4)      Formação: Estudamos, lemos reportagens e entrevistas, vemos depoimentos de pessoas experientes e todo o tipo de material que trata do assunto. Isso ajuda a compreender melhor o conteúdo. Quanto mais próximo da área, mais familiarizado estará com ela.

Percebi que o professor necessita produzir e viver a Arte. O coordenador, por sua vez, deve organizar um cronograma de planejamento e ajudá-lo nessa empreitada. Quando isso acontece, os desafios ficam amenizados e colocamos todos em contato com as quatro linguagens artísticas ao longo da trajetória escolar.

No caso da minha escola, nos arriscamos bastante. Essas ações modificaram a nossa prática e, apesar das dificuldades que enfrentamos, conseguimos melhorar e muito nossas aulas de Arte!

Abraços e até a próxima semana.

Eduarda


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A filmagem das aulas precisa de cuidados e respeito ao professor

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

O planejamento da formação dos professores requer que foquemos em um determinado aspecto da prática pedagógica que desejamos aperfeiçoar. Um bom modo de fazer isso é com a filmagem de momentos de aula. Esses registros fornecem material para reflexão sobre um conteúdo de aprendizagem, as hipóteses e conhecimentos prévios das crianças ou as intervenções do professor, por exemplo.

Mas, em uma gravação, tanto as crianças quanto o docente ficam muito expostos. Por essa razão, é importante tomar alguns cuidados. Confira alguns deles:

1)      Só faça a gravação de algo que está sendo estudado.

Quando o assunto já está sendo discutido nas horas de trabalho pedagógico coletivo (htpc) ou nos encontros individuais com o professor, o objetivo fica mais claro e usamos o material para explicitar na prática algo que já foi visto na teoria. Nesse caso, a filmagem deve ser opcional para o professor.

2)      Auxilie o professor a planejar detalhadamente a situação.

Toda atividade realizada com as crianças tem intervenções do docente que podem modificar totalmente a aprendizagem. Por conta disso, tudo precisa ser antecipado: se a ação será com a sala toda, se o trabalho será individual ou em duplas, quais intervenções o professor poderá fazer e quais podem ser as questões ou hipóteses levantadas pelos alunos.  O coordenador e os participantes da formação precisam planejar juntos.

3)      Defina quem vai filmar.

É essencial que a pessoa responsável pela gravação tenha clareza do que precisa estar em foco. Vídeos que ficam no plano geral e não nas falas e procedimentos das crianças se tornam inúteis.  Outro fator é que o professor pode ficar constrangido com a presença de um observador em sala. Uma opção é ele fazer a filmagens, segurando o celular ou fixando em algum ponto da classe. Clique aqui para ver um exemplo de filmagem realizada pelo próprio professor.

4)      Combine qual será a duração da gravação.

O ideal é que quando a filmagem comece tudo esteja preparado. Isso significa que as crianças devem estar organizadas e com os materiais necessários para a aula, no momento em que o professor começar a apresentar as instruções. A duração pode variar conforme a atividade e a faixa etária. Nas turmas de 3 anos, por exemplo, é indicado ocupar um tempo menor que nas de 5 anos, mas geralmente fica em torno de 10 a 20 minutos.

5)      Só divulgue o material após a avaliação do professor.

A decisão sobre mostrar a gravação para outras pessoas é do docente. Muitas vezes, ele enxerga sozinho o que pode ser aperfeiçoado e refaz a situação sem a necessidade de compartilhar. Em outras ocasiões, o educador pode não se sentir confortável em exibir a aula a um grupo e prefere analisar apenas com o coordenador. Converse com ele e respeite a escolha realizada.

Depois que a gravação estiver feita, o coordenador pedagógico ainda terá muito trabalho. No próximo post, vou compartilhar um planejamento de formação utilizando filmagens de vários professores.

