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Os funcionários presenciaram uma agressão e não fizeram nada. E agora?

Especialistas comentam o caso do vídeo da Paraíba e dão dicas sobre o que fazer

por:
CM
Caroline Monteiro
Foto: Getty Images

Dois garotos de 14 anos atacam um menor, de 9, em um corredor da escola. Eles dão chineladas e provocam, enquanto um outro jovem filma a agressão com um celular. Nas imagens, é possível ver adultos, funcionários da escola, observando o ataque como se nada estivesse acontecendo. O caso, ocorrido na Escola Municipal José Alves de Azevedo, em Brejo da Cruz (PB), em 13 de setembro, se espalhou nas redes sociais e causou grande revolta em educadores e pais. Não apenas pelo ato em si, mas também pela passividade de quem deveria proteger a vítima.

O fato chamou a atenção para a forma como ações como essa muitas vezes envolvem personagens que vão além de agressor e agredido. Por isso, um gestor não deve apenas trabalhar com os estudantes que atacam ou sofrem o ataque. É preciso que diretor, professores, coordenadores, secretários, cozinheiras, vigias e porteiros estejam preparados para uma interferência educacional e pedagógica sempre que necessário.

As funcionárias da escola – uma porteira e uma facilitadora do Programa Novo Mais Educação, do Ministério da Educação (MEC) – estão afastadas enquanto os fatos são apurados pelo Ministério Público (veja box com as informações sobre o que ocorreu com os alunos). Ambas disseram que ficaram assustadas com a agressão e com medo de interferir. “Se for esse o caso, elas deveriam ter procurado imediatamente um outro responsável na escola, um professor, ou alguém mais forte para apartar a briga”, diz Marta Lúcia Rocha, secretária de Educação de Brejo da Cruz. “Também alertamos que elas deveriam ter comunicado na mesma hora a diretora ou o responsável pela escola que estivesse no local naquele momento”, completa.

Para Adriana Ramos, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é muito grave que adultos presenciem uma cena dessa e não tomem nenhuma atitude. “Deve haver um trabalho com todos os educadores, que são os adultos de referência daquelas crianças. Mesmo que não tenham profunda formação em Educação, eles precisam entender sobre questões de convivência e de mediação de conflitos.” Segundo Adriana, deveriam existir políticas públicas de formação de funcionários para evitar esse tipo de situação. É importante também repensar os processos seletivos, como o que habilitou a facilitadora do MEC a trabalhar na escola.

Marta afirma que todos os funcionários foram informados que não pode haver negligência e que o que acontece dentro da escola também é responsabilidade deles. “Para essa situação, é uma decisão tardia, mas acredito que aprendemos com a situação”, diz a secretária de Educação de Brejo da Cruz. 

A questão não é apenas pelo combate à agressão em si, mas também em não se transformar em incentivador indireto. "Praticar o bullying diante de muita gente e filmar a ação para espalhá-la ainda mais é uma maneira de aumentar o impacto do ataque e de mostrar força diante da vítima. A plateia legitima a violência”, diz Lino de Macedo, professor aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

O que aconteceu com os alunos

A secretária de Educação de Brejo da Cruz, Marta Lúcia Rocha, afirmou que a diretora da escola não estava presente no dia da agressão e só ficou sabendo do caso na noite seguinte, quando as imagens foram divulgadas na internet. A escola entrou em contato com os pais dos quatro alunos envolvidos para marcar uma reunião. Primeiro, foi dada uma suspensão de cinco dias, e depois, em conselho escolar, ficou decidido que os três agressores (os responsáveis diretos pelo ataque e o que filma) seriam realocados para outra escola. A mãe da criança menor também resolveu tirar o filho da instituição. Além disso, foram acionados o Conselho Tutelar e uma assistente social para lidar com as famílias. “O pequeno ficou assustado com a agressão e os grandes estão com medo de retaliação, de também serem agredidos ou castigados”, conta Marta.

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