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Passo a passo da tematização da prática

Confira 11 passos necessários para conduzir um bom processo de tematização da prática

por:
NL
Noêmia Lopes

Antes de tudo, é preciso entender o que significa tematização da prática: tematizar é olhar para algo e tratá-lo como um objeto de reflexão, levantando teorias a seu respeito - é por isso que, por vezes, é chamada de teorização. E por que "da prática"? Porque ela consiste em analisar as atividades didáticas da sala de aula para estudar as teorias que ajudarão os docentes a perceber as intervenções necessárias ao ensino dos conteúdos. Com isso, os professores veem que prática e teoria estão interrelacionadas - uma ligação pouco explorada nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas.

Confira abaixo o passo a passo para você, coordenador pedagógico, realizar tematizações eficientes nos momentos de formação dos professores.

Ilustrações: Olavo Costa

1. Identificação das necessidades
Os momentos de formação e observação de sala servem para descobrir o que é preciso tematizar. Você pode encontrar, por exemplo, baixo desempenho nas avaliações de História e urgência de atualização dos professores dessa área. Leve em conta as competências que eles já têm e as que precisam desenvolver - mais as necessidades de aprendizagem dos alunos. A equipe pode sugerir atividades para a análise.

 

Ilustrações: Olavo Costa

2. Pesquisa de referências
A tematização, para ser bem feita e colaborar para que o grupo avance, requer um estudo em profundidade. Não basta apenas observar a prática e falar sobre ela sem o devido conhecimento teórico. Cabe ao coordenador levantar a bibliografia a respeito do tema que será abordado nos encontros pedagógicos, reservar momentos para estudá-la e selecionar alguns textos para compartilhar com a equipe.

 

Ilustrações: Olavo Costa

3. Definição do material de análise
A tematização pode ser feita com vídeos produzidos para programas de formação, captados em aulas de outros professores, e com material gravado na própria escola. Os primeiros são os melhores para introduzir a prática da tematização, enquanto se constrói a relação de confiança entre a coordenação pedagógica e a equipe docente. Depois, o ideal é fazer gravações internas, que ajudarão a solucionar as dúvidas do grupo.

 

Ilustrações: Olavo Costa

4. Planejamento em equipe
Quando a gravação é feita internamente, é fundamental elaborar a aula a ser documentada com os professores e corresponsabilizar-se pelo desenvolvimento da atividade. O planejamento pode ser feito tanto com a equipe como individualmente, com o docente que será filmado. Esse cuidado ajuda o grupo a perceber que a intenção da tematização é que todos avancem - e não apontar erros.

 

Ilustrações: Olavo Costa

5. Escolha do equipamento
A filmagem é o recurso mais eficiente por permitir que o grupo lance olhares múltiplos sobre um mesmo objeto e faça análises coletivas. Contudo, as escolas que não têm filmadora podem usar captações em áudio como base das discussões durante a formação. Nesse caso, a coordenação deve acompanhar a gravação para anotar as reações dos alunos, os materiais manipulados e o contexto da atividade.

 

Ilustrações: Olavo Costa

6. Manuseio da filmadora
O coordenador é quem melhor conhece os aspectos da aula que devem ser gravados - as intervenções do professor, as perguntas dos alunos e a interação da turma com o conteúdo. Portanto, é o mais indicado para operar o equipamento. Esqueça a contratação de profissionais que trabalham com eventos e festas: eles não têm informações para se ater aos pontos que realmente são relevantes à discussão.

Ilustrações: Olavo Costa

7. Seleção de atividades paralelas
Ao introduzir a prática de tematização, é interessante envolver mais professores. Para isso, enquanto em uma classe são captadas imagens, nas demais pode-se fazer a gravação em áudio da mesma atividade. Peça que o professor transcreva a fita e entregue também o planejamento e um relato reflexivo sobre a aula. Todo o material deve ser levado à reunião pedagógica para que seja feita a comparação de diferentes contextos.

 

Ilustrações: Olavo Costa

8. Análise conjunta
Depois da filmagem, reúna-se com o professor cuja atuação foi filmada para assistir ao vídeo antes de mostrá-lo à equipe. Planejem a tematização, discutindo pontos que serão debatidos e selecionando trechos indispensáveis. Esse é um cuidado importante, que demonstra o respeito pelo docente. Aproveite para observar o que esse professor já percebe sobre a atividade e que ele mesmo pode abordar no encontro coletivo.

 

Ilustrações: Olavo Costa

9. Escolha do foco
Assista ao vídeo sozinho para selecionar as imagens significativas para a tematização e decidir qual o melhor material teórico para você e a equipe consultarem e estudarem na próxima etapa. Essa bibliografia complementará aquela que você levantou inicialmente e é com a ajuda dela que você poderá decidir as intervenções que fará durante a formação - visando sempre promover a reflexão conjunta.

 

Ilustrações: Olavo Costa

10. Estudo das teorias
Estimule novas aprendizagens. Exemplo: em uma atividade de alfabetização, se a criança escreveu KAIZTA, no lugar de CAMISETA, pergunte por que isso ocorre. Ouvidas as hipóteses, recorra à teoria, explicando que o aluno está na fase silábico-alfabética e atribui uma letra a cada sílaba ou representa unidades sonoras menores. As análises partem de atividades específicas, mas são aplicáveis a outros contextos.

 

Ilustrações: Olavo Costa

11. Continuidade do processo
Sozinha, a tematização não dá conta de ajudar os docentes a avançar e de melhorar a qualidade do ensino oferecido na escola. Por isso, é fundamental que essa estratégia esteja sempre inserida em um contexto de formação continuada coletiva, de modo a permitir que os professores sigam estudando e aprofundando conhecimentos e você possa avaliar permanentemente os impactos na prática docente.

Os erros mais comuns

Evite estes equívocos:

- Julgar atitudes Não existe o "certo" e o "errado", mas ações coerentes ou não com os objetivos a que o professor se propõe.

- Usar apenas vídeos produzidos fora da escola O material captado especificamente para cursos de formação nem sempre atende às necessidades de sua escola. Por isso, é importante ouvir a equipe com frequência e prever a gravação das atividades em que os professores tenham dúvidas.

- Filmar aulas ineficientes Se o professor tem dificuldade de controlar a turma, por exemplo, a tematização não é produtiva e pode se tornar uma espécie de julgamento.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Ensinar: Tarefa para Profissionais
, Beatriz Cardoso, Delia Lerner, Neide Nogueira e Tereza Perez (orgs.), 406 págs., Ed. Record, tel. (21) 2585-2000, 47,90 reais
O Diálogo entre Ensino e Aprendizagem, Telma Weisz, 136 págs., Ed. Ática, tel. 0800-11-5152, 39,90 reais

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