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19 de Setembro de 2017
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7 dicas para implementar a pedagogia de projetos em sua escola

Chave é integrar o trabalho do coordenador com o dos professores e respeitar o interesse dos alunos

Por: Camila Zentner
Foto: Jaque Nascimento

Projeto é um termo muito presente nas escolas. Chega até a ser banalizado, às vezes. Encontramos sempre diferentes concepções e projetos distintos, desde aqueles que partem de datas comemorativas e compreendem uma sequência de atividades com coelhos da Páscoa, personagens do Folclore, entre outros, até os que criam melhorias para a escola ou o bairro onde estão inseridos. Tem também os projetos que envolvem uma escola toda ou somente um pequeno grupo de crianças. Mas afinal, será tudo projeto mesmo?

Foi com essa dúvida que cheguei à coordenação pedagógica, onde fui incumbida, logo nos primeiros dias, da tarefa de escolher o projeto daquele ano para toda a escola: Meio Ambiente? Contos de Fadas? O que vai ser? Não sabia…

Comecei a ouvir falar mais profundamente de projetos na faculdade. Lá conheci um pouco da obra do educador espanhol Fernando Hernandez, que traz uma concepção de projetos centrada no aluno. Imediatamente me identifiquei e trouxe para minha experiência a máxima de que projetos só são projetos quando atendem aos desejos, interesses e/ou necessidades dos alunos.

Mas, como saber sobre o que se interessam mais de setecentos alunos? Eu teria a sorte de todos eles estarem curiosos sobre o mesmo assunto? Obviamente não, e nem foi naquele ano que consegui fazer algo próximo daquilo em que acreditava. O tema mais fácil naquele momento era meio ambiente. Fomos por esse caminho.

Alguns anos depois, os avanços

Com o tempo, você vai descobrindo que a sua concepção não precisa ser a única, nem a mais correta, mas que pode ser uma metodologia escolhida por um grupo de educadores e gestores. Esta metodologia que hoje rege nosso trabalho é a que pretendo socializar aqui no blog. Não por ser a melhor, mas por ser a alternativa encontrada por nós para dar mais sentido a aprendizagem de nossos alunos. Afinal, não seria esse um de nossos maiores desafios hoje em dia?

Trabalhar com projeto de escolha do aluno é, antes de tudo, estar preparado para os temas mais inusitados, bem como estar aberto a aprender junto com eles e, principalmente, a ensiná-los a questionar e saber como procurar e encontrar suas respostas. Já passamos pelo estudo das novelas, fenômenos da natureza, trânsito, origem da pizza, entre muitos outros. No entanto, observamos que os temas ficavam sempre em torno das Ciências Naturais ou História, então criamos projetos com assuntos em comum e que pudessem abranger a escolha de todos, mesclando com o que considerávamos importante fazer parte desse repertório. Surgiram os Projetos Estruturantes, três ao longo do ano: Literatura, Cultura Popular e Ciências. E a partir daí, seguimos as etapas – e o coordenador perpassa por todas elas:

1. Aula ou Semana Inaugural: antes de iniciar um projeto é feito um momento disparador, onde os alunos são colocados em contato com um grande tema gerador (referente ao projeto estruturante da vez) e suas inúmeras possibilidades. Essa aula inaugural pode ser uma grande conversa no pátio, uma rodada de filmes, um passeio pelo jardim da escola ou pelo bairro, um rodízio de oficinas etc.

2. Votação: Após esse período inicial de descobertas, as crianças sentam em roda e começam a levantar, dentre tudo o que viram, os assuntos nos quais têm maior interesse. O professor, mediador e peça fundamental desse processo, anota as questões levantadas pela turma e em votação escolhem o tema que será estudado pela sala ou por um grupo de crianças.

3. Roteiro de trabalho: Escolhido o tema, a turma começa a preencher este roteiro (clique aqui para fazer o download) que criamos a partir das inspirações do curso “Fazer a Ponte no Brasil” sobre a portuguesa Escola da Ponte, uma das pioneiras nesse trabalho. No roteiro, as turmas escrevem o que querem aprender sobre o tema, por que fizeram essa escolha e como vão fazer para chegar às respostas de todas as suas dúvidas. O último item é preenchido somente pelo professor, que tem a tarefa de relacionar os conteúdos curriculares ao tema escolhido, encontrando o que há de possibilidades de aprendizagem na Matemática, Português, Artes e assim por diante. Essa é uma das grandes sacadas do projeto, porque compreende o papel da escola de passar os conhecimentos historicamente acumulados, em uma perspectiva que o aproxima da criança, uma vez que faz relação àquilo que deseja conhecer.

4. Revisão e acompanhamento: Finalizado o roteiro é hora de começar os trabalhos e é aí que o papel do coordenador é essencial! É ele que revisa os projetos e auxilia o professor na ponte entre os conteúdos e o trabalho de pesquisa.

5. Saídas pedagógicas: Durante o projeto são realizados também diversos passeios para agregar à pesquisa, o que pode ser extremamente desafiante se você imaginar que cada sala da escola poderá caminhar para um lugar completamente diferente, como também pode ser bastante enriquecedor, já que todo lugar passa a ser um espaço de aprendizagem, como a feira livre, a padaria do bairro, a casa de um morador antigo etc. Para essa tarefa, a parceria entre o trio de gestores (diretor, vice-diretor e coordenadora) é muito importante, porque assim as tarefas de agendamento, aluguel de ônibus e autorizações são divididas.

6. Trocas e comunicação: Projetos tão diferentes dentro de uma mesma escola podem isolar as turmas e afastar a troca de experiências entre os professores, por isso, novamente a figura do coordenador se faz necessária para religar todo mundo, estabelecendo o diálogo como fonte central do trabalho formativo da equipe escolar. Uma das alternativas que encontrei, foi o painel “Preciso de Ajuda/Posso ajudar”. No painel, há a relação de todos os projetos da escola e lá os professores fazem seus pedidos de ajuda e trocam com os colegas.

Painel Preciso de Ajuda/Posso ajudar: ferramenta auxilia o andamento dos projetos dos alunos na EPG Manuel Bandeira

7. O fim: Por fim, todo projeto pressupõe um produto final e a sua divulgação para toda comunidade escolar, uma espécie de prestação de contas aos pais e, principalmente, o momento de socializar com os colegas de outras turmas e com toda comunidade local o que aprenderam, além de ser uma celebração do encerramento de mais um ciclo. Esse momento acontece ao final de cada projeto estruturante e é dividido em: Sarau, Festa de Cultura Popular e Mostra de Projetos.

E foi assim que definimos o trabalho por projetos em nossa escola!

E na sua, como é feito esse trabalho? Como vimos, não há um único caminho, mas espero ter ajudado você com novas ideias! Um abraço!

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há oito anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC.

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