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12 de Dezembro de 2017
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Como não sofrer (tanto) com as despedidas de fim de ano na sua escola

Dicas para que o momento de dizer tchau para professores ou alunos não seja tão difícil

Por: Camila Zentner
Show de talentos na EPG Manuel Bandeira. Foto: Divulgação

Em dezembro, além das decorações natalinas, o que mais vem a sua cabeça? Pensando na escola, surge sempre a palavra retrospectiva. Sei que é um recurso manjado em festas de final de ano, mas eu adoro! Vez ou outra eu uso, porque é muito bom relembrar os momentos vividos durante o ano, os encontros, as aprendizagens, as dificuldades... e ter a dimensão do quanto fizemos e fomos construindo ao longo do ano.

Relembrar tudo isso, além daquela sensação boa de dever cumprido, também costuma dar um nó na garganta pelas despedidas que teremos que fazer. Nessa época é comum professores mudarem de escola ou se aposentarem, assim como os alunos que, ao terminarem um ciclo, necessitam migrar para outra unidade também.

Como já falei aqui no blog, as relações de afeto são fundamentais para a aprendizagem da criança, assim como para todo o grupo escolar que precisa estar em sintonia para desenvolver um bom trabalho.

Construídas essas relações de afeto, ao se deparar com o momento da despedida, a gente acaba sofrendo pela partida de cada um e é sobre esse assunto que vamos falar hoje!

Certa vez, em uma palestra com pedagogo e educador português José Pacheco, perguntamos a ele sobre como fazer para mudar uma escola, e ele respondeu: “encontre mais duas pessoas que também queiram mudar e comecem. Com o tempo contagiarão os demais!”. Na época havia acabado de conhecer minha nova diretora e vice-diretora da escola, então éramos exatamente eu e mais duas pessoas, diferentes, mas que, cada uma em sua trajetória, almejavam fazer da escola um lugar cada vez melhor. Desse feliz encontro, começamos a realizar pequenas mudanças, que foram se ampliando, agregando mais e mais pessoas e que hoje, apesar das dificuldades (como em todo lugar) tem construído uma nova escola.

Trouxe esse exemplo para ilustrar o quanto somos transformados por esses encontros e o quanto transformamos também! Às vezes, esperamos mudanças grandiosas acontecerem para que a Educação avance, melhore, enquanto, na verdade, é no dia a dia que está o nosso grande poder transformador – e é junto com o outro (e não sozinho) que ele de fato acontece.

Uma vez transformados, em qualquer lugar que a gente esteja, não seremos mais os mesmos. E é aí que a mágica acontece, porque uma semente que você lançou pertinho irá florescer em outros lugares e se espalhar cada vez mais.  

Da mesma forma, é na hora que as crianças vão embora, que você as vê mais maduras e com toda aquela bagagem de valores e aprendizagens. Depois, não demora a receber notícias de seus progressos pela vida a fora.

Já tivemos na escola um caso lindo de encontro e despedida: uma ex-aluna voltou para a escola depois de formada, como professora, e passou a ser colega da sua professora de infância. Depois, homenageou a educadora quando ela se aposentou. A aposentada continuou a trabalhar em outra escola e deu sequência ao trabalho que começou aqui, contagiando outras colegas.

 Por isso, neste final de ano não deixe de celebrar esses encontros, agradeça e valorize! Caso você tenha que se despedir, como eu terei que fazer esse ano novamente, deixe que fique apenas a saudade. No lugar da tristeza, coloque a certeza de que você fez um ótimo trabalho em equipe, que agora irá se ampliar para muitos outros lugares. E é exatamente disso que a Educação precisa.

Para o próximo ano fica a esperança de novos encontros especiais e transformadores, assim como o educador Paulo Freire nos disse:

"É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar;  
porque tem gente que tem esperança do verbo esperar.  
E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera.  
Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás,  esperançar é construir,  esperançar é não desistir!  
Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo...”  

Um ótimo novo ano para todos nós! Abraços,

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há oito anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC.

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