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Blog Sustentabilidade na Escola

Dicas, textos e depoimentos sobre como levar as questões ambientais para dentro da escola e para a comunidade

02 de Fevereiro de 2015
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Rodas de conversa também são boas estratégias para os adultos

Por: Andrée de Ridder Vieira

Foto: Shutterstock

Olá,

Das metodologias de aprendizado coletivo, as rodas de conversa têm sido adotadas por várias escolas como um instrumento pedagógico importante para estimular o aprender com o outro e a partir do outro. O desenvolvimento da oralidade é dado pela própria conversa e quanto mais conversa melhor! Essa metodologia é muito utilizada com as crianças que ainda estão aprendendo a se comunicar, mas continua sendo muito válida para a discussão de temas importantes com os adultos.

Sábios são os povos tradicionais que desde a antiguidade já praticavam, e mantêm até hoje, o hábito de sentar em roda para que uma geração aprenda com a outra e para que sejam resolvidos conflitos importantes da comunidade.  No formato de roda, eles entendem que todos podem se ver ao mesmo tempo, se conhecendo até mesmo pelo simples olhar. Com paciência e sabedoria, aprendem a respeitar a vez do outro: ao falar e escutar. Todos têm uma importante contribuição com as suas ideias e conhecimentos, ninguém fica de fora. E assim a história, ou melhor, a conversa vai ficando muito criativa e divertida… Quem não gosta de um bom papo?

Talvez a sua escola, à sua maneira e criatividade, já pratique as rodas de conversa e seria bem bacana você nos contar como tem sido esta experiência. Aqui eu trago uma proposta de usar essa prática com a sua equipe, para desenvolver habilidades como investigação, reflexão, organização e avaliação, onde naturalmente líderes serão potencializados ou até mesmo descobertos durante o percurso. Uma escola que deseja ser ecoeficiente e sustentável precisa de bons líderes antenados nos assuntos de rotina, no aprendizado compartilhado e multiplicadores de lideranças entre as crianças e os jovens!

A ideia é simples. Percorreremos um circuito de cinco etapas: organização, inspiração, reflexão, sistematização e avaliação. A metodologia, que foi criada pela equipe de educadores ambientais do Instituto Supereco para o Instituto Ayrton Senna, pode ser adaptada e estendida em sala de aula com os alunos. Logicamente, você pode adaptar o jeito de fazer conforme o perfil da sua equipe e o tempo disponível.

O passo a passo

  1. Organização:você será o moderador do grupo e precisa preparar previamente o ambiente. Coloque as cadeiras em roda, separe os textos de apoio e demais materiais (vídeos, fotos etc) que irá usar no dia da roda de conversa. Procure selecionar materiais inspiradores e temas bem relevantes que queira trabalhar com sua equipe do ponto de vista de desempenho, situações conflituosas ou uma temática socioambiental que precisa ser inserida no cotidiano das aulas, a crise hídrica, por exemplo, assunto do post da semana passada.

Dica: ao executar cada roda com a equipe, comente que muitas ideias surgirão ao longo da conversa e, se não houver uma organização, elas podem perder o sentido. Como solução, a cada roda você pode escolher até dois participantes que terão a função de memorizar (e anotar) as falas principais e na quarta etapa, Sistematização, eles serão responsáveis por fazer um fechamento da conversa, contando ao grupo o que acharam mais interessante em termos de experiência e conteúdo.

  1. Inspiração (média de 5 minutos): com a equipe reunida em roda, introduza o tema com algo simples e inspirador como um texto, um vídeo ou uma foto da situação que será trabalhada. Não esqueça que você, como facilitador da roda, terá o desafio de conduzir a conversa “costurando” as falas sem que se perca a dinâmica de um bate-papo, pois caso contrário a equipe pode ficar cansada. Para a roda funcionar bem, se houver tumulto com muita gente falando ao mesmo tempo, combine um gesto para que todos prestem atenção no que está acontecendo! E assim todos param para ouvir o que o colega tem a dizer.
  1. Reflexão (média de 20 minutos): inicie com uma pergunta aos participantes, que tenha a ver com o conteúdo usado na etapa de inspiração e o seu desejo em aprofundar o tema. Mais do que uma opinião sua sobre o assunto, uma pergunta sempre é um bom gancho para iniciar uma discussão e colabora para que você conheça as opiniões do grupo. Por exemplo, se estiver trabalhando um melhor desempenho da equipe em reuniões, como o cumprimento de regras e combinados, você pode perguntar “Por que regras e combinados caem no esquecimento ao longo do ano?”Como moderador, aqueça as discussões, unindo as ideias com neutralidade e sem tomar partido. Em outras ocasiões, você pode sortear alguém da equipe para fazer esse papel e assim estimulará o desenvolvimento de lideranças na equipe. Deixe a conversa seguir até o tempo determinado para a atividade.
  1. Sistematização (média de 10 minutos): convide os ajudantes eleitos na primeira etapa para contar como foi a experiência desta roda, como eles se sentiram e quais foram as principais ideias e mensagens que eles anotaram. Ao final, reconheça o esforço deles e de todos! Se houver tempo, abra um espaço para comentários gerais e, depois, complemente com as suas impressões e articule os conteúdos, fazendo uma conclusão do trabalho realizado pela equipe. 
  1. Avaliação (média 5 minutos): avaliar o processo de aprendizagem na roda é tão importante quanto vivenciá-lo. Isso irá ajudar você a perceber como foi a experiência e os avanços ligados ao tema trabalhado, quais são as ações práticas que serão tomadas com base na discussão, se ainda restam dúvidas e se alguém deseja aprofundar determinado ponto. Se desejar aprofundar, você pode solicitar uma avaliação por escrito posteriormente. Com isso, pode planejar os temas dos encontros seguintes.

E você, tem experiência com a realização de rodas de conversa na escola? Escreva nos comentários suas sugestões como inspiração para os demais e, assim, podemos aumentar o uso dessa prática.

Uma ótima semana!

Andrée