Um abraço,

Leninha Ruiz


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O dia em que a professora de Educação Física falou na reunião de pais

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Crédito: Shutterstock

Na escola em que trabalho, a professora de Educação Física é a Maria Aparecida, ou “Cida”, como gostamos de chamá-la. Logo que começamos a trabalhar juntas, nos encontros de planejamento eu escutava as inquietações dela sobre sua participação nas ações, que ela achava que deveria ser mais ativa. Eu sentia em seus depoimentos que, como profissional de Educação Física, ela não considerava que estava sendo valorizada. Vejam o que ela me disse em um encontro que tivemos:

“A maioria das pessoas acha que o horário da Educação Física é o momento de descansar ou encontrar o supervisor enquanto alguém fica com os alunos. A equipe escolar e os pais precisam saber que o professor dessa disciplina planeja, tem conteúdo a ser trabalhado, possui uma matriz curricular, ou seja, tem uma organização séria. A aula de Educação Física não é uma brincadeira solta, sem planejamento. É preciso valorizar a gente como qualquer outro profissional da escola e mostrar que nossa disciplina é importante. Tenho muitas vezes a sensação de que não faço parte do grupo. Os pais e os outros professores precisam conhecer e compreender a nossa disciplina, que é um componente curricular obrigatório. Eu gostaria de ser valorizada pela escola.”

Esse desabafo mexeu muito comigo. Como poderia contribuir na inclusão dessa profissional tão importante? Não queria que a professora sentisse que não faz parte da equipe. Todo bimestre, como coordenadora, tento fazer a minha parte com ela, acompanho seu planejamento, observo suas aulas, fazemos juntas registros de sua prática. Mas eu sentia que isso não era suficiente.

Pensei, então, em uma ação para fazer com que a Cida se sentisse mais parte da escola. Abri espaço para ela nas reuniões de pais, para que eles conhecessem o trabalho da professora durante o semestre, seus objetivos de aprendizagem com as crianças e percebessem sua organização. Os pais também viram fotos e vídeos dos momentos mais importantes das aulas.

A professora Cida teve espaço na reunião de pais para mostrar como desenvolve seu trabalho com os alunos. Crédito: acervo pessoal

Após a reunião de cada turma, a professora sempre vinha até mim agradecendo pelo espaço oferecido. Isso fez toda a diferença. Agora, tenho metas de integrar a Educação Física ainda mais nas ações pedagógicas que coordeno, como incluir na formação continuada da escola, fazer paralelos entre a Cida e a gestão para ajudar na melhoria de seu ensino, prestar atenção aos materiais e à infraestrutura disponíveis, à sua rotina e seus horários.

A Educação Física é um componente curricular importante, que vem buscando seu espaço na escola. Os professores dessa disciplina são tão importantes quanto os demais, e devem ser tratados como tal. No entanto, infelizmente, às vezes há um movimento deles mesmos não se envolverem nas discussões dos conselhos de classe, nas reuniões pedagógicas e nas reuniões de formação. Para que seja superada a imagem do professor de Educação Física que tem função recreativa, os próprios educadores devem buscar seu espaço, como fez a Cida, e justificar em primeira instância sua prática pedagógica. Ao mesmo tempo, também cabe à gestão ouvir o chamado dos professores para serem mais valorizados. Torna-se necessário o envolvimento de toda a comunidade para que o docente seja sujeito ativo no projeto da escola.

Senti na pele, com a minha querida Cida, que nós coordenadores pedagógicos conseguimos dar o pontapé para legitimar a atuação de um professor e mostrar sua importância no desenvolvimento integral dos alunos. Lição que carregarei, com certeza, em meus planejamentos futuros.

E vocês, coordenadores, já passaram por uma experiência como essa? Já pensaram sobre o espaço que o educador físico tem na sua escola? Conte suas reflexões nos comentários!

Um abraço e até semana que vem,

Eduarda


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Uma campanha de vacinação levanta a discussão sobre que escola de Educação Infantil queremos

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Há alguns anos, o novo secretário de Educação de minha cidade afirmou às equipes técnicas de creche e pré-escola que não se preocuparia com a Educação Infantil por que era muito fácil cuidar e brincar com as crianças.  Além de não ser da área, o gestor público assumiu demonstrando ter uma concepção bastante retrógrada dessa etapa de ensino. Recordei desse fato por que presenciei um debate sobre o mesmo tema durante um curso que ministrei em outro município recentemente.

Ocorria um surto de sarampo na cidade. Por conta disso, a diretoria de Saúde, juntamente com a de Educação, resolveu vacinar os pequenos nas EMEIs e creches. Em uma reunião, certa professora relatou que segurou cada criança no colo no momento da vacinação. Isso causou indignação em outra colega que disse: “Isso é um absurdo! Não é o papel da escola. Estou muito incomodada com essa história!”.

