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Para garantir a (boa) escolha de um diretor

Pesquisa revela que a eleição é a prática mais comum nos estados brasileiros para a seleção do diretor escolar, mas faltam critérios que orientem esse processo

POR:
Verônica Fraidenraich
Ilustração: Bruno Algarve

A eleição direta é o processo mais usado para preencher as vagas de diretor nas redes estaduais de ensino. Ela é a única forma de seleção em seis estados e, em outros dez, aparece combinada com outras metodologias, como certificação e indicação por instâncias locais. Essa última, por sua vez, é a segunda mais comum e aparece sozinha, como modo exclusivo de ascensão ao cargo em quatro unidades da federação.

Contudo, seja qual for a forma de acesso, um fator está presente em todos os estados: não há critérios claros para escolher o gestor da escola - que é, em última instância, quem responde pelo desempenho e pela aprendizagem dos alunos - nem para orientá-lo em seu trabalho.

Essas são algumas das conclusões da pesquisa Práticas de Seleção e Capacitação de Diretores Escolares, encomendada pela Fundação Victor Civita (FVC) a Heloísa Lück, diretora do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap), em Curitiba. Realizado entre maio e novembro de 2010, o estudo mapeou as diversas maneiras como as redes decidem quem vai gerir suas escolas. O levantamento foi realizado em duas etapas. Na primeira, quantitativa, foram enviados questionários às 27 Secretarias de Educação dos estados e das capitais - e foram obtidas respostas de 24 e 11, respectivamente. Já na segunda fase, a pesquisadora realizou 14 grupos focais, que reuniram 107 diretores e três vice-diretores, com o objetivo de identificar a percepção dos próprios gestores sobre o processo de acesso à função. A iniciativa contou com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), do Itaú BBA, do Instituto Unibanco, da Fundação Itaú Social e da Fundação SM.

Pluralidade de processos ajuda a enriquecer a seleção

O acesso ao cargo no Brasil. Mapa: Fábio de Lucca
O acesso ao cargo no Brasil
As modalidades de seleção de diretores
em cada estado
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"Para fazer uma boa escolha, é preciso utilizar variados mecanismos capazes de detectar as diversas competências do candidato para exercer as funções de gestor escolar. Por isso, o fato de haver combinações de modalidades, presente em várias redes, é um fator positivo", afirma Heloísa (veja o infográfico ao lado). Se uma prova de concurso ou certificação detecta os conhecimentos teóricos e pedagógicos, a entrevista, por sua vez, é capaz de revelar habilidades para se comunicar e estabelecer relacionamentos pessoais - imprescindíveis para quem vai ocupar um lugar de liderança. A maioria dos diretores participantes dos grupos focais se mostrou satisfeita com a forma pela qual ascendeu ao cargo, independentemente de qual seja ela.

Além da eleição e da indicação, o estudo mostrou que a certificação e o concurso público também estão presentes no cenário nacional, sendo esse último realizado somente no estado de São Paulo. Vitor Henrique Paro, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a eleição permite eleger um profissional articulado aos interesses da escola. "O método de escolha condiciona, em certa medida, o compromisso do futuro gestor com os servidores e usuários da instituição", afirma ele.

Porém o mapeamento observou que a eleição, apesar de ser um avanço por atender aos interesses da comunidade escolar, não tem levado ao passo seguinte, esperado em um processo democrático e participativo, que é manter todos mobilizados em torno da aprendizagem dos alunos. Alguns entrevistados disseram que, em muitos casos, o período da campanha é marcado pela reprodução de práticas que ocorrem no âmbito político-partidário, como postura inadequada de candidatos e a troca de votos por favores.

Formação oferecida não atende às necessidades do dia a dia

Duração do mandato por eleição. Mapa: Fábio de Lucca
Duração do mandato por eleição
Quantos anos um diretor fica,
em média, diretor Clique para ampliar

Independentemente da forma de chegar ao cargo, a pesquisa mostra que não existem critérios definidos para o acompanhamento da gestão escolar. Embora 19 dos 24 estados e sete das 11 capitais tenham informado que possuem padrões para a seleção de diretores, ao enumerá-los a maioria aponta apenas pré-requisitos funcionais, como tempo de serviço, qualificação profissional e experiência docente. Poucos se referem às competências de desempenho do profissional, que incluem conhecimentos pedagógicos e capacidade de gerir pessoas. Os especialistas consultados sugerem cinco critérios básicos nos quais as secretarias poderiam se basear (leia a reportagem).

Um dos grandes problemas apontados é o abandono percebido pelos gestores depois que assumem o posto. As Secretarias de Educação até oferecem cursos de formação, mas os conteúdos trabalhados dão pouca ênfase à discussão de problemas reais, à troca de experiências e à busca de soluções conjuntas - limitando-se, muitas vezes, à comunicação de normas e à exigência de procedimentos burocráticos (leia mais na reportagem). A falta de acompanhamento é um dos motivos que fazem com que poucos educadores queiram assumir o posto. Nesta edição especial, você vai conhecer as outras causas da baixa atratividade da função e saber como reverter essa situação (leia a reportagem).

Uma vez no cargo, os diretores ficam em média dois ou três anos à frente de uma escola e, dependendo da rede, podem ser reeleitos (veja o mapa acima). Para Heloísa Lück, o diretor deve ficar no cargo enquanto contribuir para a melhoria do ensino (leia mais na entrevista).

 

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