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Como o desenho de um aluno mudou a cara de um projeto inteiro

por:
Muriele Massucato
Muriele Massucato
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Eduarda Diniz Mayrink

 

Na primeira produção (à esq.), o aluno representou o avestruz com traços simples. Após a sequência, ele voltou ao desenho para criar formas de retratar, também, a textura do corpo (à dir.). Foto: Reprodução/Eduarda Mayrink

Por mais que seja mais própria do professor a tarefa de avaliar as produções das crianças, é ótimo que o coordenador pedagógico separe um tempinho para participar desse trabalho. Assim como a observação de sala de aula, a avaliação das produções é uma maneira de ter contato direto com os alunos e ter uma boa ideia dos resultados concretos do planejamento. E, não raro, surgem insights importantes para tematizar a prática ou corrigir falhas.

No ano passado, tive uma experiência muito interessante que exemplifica bem o que estou dizendo. A professora do 1º ano e eu trabalhávamos em um projeto didático chamado Pequena Enciclopédia, cujo tema era “Aves da nossa região”. A proposta era proporcionar diversas atividades de leitura, escrita e desenho, com o intuito de obter, como produto final, um folder ilustrado e com informações sobre as espécies pesquisadas, que seria apresentado para toda a comunidade.

Quando imaginei o projeto, pensei que o desenho deveria ter uma função importante, e não ser um coadjuvante. As atividades tinham que estimular a criatividade e trabalhar conceitos básicos, como linha, ponto, cores…

Um dia, numa das reuniões semanais que fazíamos para ver o andamento do trabalho, resolvi pedir que a professora me trouxesse algumas produções de desenho, já que nos encontros anteriores havíamos nos dedicado exclusivamente aos textos. Foi então que me dei conta de que estávamos “esquecendo” de prestar atenção àquilo. O primeiro desenho que peguei nas mãos era de um avestruz. O menino havia traçado no papel somente o contorno do corpo, com poucos detalhes e nenhuma cor.

Estava ali, nos traços daquele aluno, o que eu precisava fazer por aquele projeto. Tinha que mostrar à professora que o desenho também era um conteúdo que deveria ser ensinado, e que nossa tarefa era possibilitar experiências visuais e artísticas, ampliar o repertório e disponibilizar técnicas e materiais diferentes. E ela, olhando as produções ao lado de fotos, percebeu que bico e penas eram ótimas referências para explorar o campo das texturas.

Havia, ainda, uma coincidência que ajudou a nos motivar em direção a uma sequência didática sobre texturas: é que nas aulas de Ciências, as crianças estavam estudando justamente os cinco sentidos. Por que não aproveitar também as aulas de Arte para investir nas percepções táteis e visuais?

Com a ideia em mente, me pus a ajudar a professora a elaborar a sequência, que você pode conhecer na íntegra baixando o arquivo neste link. A realização do que planejamos gerou as condições didáticas necessárias para que as crianças representassem todas as aves com mais liberdade e criatividade. O avestruz, o tucano, o periquito, o gavião, o joão-de-barro e muitos outros foram ganhando mais vida com as colagens e as canetinhas coloridas.

Se eu não tivesse visto aquele avestruz desenhado de forma tão singela, talvez não tivesse me dado conta de que estávamos preterindo conteúdos tão importantes das artes visuais para o desenvolvimento dos alunos. Num processo formativo de ação-reflexão-ação, ver as produções ajuda o coordenador a cravar os dois pés no chão e trazer para o mundo real as reflexões feitas na sala dos professores.

E você, já mudou o rumo de um trabalho depois de ver a produção das crianças? Acha que isso é importante? Conte pra gente! Ah, e não deixe de compartilhar também suas dúvidas e sugestões.

Abraços,

Eduarda

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