A equipe docente da escola, em que eu dava um curso, se dividiu. Algumas professoras criticaram a iniciativa da Prefeitura e disseram que isso só reafirmava a ideia de que a Educação Infantil é uma etapa voltda apenas ao cuidado e ao assistencialismo. Outras entenderam que se tratava de uma situação emergencial e não viam problemas em abrir esse espaço para uma campanha tão importante. Ainda houve aquelas que alegaram concordar com a vacina ocorrer na escola ou creche, mas não gostariam de segurar os pequenos para fazer algo dolorido, pois eles podem associar esse sofrimento à professora. Depois de vários pronunciamentos, a conversa não chegou a um consenso.

Acho muito bom que haja debates acerca de nossa concepção de Educação e, principalmente, que os professores participem deles e tenham bons argumentos. Mas, nesse caso, não vi nenhum problema em realizar a vacinação nas escolas e no fato das professoras ficarem com cada criança nesse momento. Era uma situação pontual e sempre queremos fazer parcerias para o bem de todos. Talvez fosse a hora de estar disponível para a saúde e o bem-estar da comunidade. O tempo gasto seria mínimo.

Essa situação me fez pensar em outras que ocorrem frequentemente e colocam em xeque a concepção pedagógica que perseguimos.  Uma muito comum é os professores serem chamados de tio ou tia pelas crianças, pelos pais e até pelos colegas. Minha colega Flávia Vivaldi já escreveu sobre por que isso é um problema.  O professor não deve ser chamado de tio e tia, pois a docência é uma profissão que exige uma formação específica e constante aperfeiçoamento da prática.

E aí na sua escola, também há situações corriqueiras que levantam a reflexão sobre a concepção do papel da escola de Educação Infantil? Conte pra gente nos comentários.

Um abraço,

Leninha


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O que o coordenador precisa olhar nas paredes de uma sala de aula

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Sempre reservo no meu cronograma momentos de observar a sala de aula de todos os professores que coordeno. Essa é uma das atividades mais importantes do coordenador pedagógico e pode se transformar em um momento crítico, também. Nem sempre a gente é bem recebido na sala de aula, pelos professores. Não por maldade ou motivos pessoais, mas o docente, em geral, acha que estará sendo vigiado ou supervisionado enquanto há outra pessoa ali com ele.

Para quebrar essa ideia, é necessário criar vínculos com os professores e mostrar a eles que, no contexto pedagógico, a observação é uma excelente estratégia que contribuirá para sua própria formação. É possível levar o docente a fazer uma reflexão sobre sua prática e buscar novas possibilidades de intervenções para a melhoria do ensino, com base em pontos que o coordenador, como agente “externo” àquela rotina, pode analisar.

Para fazer uma observação de qualidade, o primeiro passo é definir o que vai ser o foco de sua visita. Seja o espaço, uma aplicação específica do planejamento, a interação entre o professor e as crianças ou entre os alunos, a introdução das aulas, enfim. O importante é elencar um item que seja prioritário no momento e, durante as observações, não perder o foco.

Na escola onde atuo, no primeiro semestre deste ano, o meu olhar se concentrou no espaço da sala de aula. Em geral, começo a fazer visitas nas classes depois de um mês de aulas, mais ou menos. A cada início do período letivo, as salas ficam com as paredes vazias, sem cartazes, calendário, alfabeto ou lista de nomes dos alunos. Assim que os conteúdos começam a ser trabalhados, o ambiente passa a ganhar vida e ser habitado pelos materiais. Gosto de acompanhar essa mudança acontecendo.

Como estou sempre me comunicando com as professoras, elas me dizem quando vai começar um projeto didático, e organizo minha agenda com base nisso. Antes, as docentes só preenchiam as paredes quando iam receber algum convidado, e não cotidianamente, como deveria ser. Depois que comecei a fazer visitas com mais regularidade e conversar com elas sobre o uso do espaço, percebi uma melhor ocupação das paredes.

A sala de aula deve refletir o que as crianças estão estudando e o que estão produzindo nas disciplinas. Descobertas, reflexões, dúvidas e curiosidades podem ter espaço nessas paredes. Como coordenadora, considero alguns aspectos importantes na hora de compor minha pauta de observação. São eles:

- As paredes têm indícios do que as crianças estão estudando em cada disciplina? Há espaço para todas elas, e registro dos professores para auxiliar os alunos, como lembretes de conteúdos?
- As paredes indicam quais projetos estão sendo realizados?
- Há cartazes com dados como quais foram e quando aconteceram as leituras realizadas pela turma, calendário e lista de nomes das crianças?
- Há textos, atividades de Arte e outras produções dos alunos?
- Existe espaço para informações como lembretes de conteúdos aprendidos e exemplos de resolução de problemas?
- Os cartazes estão em uma altura adequada em relação ao tamanho das crianças? Elas conseguem ler suas informações com facilidade?
- Sobrou algum espaço para divulgação de coisas novas e interessantes?

