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15 de Agosto de 2018
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Uma iniciativa para aproximar gestores dos casos de sucesso

Lançada no 7° Seminário Internacional do Centro Lemann, centro D3E pretende aproximar a academia dos gestores públicos e facilitar a tomada de decisões por secretarias

Por: Vinicius de Oliveira, do Porvir*
Centro D3E foi lançado durante Seminário Internacional do Centro Lemann, em São Paulo. Foto: Divulgação

Para diminuir a distância entre a academia e a gestão pública e facilitar a tomada de decisões com base em evidências que transformem a educação, foi anunciada durante o 7° Seminário Internacional do Centro Lemann, evento realizado pela Fundação Lemann no último dia 8, a criação do D3E. A iniciativa busca facilitar divulgação de estudos de diferentes linhas de pensamento entre educadores, gestores públicos, membros da academia e da sociedade para qualificar o debate educacional.

Segundo João Cossi, consultor educacional e diretor do D3E, estabelecer um ponto de conexão entre quem gera conhecimento técnico-científico e quem formula políticas é essencial para o avanço da educação como um todo. “Há uma distância grande entre esses dois mundos, que são diferentes e muitas vezes não conversam entre si”, disse.

Ao colocá-los lado a lado, Cossi avalia que, apesar de apresentar conhecimentos específicos, os pesquisadores nem sempre demonstram como seu trabalho pode gerar políticas públicas. “Às vezes, o formato não é amigável e possui muitos termos técnicos que não são óbvios para o gestor público. Além disso, existe uma dificuldade de acesso, porque esses conhecimentos estão restritos a artigos acadêmicos que não são facilmente encontrados na internet”.

Quando analisa a posição de quem comanda secretarias ou escolas, o representante do D3E comenta que  prazos são cruciais. “Não dá tempo para entender tudo o que está acontecendo com a tecnologia educacional. Chegar a um conhecimento profundo demanda tempo e algumas vezes há interesses conflitantes. Quando ele [um gestor] assume, tem quatro anos para agir e não pode esperar seis meses ou um ano até o estudo ficar pronto para tomar decisão.”

Essa avaliação é corroborada por Maurício Holanda, integrante da equipe do D3E que ressalta a necessidade da criação de consensos que não partam de “meias verdades”. Com a experiência de quem conheceu o papel do executivo quando foi secretário de educação do Ceará (2014-2016) e atualmente atua junto ao legislativo no cargo de consultor da Câmara dos Deputados para a área de educação, cultura e esporte, ele diz que o gestor educacional precisa de novas estratégias para balizar seu trabalho. “A sensação que eu tive em todas essas posições é de que cada uma delas está tomando decisões ou colocando sua energia sem conhecer todos os elementos relevantes do problema que querem resolver”, explica. “Nós precisamos tomar decisões mais racionais e inteligentes para construir projetos mais maduros. Para isso, devemos melhorar os fluxos de comunicação e de informação entre todas as instâncias”.

Sendo mais específico, Holanda diz que serão aceitas trabalhos provenientes de atores em diferentes posições do campo educacional. “Vamos trazer tudo à mesa e ver o que faz sentido. Antes de ignorar ou rejeitar o dado do polo A o do polo B, vamos tentar ver o que há de verdade e o que ainda falta para garantir maior integridade. Isso só só pode ser bem feito se o D3E for capaz de receber e processar a contribuição de muita gente”.

Modelo de atuação

O plano do D3E é produzir relatórios a respeito de políticas públicas em dois formatos. Um é mais descritivo, dedicando-se a explicar um problema (como a alfabetização). O outro é interpretativo, focando no conhecimento científico já existente sobre uma determinada política pública e detalhando seu impacto. Em outra vertente, de engajamento, serão promovidos reuniões e eventos grandes para disseminação de conhecimento. E para fazer com que a informação vinda da gestão pública chegue mais rápido à academia, o centro deve apoiar governos na definição de indicadores e também na formulação de estratégias para acompanhamento da execução das políticas.

As primeiras amostras do trabalho já podem ser acessadas no site do D3E. O relatório inicial trata do financiamento educacional e mostra como diferentes países distribuem seus recursos. São apresentados seis sistemas de ensino e de financiamento da educação: Austrália, Chile, Coreia do Sul, México, Itália e Japão. A publicação deste documento acontece em um momento estratégico, visto que está em discussão o novo formato do Fundeb, fundo que define a distribuição dos recursos para a educação básica.

“Um ponto muito importante a ser considerado na distribuição de recursos é que o investimento em professores é um dos principais na área de educação. Quando é feita a distribuição de professores entre as escolas, a gente está falando sim de equidade”, disse Tássia Cruz, professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) .

O segundo relatório, ainda a ser concluído, avalia o impacto da escola de tempo integral. Neste texto são comparados diferentes modelos adotados no Brasil e o que é feito no Uruguai e no Chile. “Nosso aprendizado principal a partir de todos esses exemplos é que o modelo de tempo integral pode funcionar dependendo do que acontece dentro escola (o currículo do tempo extra), de quem são os professores que estão trabalhando com esses alunos (nível de experiência) e do planejamento relacionado à infraestrutura das escolas (refeitórios, saladas de aula, laboratórios)”, disse.

Além de João Cossi, Mauricio Holanda e Tássia Cruz, o D3E tem em sua equipe David Plank, professor pesquisador da Escola de Educação da Universidade de Stanford (EUA) e codiretor do Centro Lemann. O conselho é formado Felipe Michel, coordenador de relações institucionais e governamentais na Fundação Lemann e Martin Carnoy, também professor da escola de educação da Universidade de Stanford (EUA) e codiretor do Centro Lemann.

Planos para 2018

Segundo o diretor João Cossi, além dos relatórios sobre financiamento e ensino em tempo integral, o D3E ainda deve lançar dois novos estudos e promover outros encontros. Também será lançada uma rede de pesquisadores parceiros, que serão remunerados para apoiar o trabalho de organização do conhecimento que chegará até gestores públicos.

*Reportagem publicada originalmente no site do Porvir

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