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29 de Maio de 2018
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Como organizar o recreio na sua escola

Saber organizar o espaço e deixar que os alunos sejam protagonistas e cuidem dos brinquedos são bons exemplos para aproveitar o intervalo

Por: Paula Calçade
Planejar a hora do recreio garante a socialização e a aprendizagem entre os alunos. Foto:  Getty Images

O intervalo é o momento em que as crianças e os jovens têm mais liberdade na escola. É a hora que acontece a socialização e o momento em que os alunos decidem como organizar esse tempo e fazem suas próprias escolhas. Apesar de ser espontâneo, o planejamento do recreio pode melhorar o aproveitamento desse tempo e ampliar a segurança para os estudantes. Beatriz Cortese, coordenadora de projetos no Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), explica que a idealização de projetos para o intervalo deve ser feita pela equipe gestora em contato com os alunos e funcionários, para que os atores envolvidos possam avaliar seu funcionamento e colaborar para as boas práticas.

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É o que acontece na Escola Classe 61, em Ceilândia, no Distrito Federal. A supervisora Fernanda dos Santos criou a Patrulha do Recreio, um projeto que coloca os próprios alunos do Ensino Fundamental I como “patrulheiros” das atividades na hora do intervalo. As brincadeiras são todas organizadas e cada uma tem espaço definido na escola. Alguns deles são temporários, como o cantinho das figurinhas da Copa, onde as crianças podem trocar e "bater" os adesivos. A escola está sempre atenta ao movimento das turmas para propor esses espaços. “Ter essa conversa e abrir esses espaços fez com que diminuísse o número de acidentes e brigas durante o intervalo e os alunos tivessem a chance de brincar de várias maneiras, desde jogos de tabuleiro até jogar basquete de forma compartilhada e segura”, conta Fernanda.

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O recreio ideal consegue equacionar a vontade do aluno e a organização do tempo e do espaço, define Beatriz. Para começar esse processo, vale fazer um diagnóstico de como anda esse momento na sua escola. Como os funcionários de apoio, auxiliares e merendeiras costumam estar mais próximos dos alunos nesse momento, é importante também que eles participem do diagnóstico. “Avalie quais são os espaços físicos disponíveis e quais são as possibilidades desses lugares, considerando a circulação e a acessibilidade”, aconselha a coordenadora de projetos do Cenpec. Se o espaço de convívio da escola for pequeno, ainda é possível dividir as turmas em diferentes horários no intervalo, sugere Beatriz, ressaltando que assim as filas para as brincadeiras são evitadas.

 

Espaços determinados para brincadeiras e rotatividade entre turmas são exemplos de organização no intervalo. Foto:  Click and Boo/Unsplash

Colocando as ideias em prática
Os intervalos na escola de Ceilândia têm duração de 15 minutos e contam com pelo menos quatro patrulheiros por turma. Durante o período, aproximadamente 200 crianças se divertem no pátio. Esses monitores são escolhidos em assembleias e se revezam seguindo a ordem da chamada. Cada sala é responsável por cuidar de um cantinho específico do pátio. Se surgir algum conflito em que os patrulheiros não possam intervir durante esse período, devem chamar um funcionário da escola.

Ao bater do sinal, os patrulheiros são orientados a guardar os brinquedos. Para Fernanda, a medida é boa porque trabalha a autonomia das crianças e amplia a interação. “Os alunos são protagonistas. Isso também possibilita uma maior interação entre eles, já que o monitor é de uma sala e quem vai brincar pode ser de outra” afirma Fernanda. Além disso, ao decidir com que vão brincar, os alunos acabam cuidando melhor dos objetos.

Espaços abertos e regras mantidas
O envolvimento de todos faz a diferença para criar um espaço participativo no qual as crianças se sintam pertencentes. A direção da Escola Classe 61, por exemplo, já ofereceu apenas os brinquedos, sem supervisão e interação com o espaço e agentes escolares nos recreios, o que acabou não funcionando bem. A partir daí eles passaram a coletar sugestões para essa e outras demandas da escola, que são desenvolvidas em assembleias. “Agora, os alunos falam nas assembleias que gostaram do projeto e até percebem o que não está dando certo, propondo novas ideias”, afirma.

Beatriz ainda lembra de espaços que geralmente não são incluídos no recreio, mas que também podem proporcionar maior socialização e até aprendizagem. “Os corredores podem servir para a prática de jogos de tabuleiro, a biblioteca pode ser um espaço aberto e um funcionário pode aproveitar para ensinar algo aos alunos interessados”, comenta. A assimilação de ideias dos estudantes pode custar dinheiro e não tomar muito tempo: uma simples mudança de um objeto ou um desenho pode ser feito no chão. “Eu lembro quando fui professora, a sugestão das crianças era trocar a trave da quadra de lugar, por exemplo, para os jogos ficarem mais adequados para os alunos”, pontua a coordenadora de projetos do Cenpec.

Vale lembrar que recreio faz parte do funcionamento da escola como um todo e as regras aplicadas para o convívio continuam valendo nessa hora. “É claro que o comportamento dos alunos aparece bastante no recreio, porque as atividades são menos dirigidas, mas eles continuam dentro da escola, cumprindo uma série de regras”, lembra Beatriz. Ela também enfatiza que os pais ainda podem colaborar explicando aos filhos que os brinquedos pessoais levados para o recreio devem ser usados para a socialização e, assim, os amigos vão interagir, fazendo com que seja manuseado de maneira conjunta e colaborativa nesse momento.

Fernanda vê melhoras com o projeto Patrulha do Recreio e a aplicação de boas práticas no intervalo. “A nossa escola fica em uma comunidade carente, tinha altos índices de briga e muito acidente", lembra. "Com uma primeira discussão em sala, a ideia foi expandida para todo o período e depois para a escola inteira”. A fala mostra também que a hora do recreio tem reflexos inclusive no rendimento dos alunos em aula. “Eles voltam do intervalo mais calmos e atentos”, conclui.

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