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Grafite transformador

Projeto de intervenção estética mudou a cara da escola e garantiu a presença dos alunos nas aulas de reforço

por:
MZ
Marcelo Zuffo
Grafite transformador. Foto: Marina Piedade
Alunos engajados Oficina de grafite mudou a forma como os estudantes se apropriam do espaço escolar

Cheguei à EE Padre Anchieta como coordenador pedagógico no ano passado e um dos meus primeiros desafios foi atrair os alunos com dificuldades de aprendizagem para as aulas de reforço, que ocorriam aos sábados. Como fui professor de Arte e também trabalho com grafitagem, resolvi propor um projeto nessa área, oferecendo oficinas junto com a recuperação, exatamente para estimular os alunos a participar de ambas as atividades.

A instituição fica no Brás, bairro de São Paulo onde muitos imigrantes bolivianos vivem de forma ilegal. Nossos alunos são filhos desses estrangeiros, o que, inevitavelmente, torna o trabalho pedagógico mais delicado e desafiador.

Apresentei a proposta à diretora e aos professores. Eles identificaram os alunos que precisariam frequentar as aulas e também os que se interessavam pela arte de rua. Por meio do Conselho Escolar, foi autorizada uma verba para a compra de tintas e, em outubro de 2011, começamos as intervenções. Primeiro, exploramos as possibilidades artísticas no muro da quadra, que era cinza e pedia um pouco de cor. Também pintamos algumas paredes internas e a caixa-d'água.

A dinâmica era simples: antes da aula de reforço, enquanto os menores desenhavam com caneta imagens que poderiam ser grafites, os mais velhos pintavam o muro com sprays. A todo momento, eu os lembrava da importância de melhorarem o rendimento nas disciplinas - do contrário, não poderiam frequentar as oficinas, já que esse era o combinado.

Neste ano, o formato da recuperação paralela mudou nas escolas estaduais de São Paulo (não será mais nos fins de semana e se dividirá entre recuperação contínua e intensiva no horário regular), porém as oficinas continuarão aos sábados e ganharam o título de Protagonismo Juvenil. O nome faz menção ao que esperamos dos alunos: que tenham atitude e conquistem o espaço, deixando nele suas expressões de forma concreta, pela arte estampada nas paredes. Serão priorizados os alunos do Ensino Médio que apresentam defasagem - muitos dos quais já estão familiarizados com o projeto. Durante o ano, no entanto, a intenção é disponibilizar mais vagas para que todos possam participar. Afinal, as oficinas mostraram que mesmo uma manifestação que já foi considerada transgressora requer disciplina, dedicação e estudo, assim como na escola.

Marcelo Zuffo é coordenador pedagógico na EE Padre Anchieta, em São Paulo, SP.

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