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22 de Junho de 2018
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Escrever a mão ainda é essencial?

O dilema do aprender a escrever a mão X aprender a teclar surge em um contexto em que tudo é feito no celular, tablet ou computador

Por: Joice Lamb
Crédito: Getty Images

Posso dizer, com certeza, que não consigo me imaginar sem essa capacidade. Escrever, desenhar, pintar, rabiscar, com lápis, caneta, giz... Mas, ainda é importante desenvolver a escrita a mão na escola?

E por quê não seria? Ora, poderiam dizer que tudo hoje é feito no celular, tablet, computador, então, necessário é aprender a teclar. Por outro lado, há trabalhos afirmando que muitas conexões se perdem quando você deixa de desenvolver a habilidade de escrever a mão. Nesse contexto, para que lado vai o coordenador escolar?

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Esse não é o primeiro dilema com o qual a escola se depara quando confrontada com o desenvolvimento da sociedade e não será o último. Para todos os dilemas tenho a mesma resposta. Discuta com seus professores, discuta com sua comunidade! Cada escola tem autonomia para definir, dentro do estabelecido agora pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que deve estar no currículo e, mais importante ainda, “como” deve estar.

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Essa liberdade não vem sem uma carga de responsabilidade cada vez maior. Os tempos estão mudando, mas as necessidades humanas não se transformam apenas porque a tecnologia evolui ou alguma coisa saiu de moda. Até outro dia, estávamos discutindo qual letra usar, script, cursiva, bastão. Estávamos discutindo a importância ou não de exigir que os alunos definam maiúsculas e minúsculas na escrita ao escrever com bastão. Agora já temos que definir se escrevemos ou não a mão?

Também penso que a escola não pode nunca diminuir as opções que os alunos têm. Se a escola oferecer toda diversidade existente de formas de escrever, os alunos poderão dominar esse conhecimento – e poderão escolher. E não é essa uma das mais belas funções da escola, permitir que os alunos, de posse de todas as ferramentas, escolham seu caminho?

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De certa forma, tudo tem a ver com o “como” fazemos as coisas. Se sua experiência foi de levar um tapa quando escrevia com a mão esquerda, ou mesmo levar horas preenchendo um caderno de caligrafia, pode considerar que este conhecimento é maçante e não teria utilidade para os alunos. Mas se você teve uma experiência prazerosa ao aprender a escrever, você pode achar que todos devem aprender isso, sem exceção. Isso é o senso comum. Na escola, precisamos ultrapassar o senso comum.

Quando o coordenador se depara com polêmicas como esta, precisa cercar-se de informação técnica, ou seja, fazer pesquisa, além de analisar como as coisas eram feitas até então na sua escola e depois criar um momento em que a comunidade escolar possa discutir. Não há mais espaço para continuar fazendo alguma coisa porque “sempre foi assim”, nem mudarmos o que fazemos porque alguém disse que “não servia mais”.

Autonomia não é só uma palavra bonita nas leis da Educação, mas uma responsabilidade para ser compartilhada. Um coordenador que compreende este significado sabe que não existe um dono para essa autonomia, mas um coletivo que precisa ser chamado a pensar sobre as coisas.

Não sei se escrever a mão ainda é essencial na escola, mas sei que pensar e fazer escolhas nunca deixou de ser.

Joice Maria Lamb é professora da rede municipal de Novo Hamburgo-RS desde 1991 e já teve turmas em quase todos os anos do Fundamental I e II. Atualmente, atua como coordenadora pedagógica da EMEF Profª Adolfina J. M. Dienfenthäler. É formada em Letras, tem especialização em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica e foi uma das 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10 2017.

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