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01 de Abril de 2016
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10 problemas comuns no conselho de classe que você precisa evitar

Informações levantadas nas reuniões têm de ser revertidas em ações para que de fato combatam o fracasso escolar

Por: Laís Semis
Crédito: Shutterstock

A cada bimestre ou trimestre, a equipe gestora e o corpo docente se reúnem para discutir as dificuldades dos alunos e reavaliar as práticas dos professores e da instituição. Você já sabe: é hora do conselho de classe. Para assegurar que esse processo cumpra a missão de construir estratégias e definir ações a fim de melhorar os processos de ensino e aprendizagem, e não se torne apenas uma reunião de julgamento do comportamento dos estudantes, é essencial tomar alguns cuidados. Confira abaixo equívocos comuns na reunião e reflita sobre como evitá-los.}

1 - Avaliar apenas as notas e o comportamento

Apesar de ser também um espaço para analisar os rendimentos desfavoráveis, o objetivo é aproveitar o encontro dos responsáveis pelas diferentes disciplinas para fazer uma reflexão ampliada e diferenciada dos casos e das dificuldades apresentadas. "Toda a equipe aprende quando está em conselho, ouvindo os colegas e os gestores. Se você foca só no problema do aluno, está olhando de forma equivocada o objetivo desse momento. Sozinho, o docente tem uma análise parcial da situação", explica Ângela Dalben, professora e pesquisadora do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais (Game), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora do livro Conselhos de Classe e Avaliação: Perspectivas na Gestão Pedagógica da Escola (esgotado). 

2 - Permitir que a reunião vire um desabafo coletivo

Constatada a dificuldade, é preciso planejar ação e projetar resultado. Não adianta ficar insistindo no óbvio. A pergunta é: o que fazer para melhorar diante do que foi diagnosticado? Para Ângela, o desabafo coletivo acontece quando o professor não tem espaço dentro da escola para compartilhar suas ansiedades. O tempo também é restrito, já que o docente, geralmente, tem muitas classes e dá aula em mais de uma instituição. Assim, o conselho se torna a única saída para que ele socialize suas angústias. "Da mesma forma que os estudantes querem ir bem, o educador também quer acertar e quer que a turma obtenha bons resultados", explica.  "Além das reuniões de formação, o diretor e o coordenador podem fazer grupos de trabalho por e-mail ou redes sociais para que eles possam compartilhar informações sobre a dinâmicas das turmas", sugere Ângela.

3 - Não levantar material prévio sobre as classes 
O conselho marca o final das avaliações em um período. Não é possível fazer uma análise completa da situação e levantar formas de como melhorar o ensino e a aprendizagem olhando apenas para uma lista de resultados pontuais. A equipe gestora precisa incentivar que os professores apresentem as dificuldades e os problemas de suas salas durante as reuniões de horário de trabalho pedagógico-coletivo (HTPC), por exemplo. Vale refletir sobre o histórico do aluno, onde ele senta, quem são seus colegas mais próximos, quais são as salas com maior dificuldade, em que elas se assemelham, se as situações se repetem em várias disciplinas... Ou seja, é importante levar em conta os fatores que podem influenciar o desempenho.  Verifique, também, se o educador considera no planejamento dele alternativas de como reverter as situações colocadas, as faltas e quantos docentes substitutos atuaram em cada grupo. Solicite que todos levem anotações para a reunião e que analisem a natureza das dificuldades das classes e dos casos individuais. Caso seja necessário, ajude a defini-las. 

4 - Julgar o aluno em vez de refletir sobre as dificuldades dele
Conselho de classe não é a inquisição! Ele é um espaço para reorganizar o trabalho pedagógico e não legitimar o fracasso escolar de um grupo de crianças ou mesmo da instituição. "O estudante é o sujeito desse processo. O conselho é uma situação pontual e periódica, que compõe a avaliação processual. É um tempo precioso para analisar o que se pode planejar e pensar em diferentes situações didáticas para ser desenvolvidas no dia a dia da sala de aula", comenta Maura Barbosa, consultora de GESTÃO ESCOLAR e coordenadora pedagógica de gestão na Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo.

5 - Esquecer dos resultados positivos
Costuma-se "pular" os bons alunos durante essas avaliações e se concentrar apenas nos que apresentam dificuldades. Mas, só é possível falar sobre esse último grupo se tiverem sido investigadas as metodologias que funcionaram. Para isso, é importante olhar para aqueles que tiveram um desempenho positivo e o que foi feito para atingir esse resultado. A importância aqui não é constatar o que não foi aprendido e sim como foi aprendido. 

6 - Pensar que a criança que vai mal no conselho está perdida

Na primeira reunião do conselho, o nome aparece destacado. Na seguinte, lá está ele novamente. O que fazer com esse caso? "Muitas escolas acreditam que todos os estudantes precisam seguir as propostas, se adequar a elas e correr atrás da fórmula estipulada pelos docentes para acompanhar a turma. Elas se esquecem que o desafio de um professor é tentar ensinar a todos", pontua Ângela. Não dá para lavar as mãos, ignorar a responsabilidade e desistir do aluno. Para que o trabalho tenha resultado, é imprescindível considerar os problemas, as possíveis soluções, tentar atividades diferenciadas, buscar apoio, fazer contato com a criança ou o adolescente e, quando necessário, chamar a família para ter um diagnóstico completo. 

7 - Deixar de compartilhar práticas bem-sucedidas que possam ser replicadas
Interagir com as perspectivas de ensino dos demais colegas e articular ações coletivamente é importante para construir resultados globais e refletir sobre suas próprias didáticas em sala de aula. A cada avaliação (e a cada conselho também) é necessário apresentar os resultados daquelas realizações e repensá-las. Os colegas que trabalham com a mesma turma são ótimos parceiros para trocar experiências. Vale encarar esse processo como mais uma etapa da formação, em que a equipe gestora e os professores se colocam em um momento de aprendizagem e reveem o trabalho. É possível não apenas apresentar práticas e projetos que deram certo entre a equipe como também pesquisar ações desenvolvidas por outras escolas que possam ser replicadas e adaptadas para a realidade da disciplina ou da classe. 

8 - Sair da reunião sem um plano de ação
Uma coisa é fato: é pouco tempo e muito para se discutir. Nem sempre, o conselho dá conta de debater e definir tudo que é preciso. Mas é desejável se organizar para que se consiga ao menos listar os pontos a pensar e debater em uma próxima reunião de planejamento ou HTPC. Ao final do conselho, a escola precisa ter definido um quadro de responsabilização: o que cabe a cada agente dessa comunidade? O que cabe à direção, à coordenação, ao corpo docente, ao aluno e à família? Caso contrário, as dificuldades permanecerão.

9 - Não conversar com os alunos 
"É importante marcar um encontro com os estudantes para contar o que foi planejado e pedir que eles relatem suas dificuldades para definir metas próprias", indica Maura. O educador pode fazer um diagnóstico com a turma, coletar feedbacks das formas de trabalho que mais os estimulam e despertam a curiosidade de aprendizagem da classe. As conversas podem ser individuais e devem incluir tanto os alunos que estão indo bem quanto aqueles que não apresentaram um bom desempenho. 

10 - Não socializar com os responsáveis
Os pontos que foram discutidos e as ações que foram planejadas precisam ser compartilhados com a família com o propósito de envolvê-la no processo de ensino e de aprendizagem de seus filhos. Maura destaca que a conversa pode envolver assuntos como faltas, incentivo ao diálogo entre os alunos e seus responsáveis sobre temas estudados, acompanhamento das tarefas e a socialização do cronograma das próximas atividades.

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