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Metade das escolas públicas possuem banda larga - e elas não são tão largas assim

Além do problema da velocidade da internet que chega às escolas, ainda há a restrição de uso em grande parte das instituições

por:
LS
Laís Semis
Ilustração: Alice Vasconcellos

O dado é do Censo Escolar 2016, mas foi sistematizado pela plataforma QEdu62% das 90.213 escolas públicas brasileiras possuem internet, e destas, 70.977 (ou 49%) possuem banda larga. O número pode parecer animador, mas esconde a realidade do dia a dia escolar.

Teoricamente, banda larga é sinônimo de internet rápida, mas, na prática, não tem sido bem assim. “A internet chega, mas com uma velocidade muito baixa e há uma desigualdade entre as escolas públicas e privadas, urbanas e rurais. Pelo Programa Banda Larga nas Escolas, todas deveriam receber 2 megabits por segundo (Mbps) ou a maior velocidade comercial disponível pela operadora na região da escola. No entanto, essa qualidade varia de acordo com quantas pessoas estão usando a rede”, relata Lucas Rocha, coordenador de políticas educacionais da Fundação Lemann, mantenedora de NOVA ESCOLA. “Se tiver uma pessoa usando 2 Mbps, vai ser uma boa conexão. Mas a lógica da escola é diferente, são muitos alunos conectados ao mesmo tempo, além da equipe administrativa.”

De acordo com a Pesquisa TIC Educação 2015, 7% das públicas recebem menos de 1 Mbps, 38% recebem de 1 a 2 Mbps, 28% de 3 a 10 Mbps e 4% mais do que 10 Mbps, enquanto que 23% das escolas não sabem qual é a velocidade de sua internet. Diante dessa conectividade, o uso da internet em muitas instituições ainda é restrito à equipe administrativa e docente.

Em 2015, o Censo Escolar indicava que 59% das escolas públicas contavam com internet, 47% com banda larga. Em 2010, esse número era de 40% e 32%, respectivamente. Lucas acredita que o número de unidades conectadas é um avanço, mas que ainda não é suficiente. “Estamos crescendo num ritmo ainda aquém daquilo que é preciso para colocar, de fato, a tecnologia como aliada da Educação. Nesse contexto, você começa a criar a impressão de que ela não funciona, o que não é verdade porque a internet ainda não chegou como ela devia ter chegado para o fim que se deseja dentro da sala de aula”, explica.

“Geralmente, as instituições que têm maior infraestrutura são aquelas que têm maior nível socioeconômico. A própria malha de infraestrutura no Brasil responde à lógica do mercado de lugares que são comercialmente interessantes para os provedores”, comenta Lucas. Apesar de ser possível desenvolver bons trabalhos pedagógicos sem o uso das TICs, ela poupa tempo, melhora a produtividade, amplia a possibilidade de desenvolvimento dos conteúdos pedagógicos e pode gerar mais engajamento com os alunos. “A consequência é que acaba-se levando novos recursos, práticas e possibilidades de ensino para lugares que talvez já tivessem melhores resultados nacionais de aprendizagem, enquanto a tecnologia poderia ser uma ferramenta de dar um salto em lugares que precisam”, avalia.

A utilização de meios digitais de comunicação e informação é uma das 10 competências propostas pela terceira versão da Base Nacional Comum Curricular, que já está em debate nas audiências públicas. Além disso, a adoção de tecnologias e o acesso à internet de alta velocidade são estratégias para o cumprimento de duas metas do Plano Nacional de Educação: a 5, que prevê a alfabetização de todas as crianças até o 3º ano do Fundamental, e a 7, que fomenta a qualidade da Educação Básica.

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