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27 de Agosto de 2018
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Reunião pedagógica: como colocar o professor no centro do planejamento

Coordenador precisa levar em conta as necessidades e dificuldades dos docentes ao elaborar as pautas de formação

Por: Larissa Teixeira
Professores reunidos em sala de aula vazia
Foto Getty Images

Fazer um bom planejamento das reuniões pedagógicas pode fazer a diferença na formação dos professores. Mas, para que a pauta dos encontros faça sentido e esteja conectada com a realidade da escola, é preciso levar em conta as necessidades formativas dos docentes, os seus conhecimentos prévios e as experiências de vida de cada um.

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Quando a escola investe em uma gestão democrática e dá espaço para que todos participem das discussões, os encontros de formação são muito mais produtivos. Rosaura Soligo, coordenadora do Instituto Abaporu de Educação e Cultura, destaca que o professor deve estar no centro do processo como protagonista da aprendizagem. “O coordenador precisa sair do lugar de provedor único de informação e criar espaços de intercâmbio entre os docentes, para que eles compartilhem experiências e se sintam pertencentes a um grupo”, destaca.

Para Rosaura, é preciso levar essas questões em conta na hora de preparar as pautas das reuniões pedagógicas. Confira, abaixo, algumas dicas que podem ajudar nesse planejamento:

1. Identifique as necessidades formativas dos docentes
Uma boa pauta deve estar conectada com a realidade e responder às demandas da equipe. Por isso, o coordenador tem a tarefa de fazer um diagnóstico sobre as principais dificuldades e potencialidades dos docentes para, assim, definir o que será abordado nas reuniões. “Uma pauta não pode ser planejada para dizer ao professor o que fazer. Para ser eficaz, ela precisa ser um resultado daquilo que foi identificado”, diz Rosaura.

De acordo com ela, é essencial garantir na formação docente as mesmas metodologias utilizadas em sala de aula com os alunos - ou seja, considerar o conhecimento prévio de cada um e colocar os docentes como protagonistas do processo.

2. Tenha clareza dos objetivos da reunião
Definir objetivos claros para cada reunião é essencial para que ela traga bons resultados na prática. Essas metas precisam responder aos desafios levantados pelos docentes, pelos gestores e pela comunidade.

“A pauta só terá sentido se for construída para responder um desafio ou demanda que venha da própria escola ou do seu entorno. Ao final da reunião, a equipe deve ter um produto que ajude a melhorar ou trazer soluções para um determinado problema”, aponta Janaina Barros, coordenadora pedagógica da secretaria de Educação no município de Seabra (BA) e formadora do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP).

3. Proponha a construção de uma pauta coletiva
Na Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira, a coordenadora pedagógica Camila Zentner reúne os professores para definir os temas de formação para cada mês. Ela conta que, ao receber críticas sobre os assuntos abordados nas reuniões, decidiu propor a construção coletiva da pauta para atender às necessidades reais da equipe.

“Acredito que os gestores devem atuar como um modelo para o resto da escola. Se eu quero que os docentes façam seu trabalho a partir das necessidades das crianças, eu como coordenadora também devo fazer o planejamento escutando as demandas do grupo”, diz.

4. Elabore situações problema
Um dos equívocos dos coordenadores na hora de elaborar a pauta, segundo Rosaura, é fazer uma apresentação expositiva, centrada no discurso e não na prática de sala de aula. Ela sugere que sejam propostas situações-problema e simulações, para que os professores exponham suas ideias e concepções sobre determinados temas.

“Nos encontros, costumo sempre perguntar: ‘como você imagina que o aluno realizaria uma atividade deste tipo? ’ Essa escuta é fundamental para identificar o que precisa ser abordado na formação, e simular situações típicas pode ser útil para discutir sobre o conteúdo ou sobre questões específicas dos alunos”.

5. Incentive a troca de experiências
A reunião de formação é o espaço ideal para que a equipe compartilhe experiências, socialize boas práticas e reflita sobre o que deu errado. Ao definir os temas da pauta, sempre com base nas necessidades da equipe, não esqueça de garantir um tempo para o diálogo entre os docentes. “É importante criar espaços horizontalizados de intercâmbio entre os colegas e criar um espaço de acolhimento, para que todos sejam reconhecidos e todas as dúvidas sejam consideradas legítimas”, destaca Rosaura Soligo, do Instituto Abaporu.

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