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Intervenções específicas para parar o bullying

É necessário prever garantias coletivas do fim do assédio, pois confiar na palavra do agressor não basta

por:
Telma Vinha
Telma Vinha
Foto: Getty Images

A diferença entre bullying e conflito nem sempre é compreendida, mesmo por estudiosos da área. Por isso, é comum adultos recorrerem a estratégia da mediação de conflitos para lidar com casos de bullying: colocam a vítima e o agressor no mesmo patamar na busca da solução.

Há quatro diferenças principais. A primeira é que nos conflitos - que são naturais do convívio social - há um equilíbrio de forças entre as pessoas envolvidas. A segunda é que a situação normalmente gera incômodo nos envolvidos. A terceira é que esse incômodo faz com que sintam vontade de sair do conflito. Se eles não fizerem um acordo sozinhos, podem recorrer a um mediador. Cada parte pode analisar como contribuiu para a desavença e para a solução, reconhecendo perspectivas, sentimentos e necessidades.

No bullying, intimidações e agressões se repetem. Apesar de os envolvidos serem pares, a vítima está em desvantagem e não tem a oportunidade de argumentar, se defender e, às vezes, nem de falar. O agressor não se comove com a condição da vítima nem vê necessidade de mudar a relação de domínio e submissão. Por que deveria, se ela lhe traz satisfação? Sente-se, por exemplo, confortável tomando o dinheiro da vítima para comprar um sanduíche ou comendo o lanche dela todos os dias. Não liga se humilha, constrange ou ignora os sentimentos do outro, ao contrário, naturaliza essa desigualdade.

Por isso, em situações abusivas, a mediação tem alcance reduzido. As intervenções precisam conduzir ao reequilíbrio de forças, levando o agressor a reconhecer o dano causado e a repará-lo, interrompendo a violência. A vítima precisa perceber a tentativa de se fazer justiça. E é necessário prever garantias coletivas do fim do assédio. Confiar na palavra do agressor não basta, devem-se envolver outros no compromisso de que o bullying realmente cessará. Saiba como fazer isso em Bullying, Guia para Educadores, de Avilés Martínez.

Diante da seriedade do problema, existem autores que pensam intervenções eficazes, como o psicólogo sueco Anatol Pikas, que desenvolveu o Método de Preocupação Compartilhada. Sua abordagem tenta investigar as causas do bullying e chegar a uma solução duradoura por meio de reuniões individuais e coletivas com os envolvidos (saiba mais em bit.ly/metodo-pikas). Por serem remediativas, essas ações são empregadas quando a situação já está instaurada. Mas é importante investir na prevenção: construindo projetos antibullying, implantando assembleias e formando equipes de ajuda. A escola cumpre sua função educativa ao dar aos sujeitos a possibilidade de mudança, de restauração e aprendizagem de valores. Perceber a correta diferenciação entre conflitos e intimidações sistemáticas não é superficial, porque orienta e dirige a intervenção.

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