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10 de Maio de 2018 Imprimir
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“O mentor precisa se colocar no lugar do professor e ter vivência da sala de aula”

Aline Mendes Geraldi coordena 30 grupos de pesquisas formados por alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio

Por: GESTÃO ESCOLAR
Aline Geraldi, mentora de planos de aula de Ciências do Time de Autores  Foto: Acervo pessoal

“Para ser um bom mentor é importante sempre se colocar no lugar do professor e ter o cuidado de lembrar que a construção dos planos de aula é coletiva, é uma parceria”. Essas são as principais dicas de Aline Mendes Geraldi, uma das mentoras do Time de Autores, para se tornar um bom mentor. Com 12 anos de carreira, a professora é responsável pela orientação de um dos grupos de autores que irão produzir 700 planos de aulas de Ciências alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e que estarão disponíveis no site de Nova Escola.

A educadora observa que, para desenvolver um bom trabalho junto à equipe, é crucial trocar de papel com o colega, tanto na hora de construir o planejamento quanto na de executar. “O mentor precisa se colocar no lugar do professor, ter a vivência da sala de aula e de diferentes contextos”, aconselha. “É indispensável, também, ser um bom ouvinte, ouvir as ideias que o professor tem na hora de construir o plano e trabalhar lado a lado, não pensando em níveis de hierarquia, mas sim na parceria que esse projeto requer que tenhamos”, reforça.

Para Aline, um bom mentor deve se inspirar sempre no fato de que a principal missão é levar ensino de qualidade para todas as escolas do Brasil. “O Time de Autores é um projeto que vai contribuir muito para a formação de professores e elevar a qualidade da educação a todas as regiões do país, uma vez que a edificação desses planos está embasada em pesquisas e experiências. O intuito da iniciativa é transformar a educação”, enfatiza.  

Investigação em Ciências
Amante das Ciências, Aline descobriu que queria ser professora durante as aulas de Biologia que teve no Ensino Fundamental. Ela decidiu seguir nessa direção e as graduações em Ciências Biológicas e em Pedagogia a levaram para o mestrado em Ensino de Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Todos os caminhos conduziram a professora para a rotina acadêmica, pela qual é apaixonada.

Além de dar aulas de Biologia e Física para turmas a partir do 8º ano, ela desenvolve um projeto de iniciação científica com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio na escola Divina Providência, em Jundiaí, onde vive com o marido. Ao todo, a professora coordena cerca de 30 pesquisas científicas com o envolvimento de aproximadamente 90 estudantes.

Cada grupo escolhe o tema que quer investigar e, dependendo do assunto, orientadora e alunos contam com o respaldo de pesquisadores e laboratórios que estão além dos muros da escola. “Isso é para que os jovens pesquisadores possam entrar em contato com o universo acadêmico em seus vários graus”, diz. Escolhido o tema, os grupos, cada um formado por três alunos, desenvolvem seu planejamento, que pode ocorrer em parceria com universidades, institutos e até mesmo pesquisadores de outros países. “Pela temática, buscamos pesquisadores especialistas para que eles contribuam com os projetos dos alunos”.

Dentre as pesquisas desenvolvidas por seus orientandos, a professora destaca trabalhos apresentados na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) deste ano, como a investigação de propriedades físico-químicas de um material à base de Pectina, carboidrato de origem vegetal que, com alguns componentes, pode se tornar uma prótese de joelho para quem tem artrite. Destaca, ainda, a pesquisa sobre a introdução de Ora-pro-nóbis, planta rica em proteínas, em receitas para pessoas vegetarianas, por exemplo, e um levantamento sobre a riqueza de espécies de peixes em Ilha Grande (RJ), em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP). “São crianças e adolescentes se empenhando em descobrir sobre essas temáticas, de modo que alguns já foram premiados e conquistaram bolsas de pesquisa pelo CNPq”, lembra.

Sala de aula e laboratório
Aline, que é pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Ensino de Biologia por Investigação da USP, acredita que as experiências vividas no ambiente acadêmico podem impactar positivamente se inseridas na realidade da educação básica. Para ela, se o professor está a par do que acontece na área de pesquisas em educação, isso acaba refletindo na qualidade dos processos trabalhados em sala de aula.

“É claro, nenhum professor é obrigado a gostar do meio acadêmico, mas vejo que isso pode colaborar muito no sentido de orientar os trabalhos, principalmente aqueles que envolvem o protagonismo do aluno, ensino por investigação, criação de problemas e didáticas investigativas. E vale ressaltar que é preciso ser apaixonado pela ciência e pela investigação científica, do contrário, esses processos podem acabar se tornando maçantes”, comenta Aline.

A educadora defende o que chama de alfabetização científica dos alunos. “Neste contexto, essa é uma das coisas mais importantes: nossos alunos serem formados com senso crítico diante das informações que recebem diariamente, compreendendo como é o processo da construção do conhecimento científico. É um caminho extremamente válido a ser trilhado”, reforça.

Time de Autores
“Participar do Time de Autores como mentora está mudando a minha vida em todos os aspectos, tenho aprendido lições que me motivam como profissional, mas, antes de tudo, como pessoa”, conta a professora Aline, que leva sua bagagem em ensino por investigação para as discussões sobre os planos de aula.

“Tanto a minha experiência de pesquisa na área de ensino por investigação quanto como orientadora desses projetos contribuem para repensar a forma como os planos de aula serão construídos, tendo o aluno como protagonista; o aluno construindo seu conhecimento e acessando as ferramentas necessárias para isso; o aluno se sentindo parte da sociedade, um integrante que pode mudar a realidade da sua comunidade”, completa a mentora.

O projeto Planos de Aula NOVA ESCOLA, do qual o Time de Autores faz parte, é uma parceria entre NOVA ESCOLA, Fundação Lemann e Google.org. A missão é colocar professoras e professores brasileiros, de escolas públicas e privadas, no lugar de autores de materiais sobre os processos de ensino e aprendizagem. No total, 6 mil planos de aulas, com todas as disciplinas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular, estarão disponíveis para professores de todo o Brasil. Os primeiros 1.500 planos de Matemática foram lançados em março e estão sendo usados.

 

Dicas da professora Aline para ser um bom mentor:

1. Trabalhar em parceria com os professores - lado a lado para cumprir essa missão;
2. Ter em mente que o plano é de construção coletiva;
3. Se inspirar sempre no fato de que nossa missão maior é levar um ensino de ciências de qualidade para todas as escolas do Brasil;
4. Se organizar para acompanhar constantemente o trabalho dos professores;
5. Organização com os prazos oficiais de entrega;
6. Marcar encontros do grupo semanais ou quinzenais;
7. Respeitar as características e individualidades de cada professor;
8. Sempre dar feedbacks específicos e precisos;
9. Se colocar no lugar do outro - professores autores e que aplicarão os planos;
10. Prezar pela excelência e qualidade dos planos.

Aline Mendes Geraldi é formada em Ciências Biológicas e Pedagogia e mestre em Ensino de Ciências – área de concentração Ensino de Biologia – pela Universidade de São Paulo (USP).

 

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