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Como o diretor pode ajudar a melhorar o clima organizacional

por:
Cláudio Neto
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Creative Commons

Clima organizacional é um conceito que ainda não está consolidado na Educação brasileira, embora as escolas continuem na busca pela qualidade de ensino. Em geral, diretores, educadores e pesquisadores não dão a atenção que esse assunto merece, mesmo com algumas experiências bem sucedidas que podem servir de exemplo. Na minha opinião, isso acontece porque essas tentativas de melhorar o clima da instituição não são acessíveis à maioria dos estabelecimentos de ensino.

E o que é o clima organizacional? É um fator que influencia a qualidade de ensino, a socialização das crianças e adolescentes e a prática democrática. O clima se forma a partir de uma teia que envolve as concepções, os valores e as normas de uma determinada organização, cujos resultados podem ser traduzidos nas práticas escolares.

Por exemplo: acesso sem burocracia ao diretor (a), inclusão do diretor nos espaços de descontração dos docentes e funcionários, como a sala dos professores, e a liberdade de se reportar ao grupo sempre que necessário são indicativos de que há um bom clima organizacional em uma escola

José Guilherme Mariz de Oliveira, um especialista em Educação que eu admiro muito, doutor pela Universidade de Oregon, diz que "um dos maiores desafios da história da Educação é organizar uma escola, que seja, ao mesmo tempo, de qualidade e democrática".

As escolas que têm alcançado esse equilíbrio entre os três pilares colhem os frutos da qualidade de ensino e da cultura de paz. Nessas escolas, as pessoas trabalham e estudam com mais prazer e contentamento, e os resultados surgem quando há atenção aos conflitos, e não quando eles são eliminados.

Um dos maiores equívocos quando se fala em clima institucional é imaginar um lugar sem controvérsias e, consequentemente, sem conflitos, justamente por eles estarem indevidamente associados à violência.

Quando falamos de uma escola com um bom clima institucional, estamos falando de uma escola que reconhece e valoriza as diferenças — mas não a desigualdade. Essa sim, deve ser evitada, porque não gera potência. Ao contrário, fragmenta, interdita e silencia. Cria e alimenta distinções que inviabilizam o trabalho coletivo. Se há desigualdade, significa que a escola valoriza as posições ocupadas na hierarquia, em vez de perceber aquilo que é singular.

Aqui, falo de situações quando, por exemplo, os alunos não podem se atrasar, mas os professores podem. Ou quando há proibição do uso do celular pelas crianças, mas os educadores atendem ligações dentro da sala de aula. Também quando os professores e funcionários são obrigados a cumprir horários, mas seus superiores se sentem desobrigados de serem pontuais. Ou seja, as desigualdades são incoerências que existem nas relações entre os segmentos de uma organização.

Com base em tudo isso, concluo que a liderança do diretor tem papel estratégico. Ela media e articula professores, alunos, funcionários e a comunidade. Assim, o diretor difunde os princípios e valores da organização, transformando a atmosfera da escola com coragem, cordialidade, disciplina e relações mais próximas com a família e os alunos.

O clima organizacional, portanto, é o grande indicador da cultura reinante em uma instituição. É por meio dele que se percebe a harmonia, os tipos de liderança, a disciplina e a qualidade das relações. Em consequência disso, as diretoras e diretores devem reconhecer, valorizar e buscar construir um clima organizacional compatível com os princípios da qualidade e da democracia, a fim de instituir a paz necessária à prática educativa.

Claudio Marques da Silva Neto é diretor da EMEF Infante Dom Henrique, em São Paulo. Tem experiência em direitos humanos, formação docente, cultura escolar, indisciplina, violência e gênero. É mestre e doutorando em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

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