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Ações de integração para ajudar os alunos na transição do 5º para o 6º ano

A passagem dos alunos do Ensino Fundamental 1 para o 2 traz desafios e merece uma atenção especial da equipe gestora

por:
FJ
Frances Jones
01 de Setembro 2011 - 12:00
Na EMEF Campos Salles, alunos do 5º ano se reúnem com futuros professores para conhecer a nova rotina. Foto: Tamires koop
PARA TIRAR DÚVIDAS NA EMEF Campos Salles, alunos do 5º ano se reúnem com futuros professores para conhecer a nova rotina

Ainda era julho e o estudante João Pedro Melo, de 10 anos, já mostrava certa apreensão com o que vai encontrar quando ingressar no 6º ano da EMEF Campos Salles, em Nova Santa Rita, a 25 quilômetros de Porto Alegre. "Acho que vai ser legal e ao mesmo tempo complicado porque vamos ter mais matérias e professores", diz o garoto. A preocupação e o frio na barriga são comuns nas turmas do 5º ano, que estão prestes a passar por uma grande mudança na rotina escolar.

Tradicionalmente, o 6º ano (ou 5ª série) é um período de notas mais baixas, menos lições de casa entregues pelos estudantes e um número maior de reprovados. Não é para menos: em vez da professora polivalente - que, além de ensinar, estabelece uma relação de afeto com a classe -, agora, a cada 45 minutos, entra na sala um diferente (são entre oito e 12 docentes por ano), cada um com uma forma e uma linguagem próprias de trabalhar os temas de sua disciplina. Sem falar na quantidade de tarefas de casa e livros que eles passam a utilizar. "Há uma modificação na natureza do vínculo entre o professor e os alunos e na relação desses com o tempo, que deixa de ser tão elástico e passa a ser mais marcado", afirma Sílvia Viegas, coordenadora geral da segunda etapa do Ensino Fundamental na Escola Viva, de São Paulo. Mais do que isso, é um momento especial na vida do estudante, que está entrando na adolescência.

Essa adaptação, portanto, tem de ser feita com atenção para evitar que os jovens se sintam desmotivados e percam a curiosidade pelos conteúdos, afetando de forma negativa o desempenho. "Um bom caminho é promover um período de aproximação entre as séries para que o estudante tome contato com as mudanças", diz Suzana Mesquita Moreira, coordenadora pedagógica do 6º ao 9º ano da Escola Projeto Vida, na capital paulista, e formadora de professores de redes públicas e privadas.

Embora a maioria das escolas trate a transição como algo natural, algumas adotam medidas para tornar esse momento menos impactante. As ações, em geral, começam no segundo semestre do 5º ano e continuam durante todo o 6º ano, com foco especial nos primeiros três meses. É comum, por exemplo, haver um cuidado maior por parte dos gestores com a escolha da equipe que lidará com essa série. "É importante que o professor especialista já tenha atuado como docente na primeira etapa do Fundamental ou tenha formação em Magistério ou Pedagogia para que entenda melhor como são as crianças nessa fase", ressalta Suzana. Esse profissional, acrescenta ela, também precisa se preocupar com a linguagem utilizada em sala de aula, procurando ser claro com o uso de termos novos relacionados aos conteúdos específicos. Existem ainda instituições que colocam professores especialistas já no 5º ano para que a turma comece a se adaptar a uma maneira diferente de ensinar. Outras mantêm alguns professores polivalentes no 6º ano a fim de prolongar o processo de adaptação.

Adaptação ao 6º ano deve constar da pauta de formação continuada

A EMEF Campos Salles decidiu investir para tornar menos brusca essa passagem e, apesar de o projeto ter pouco mais de um ano, já apresenta bons resultados. "De 2009 para 2010, reduzimos o índice de reprovação no 6º ano de mais de 30% para menos de 10%", conta Rosemary Kaspary, supervisora do Ensino Fundamental da escola. Para proporcionar um ambiente de ensino mais tranquilo e permitir que o professor, quando preciso, dê mais atenção a cada um dos alunos, a escola dividiu o 6º ano em duas turmas. Cada uma ficou com 20 estudantes. Como o espaço físico da instituição é pequeno, essa medida exigiu o reagrupamento de outras classes menores em apenas uma sala. Ao mesmo tempo, os problemas da adaptação receberam destaque na formação continuada dos docentes. "Discutimos o assunto nos encontros, o que contribuiu para que eles se tornassem mais compreensivos nessa fase", conta Rosemary. Outra iniciativa foi a organização de reuniões entre o quadro docente dos dois segmentos para aumentar a troca de informações sobre os alunos. O grupo do 5º ano também é apresentado a seus futuros professores para tirar dúvidas sobre a rotina que os espera.

Mesmo com todo esse cuidado, uma pesquisa realizada este ano pelos gestores da EMEF Campos Salles constatou que os estudantes consideravam a transição muito brusca e sugeriram que o 5º ano fosse mais "puxado". "É bem diferente, porque são muitos professores novos, não temos muito tempo para anotar as informações do quadro e as provas ficam mais difíceis", comenta Samantha Vargas da Fontoura, de 11 anos, aluna do 6º ano.

Blogs, jogos e lanches coletivos ajudam os alunos a ter uma transição tranquila

Na Escola Projeto Vida, o blog dos estudantes do 6º ano é visitado pelos colegas do 5º ano. Foto: Fernanda Preto
INTERAÇÃO DAS TURMAS Na Escola Projeto Vida, o blog dos estudantes do 6º ano é visitado pelos colegas do 5º ano

Na Escola Projeto Vida, há um blog dos alunos do 6º ano, consultado pelos colegas mais novos, em que são relatadas as viagens de estudo e contadas as experiências em eventos como a Semana Literária. Também são promovidos jogos, lanches coletivos e conversas entre os estudantes e os professores dos dois segmentos. Um assunto que gera grande expectativa, aliás, é o uso de armários individuais - oferecidos a partir do 6º ano para guardar cadernos e mochilas -, em substituição ao escaninho aberto disponibilizado às turmas mais novas. "Eles ficam orgulhosos, pois ganham um espaço próprio, com chave para guardar os pertences e que é de sua inteira responsabilidade", diz Sonia Aidar Favaretto, coordenadora pedagógica da primeira etapa do Ensino Fundamental da Projeto Vida.

Nessa instituição, um cartaz para consulta é afixado na sala do 6º ano, com as aulas do dia, os materiais necessários e as lições de casa da semana. A agenda coletiva também é usada pelos professores, que podem coordenar melhor a quantidade de tarefas exigidas para não sobrecarregar os estudantes em certos dias.

Envolver a família nesse momento de transição também é muito importante. Os pais ou responsáveis devem ser convidados para uma reunião ainda no 5º ano ou no início do novo período letivo - para que entendam o que os filhos vão enfrentar e possam dar um apoio maior a eles. Além disso, é desejável que o grupo do 5º ano visite o espaço que passará a frequentar no ano seguinte e que faça isso, de preferência, na companhia dos colegas mais velhos.

Nos casos em que a escola termina no 5º ano ou ofereça turmas somente a partir do 6º, o recomendado é fazer uma pesquisa para ver de onde vêm e para onde vão os alunos que farão a transição e agendar uma reunião com os gestores e professores da outra escola, visando traçar ações comuns. A mudança, nesses casos, pode ser um pouco mais trabalhosa. Mas a comunicação é possível - e necessária.

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CONTATOS
EMEF Campos Salles, tel. (51) 3479-2003
Escola Viva
Sonia Aidar Favaretto
Suzana Mesquita Moreira

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