É claro que as paredes de uma sala de aula nem sempre comportam tantas coisas ao mesmo tempo, mas os itens listados são importantes, e devem circular com flexibilidade e alguma frequência durante o período de trabalho. Por isso, aqui entra outro item no planejamento das observações: a periodicidade. Nunca faço a observação do espaço uma única vez no ano. Essa frequência de visitas, que deve ser acordada entre o coordenador e sua equipe, é importante justamente para ter um tempo maior para verificar se todos os itens foram contemplados pelo menos uma vez. No meu caso, foco meu olhar nas paredes pelo menos três vezes durante o semestre.

O mais importante, nesse processo, é que a sala de aula esteja organizada de forma que possa fazer diferença e auxiliar as crianças. Assim, aquele ambiente se torna acolhedor e propício ao desenvolvimento de atividades e capacidades da turma.

E vocês, coordenadores, observam regularmente a sala de aula dos professores da sua escola? Compartilhem suas experiências nos comentários!

Um abraço e até semana que vem,

Eduarda


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Uma professora nova vive saindo da sala. O que fazer?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

O grupo de professores de uma escola, junto com os gestores, forma um coletivo que define a identidade da instituição.  Sempre que um novo docente chega, ele deve ser acolhido pelos colegas, orientado e colocado a par do funcionamento daquela unidade para naturalmente se inserir na equipe inclusive contribuindo com um olhar novo. Mas, nem sempre é isso que acontece.

Em uma escola onde faço assessoria, uma professora se aposentou e uma novata assumiu sua antiga turma de 3 anos.  Logo nos primeiros dias, notamos que a educadora saía com frequência para fazer alguma coisa na sala dos professores ou na secretaria, deixando os pequenos com a estagiária ou com uma colega da sala ao lado.  A direção da escola já tinha observado a profissional conversando com funcionários sobre assuntos particulares no horário de aula.  No final da primeira semana, uma das professoras alertou que talvez a moça estivesse precisando de mais orientações, pois parecia um pouco perdida e talvez não estivesse acostumada a atender essa faixa etária.

Diante dessa situação, a coordenadora se planejou para estar mais na sala de aula. Logo na primeira visita, a gestora encontrou a docente no celular sentada de costas para as crianças e a orientou a não repetir tal comportamento.  No mesmo dia, ao voltar para entregar-lhe um material, viu os pequenos correndo entre vários materiais espalhados pelo chão, enquanto a educadora folheava uma revista.  Assim que foi percebida no ambiente, recebeu a justificativa: “Estou vendo alguns vestidos de noiva, mas de olho nos pequenos”. Mas, os comentários acerca do comportamento da professora continuaram se repetindo e foi detectada a necessidade de uma intervenção ainda mais clara.

Ao contatar a supervisão da Secretaria de Educação para verificar a possibilidade de ter um estagiário fixo nessa turma, a diretora foi informada de que havia alguns relatórios de outra escola sobre o desempenho insatisfatório daquela docente.  Então, ela decidiu marcar uma reunião e levar uma orientação escrita das atitudes inadequadas ocorridas na escola e explicitando as posturas esperadas.

Segundo a equipe gestora, a docente se mostrou surpresa com as reclamações a respeito do seu trabalho.  Talvez a falta de formação fosse o motivo, já que ainda não participava da horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC) por ser substituta.  A direção trouxe o caso para discutirmos na assessoria e, juntas, elencamos algumas possibilidades de encaminhamentos para qualificar a atuação da professora.  Eis a lista:

  • Organizar um momento para que a coordenadora atur como professora de referência e a docente observe uma roda de conversa, hora da história e brincadeiras no pátio, com a tarefa de anotar as intervenções efetuadas;
  • Selecionar alguns textos sobre o desenvolvimento infantil, o papel do professor e a importância da rotina na sala de aula;
  • Utilizar vídeo que apresenta um dia de a