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01 de Julho de 2014
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Corredores são mais do que passagens

Além de permitir o fluxo de pessoas, esses espaços têm papel educativo e comunicam o que acontece na instituição

Por: Rosi Rico

Corredores: mais do que passagem. Ilustração: Marcelo Badari

Um dos lugares mais democráticos de uma escola, os corredores recebem estudantes, professores, diretores, inspetores e pais. Mas, além de garantir a circulação, eles também têm papel educativo. "Os gestores devem se perguntar o que é possível aprender nesses locais e o que eles dizem sobre a instituição. Eles refletem o que é ensinado, aprendido e valorizado na escola", diz Marcia Cristina da Silva, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo.

Justamente por ser utilizado por todos, o corredor é um ótimo canal de comunicação com diversos públicos. Para aproveitar isso, uma boa ferramenta são os murais, que devem estar dispostos de acordo com o objetivo e as pessoas que se pretende atingir. Nos próximos à biblioteca, por exemplo, podem ser expostas dicas literárias ou outro material que estimule a leitura. Naqueles ao lado do refeitório, vão informações sobre a merenda. Os caminhos mais próximos às salas de aula podem ser utilizados como extensão delas, servindo como suporte para a apresentação de trabalhos de alunos.

Além de possibilitar aos estudantes ver e aprender com o que as outras turmas estão fazendo, é uma boa opção para que os pais acompanhem a produção dos filhos. Na EE Dona Esperança de Oliveira Saavedra, em Mauá, região metropolitana de São Paulo, as exposições são frequentes para as turmas do 1º ao 5º ano. "Atualmente, estamos mostrando livros cujas histórias e ilustrações foram criadas pelos alunos, mas já apresentamos esculturas, desenhos, mosaicos e origamis", conta a diretora, Deise Delgato. "É importante para eles perceberem que a produção tem visibilidade."

O gestor precisa, porém, se preocupar com a manutenção e organização dos corredores, para garantir que exista um rodízio do que é exposto e também das classes que utilizam o espaço. "Além de criar um clima acolhedor, ensina-se sobre respeito, para que nada seja danificado. Em geral, quando passam por uma experiência desse tipo, os estudantes adquirem olhos mais generosos para o trabalho do outro", diz Marcia. O cuidado é importante também para não dar a impressão de desleixo ou de falta de atividade. "Certa vez visitei uma escola em outubro e percebi que trabalhos sobre o Dia das Mães continuavam nos murais, mesmo desbotados. Parecia que nada havia sido feito desde maio."

A decisão sobre o que será afixado deve ser compartilhada com os alunos. Afinal, a seleção também reflete a identidade deles. Os jovens podem, por exemplo, optar por organizar um jornal mural, em que elegem e confeccionam notícias, dicas musicais e sugestões de filmes e livros. Até os pequenos devem participar, com escolhas feitas durante as rodas de conversa.

Quando há vários corredores, outra opção é destinar uma das paredes para pinturas feitas pelos estudantes. Os menores contribuem com desenhos que depois serão ampliados, mas preservando traços e cores para que eles reconheçam seus trabalhos. Os mais velhos podem desenvolver um projeto de grafite. O importante é que se apropriem daquele local de maneira afetiva.

Espaço de convivência e incentivo à leitura

Os murais também colaboram na ampliação do diálogo com a comunidade. Para isso, uma opção é convidar artistas locais para expor suas obras. Outra é criar uma espécie de classificados de serviços e produtos. Nesse caso, o ideal é que o painel fique próximo à entrada. "Muitos adultos só chegam até esse ponto da escola. Então, esse espaço precisa demonstrar o cuidado e o respeito com eles. Deve ser atraente, com temas relevantes", diz Marcia. Outras informações de interesse dos responsáveis devem ser colocadas aí, como os balanços financeiros, os avisos sobre eventos, o calendário e a explicação de algum projeto institucional.

Nas escolas que dispõem de passagens mais amplas, cantos de leitura para estudantes e até para a família são bem-vindos. Bebedouros, lixeiras, bancos, cadeiras e plantas também. "Muitos não querem bancos para não tumultuar, mas pode-se criar uma boa área de convivência", acredita Marcia.

Na EMEI Valéria Aparecida de Almeida Vasconcelos, em São José dos Campos, a 94 quilômetros de São Paulo, além de vários murais com produções de alunos, os corredores largos permitiram que a direção criasse uma espécie de almoxarifado de brinquedos próximo à saída para o pátio e também um cantinho de Arte para aulas externas. "Essas ações facilitaram a rotina do professor, que dispõe de material dentro e fora da sala e não precisa mais ficar carregando tudo de um lado para o outro", conta Adriana Cristina Cunha e Silva, orientadora educacional. Em outro local, onde a circulação é pequena, foi instalada uma piscina de bolinhas para os pequenos. E nos internos foram colocados mochileiros, o que liberou espaço dentro das classes. "Nossos corredores têm muitas finalidades, não apenas servir de passagem. São locais de aprendizagem", completa a diretora, Keina Mendes Leite Passos.

Em todos esses casos, a direção precisa estar atenta para não comprometer a circulação. Para isso, é preciso organizar os horários de entrada e saída das turmas, checar se há obstáculos no caminho das pessoas e se há a necessidade de manutenção ou troca de algum material ou equipamento.