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06 de Junho de 2016
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Como planejei o acolhimento de uma nova equipe de professores e funcionários

Por: Muriele Massucato, Eduarda Diniz Mayrink
Equipe de professores reunidos em roda com uma coordenadora pedagógica (Foto: Ricardo Toscani)

Equipe é implicar-se com os colegas e saber que o sucesso da sua atuação depende da atuação do outro e vice-versa (Foto: Ricardo Toscani)

Olá, colegas!

Quando eu, a diretora Rosângela e a vice-diretora Ana Paula iniciamos nossas atividades como trio gestor em abril deste ano no CEU Luiza Maria de Farias, a escola ainda não havia sido inaugurada, mas já tínhamos muito o que fazer. E uma das nossas tarefas mais urgentes era planejar um bom acolhimento da equipe escolar que chegaria na primeira semana de maio.

Até aquele momento, os professores, os auxiliares e os funcionários que trabalhariam conosco estavam espalhados por outras unidades da rede municipal, mas já sabiam que mudariam de escola no final deste semestre. Este, inclusive, foi um dos nossos principais desafios: receber os profissionais num período atípico, considerando que isso costuma acontecer no início do ano letivo. Sobre este ponto vale sempre a pena lembrar que o processo de constituição e de fortalecimento da equipe precisa ser preocupação constante da equipe gestora e não somente pauta para janeiro e fevereiro.

Bem, o primeiro passo que eu, enquanto coordenadora, e as gestoras do CEU fizemos foi estabelecer o tempo que teríamos disponível para os primeiros encontros pedagógicos. No nosso cronograma, vimos que teríamos duas proveitosas semanas, tempo suficiente para nos apresentarmos, nos ouvirmos, alinharmos nossas concepções de Educação, estabelecermos um vínculo inicial e fazer alguns combinados.

O primeiro dia

Para o nosso primeiro encontro, pensamos num acolhimento bem aconchegante. Preparamos uma mesa de comes e bebes bem decorada e com itens saborosos. Eu apostei no já famoso bolo de banana e chocolate da minha avó Nica (diga-se de passagem, ele fez muito sucesso!), a Rosângela caprichou no café, no chá, no leite e nas bebidas frias e a Ana Paula trouxe um patê feito por ela mesma e cuidou dos pães e dos frios. Acredito que o fato de nós mesmas termos providenciado os quitutes e feito alguns deles foi um gesto de carinho e envolvimento com a recepção dos nossos novos colegas.

Depois que todo mundo se deliciou no café, compartilhamos as próximas datas de reunião e os temas previstos para a formação. Criamos uma pauta com a descrição das atividades para cada um dos dias para evitar gerar uma ansiedade desnecessária. As duas semanas que teríamos pela frente seriam preenchidas por dias alternados de formação, estudo e fundamentação teórica com momentos de atividades práticas, planejamento, construção e elaboração de materiais necessários à decoração dos espaços e ao acolhimento das crianças.

A diretora, a vice e eu ainda providenciamos uma pauta ampliada para uso nosso particular. Nesse documento, detalhamos o planejamento das ações que queríamos executar com o grupo, prevendo como organizaríamos as falas, os materiais, as conduções das propostas etc. Isso facilitou muito nossa vida, porque evitou que nos perdêssemos ou nos distraíssemos na condução das propostas.

Capa do livro

Uma dica interessante: Em todos os dias, prevemos iniciar a discussão sobre o tema definido de forma cultural e prazerosa, com indicações literárias e leituras deleite. Por exemplo: para discutir o papel do espaço na aprendizagem, levamos o livro Esse mundo muito louco, de Ruth Rocha, e lemos o terceiro conto, “Quando a escola é de vidro”, que fala sobre uma instituição onde as crianças ficavam dentro de potes de vidro durante as aulas, totalmente limitadas em relação ao espaço. A realidade só muda quando um aluno novo fica atipicamente sem vidro e todos o observam mais feliz e aprendendo mais do que os colegas “envidrados”.

O PPP e os momentos formativos

Em todos os dias de formação com nossa equipe, comentávamos sempresobreo Projeto Político-Pedagógico (PPP), um documento norteador das nossas ações na escola. Eu, como coordenadora pedagógica, levantei com o grupo a oportunidade que tínhamos de criar esse documento do zero e compartilhei com todos a responsabilidade de, a cada momento formativo, produzirmos materiais que serviriam de base para a construção do nosso projeto de escola. Aideia foi aceita por todos e, a cada encontro, fizemos sínteses escritas, cartazes, transcrição de falas e outros registros para servir de insumo para nosso trabalho.

Como, a princípio, iniciaríamos o atendimento somente das turmas de creche (no futuro, também atenderemos Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos), defini, junto com as gestoras, que seria interessante discutir os temas mais relevantes para essa faixa etária. Entre eles, estavam o acolhimento do bebê e da criança muito pequena, as relações diretas e indissociáveis entre educar, brincar e cuidar e o currículo inicial, pensado a partir das atuais referências nacionais e dos princípios norteadores da rede municipal de ensino.

O planejamento do espaço com intencionalidade pedagógica

Além dessas discussões, reservamos os momentos da tarde para organizar os espaços nos quais realizaríamos todas as ações e práticas que discutimos no período da manhã. Pensamos na ordenação de cada um deles da maneira mais funcional, lúdica, acolhedora, segura e, sobretudo, planejada e intencional possível. Os propósitos que seguimos não foram puramente estéticos, mas também adequados às concepções pedagógicas que nos balizam, com vistas ao desenvolvimento pleno e integral dos nossos pequenos.

Salas de aula do CEU Luíza Maria de Farias (Foto: Ricardo Toscani)

Estes são alguns espaços do CEU Luíza Maria de Farias (Foto: Ricardo Toscani)

Para fazer essa organização, contamos com a colaboração de uma arte-educadora, que realizou oficinas para nos ajudar a decorar os espaços com intencionalidade. Também fizemos uma visita-estudo ao CEU Luiz Gushiken, já inaugurado há algum tempo e com atendimento nos segmentos de creche e pré-escola. Lá, com a colaboração das gestoras, circulamos, fotografamos e observamos a rotina de cada um dos diferentes espaços planejados. O olhar foi ainda subsidiado por um instrumento de registro feito especialmente para a visita.

Conhecendo nossa identidade

Um momento emocionante das nossas reuniões foi o recebimento da Senhora Branca, filha de Dona Luíza Maria de Farias, a patronesse da escola. Ela nos contou a história emocionante de sua mãe, uma nordestina corajosa que veio morar em São Bernardo do Campo, viveu constantes situações de desafio e superação e se engajou na luta a favor da existência de creches e escolas de EJA no bairro. Ao final da manhã estávamos todos muito envolvidos pela história da nossa patronesse, que representa um pouco da história da comunidade e da cidade. Isso contribuiu muito para crescer nosso sentimento de pertencimento à unidade escolar e passou a fazer sentido contar essas memórias no nosso PPP.

Após duas semanas de trabalho intenso com educadores dispostos, abertos, envolvidos e parceiros, nos sentimos muito mais próximos e implicados profissionalmente. E, para mim, equipe é isso: implicar-se com os colegas, saber que o sucesso da sua atuação depende da atuação do outro e vice-versa e construir relações e práticas com base na gestão democrática e no senso de coletividade.

É claro que enfrentamos e ainda enfrentaremos muitos desafios, mas, para uma equipe unida, o “CEU” é o limite! :)

E vocês, querem compartilhar como planejam o acolhimento dos professores e funcionários da escola?

Um abraço, Muriele

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