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O que uma das principais gestoras escolares dos EUA tem a ensinar ao Brasil

Missão brasileira no SXSW conta o que aprendeu com a secretária de Educação de Nova York

por:
UL
Ubiratan Leal
Carmen Fariña dá palestra em Nova York (Divulgação / City Year)

Todos precisam estar unidos, trabalhando em conjunto para o melhor resultado da escola. Essa foi a grande lição apresentada por Carmen Fariña, secretária de Educação da cidade de Nova York, em sua palestra no SXSWedu, maior evento de inovação em educação no mundo que está sendo realizado em Austin, EUA. A gestora, que comanda um distrito com 1,8 mil escolas e 1,1 milhões de estudantes, aproveitou bastante sua experiência de 32 anos em escolas em uma região de baixa renda.

Sua palestra foi o destaque do terceiro dia do SXSWedu (clique aquiaqui para ver o que rolou de melhor nos dois primeiros dias) e contou com a presença do grupo de professores e gestores brasileiros que foram ao evento a convite de NOVA ESCOLA e da Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola. E eles viram muitos elementos no discurso de Carmen que podem ser aplicados à realidade brasileira.

Um exemplo é como, mesmo dentro da mesma rede de ensino, há diferença na qualidade das instituições de acordo com o padrão econômico do bairro em que estão. “Ela disse uma frase muito poderosa: o CEP não pode determinar a qualidade de sua educação. Infelizmente isso existe no mundo inteiro, e a Educação precisa também de equidade”, destaca Ademir Almagro, professor de História e coordenador pedagógico em uma escola pública em um bairro pobre de Novo Horizonte, interior de São Paulo.

Uma forma de o gestor aproveitar melhor o potencial da escola é agregar toda sua comunidade. “Ele precisa ter um olhar apaziguador, facilitador. Precisa chegar junto ao seu professor, pais, alunos”, comenta Marlúcia Brandão, diretora de uma escola municipal em Marataízes, Espírito Santo. “Temos três grandes elementos na sociedade educacional – pais, alunos e professores – e os três precisam de ajuda. Então, nada melhor que eles se unam”, completa Ademir.

Um fator importante nesse processo é o gestor passar uma imagem agregadora. E isso se manifesta em pequenos detalhes. Carmen conta que gosta de se comunicar por meio de cartas, dando retorno individual a colegas e à comunidade. Inclusive, seu e-mail é aberto a todos, para que todos vejam que ela está acessível e à disposição para conversar sobre os problemas das escolas que comanda.

No trabalho do dia a dia, uma ferramenta também destacada é a gentileza e a busca por sempre manter um astral positivo na equipe. Uma forma de fazer isso é começar cada conversa sempre com elogios ao que está indo bem e só depois tratar dos problemas e buscar soluções a eles. “Nos preocupamos tanto com os problemas que ficamos estressados, falamos coisas que não precisamos falar, tratamos as pessoas da forma que não é a correta. E isso é uma lição que levo para casa: agradecer, agradecer a todos. Esse é o começo da conversa, é o que nos une antes de pensar os problemas. A Carmen fez uma experiência aqui na palestra, para pensarmos nas coisas positivas e verdadeiramente o clima muda”, relata Ademir.

Os elogios não servem apenas para melhorar o astral dos docentes, mas também para exibir e disseminar as boas experiências entre todos. “O grande aprendizado do professor é ver o que o outro professor está fazendo e com sucesso. É isso o que incentiva, é isso o que motiva. A experiência real que pode ser multiplicada”, diz Ademir. “Essa é nossa grande tarefa como gestor.”

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