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No fim do ano, não esqueça quais são os sonhos da sua escola, dos professores e dos alunos

Coordenadora pedagógica conta como manter o caráter humanizador da Educação mesmo quando surgem os problemas

por:
Camila Zentner
Foto: Porvir/Rodrigo Zaim - R.U.A Foto Coletivo

É chegado o tão esperado final do ano! Imagino que tenha sido um ano corrido para vocês. E tem sido assim sempre, não é mesmo? Problemas a resolver, pressão por resultados, reuniões, papelada para analisar, preencher... e por aí vai! Uma escola não para. O coordenador então, nem se fala!

Nesse dia a dia agitado, por vezes temos a impressão de fazer tudo no automático, mal dá tempo de olhar em volta, só enxergamos a próxima tarefa e a tela do computador. Na cabeça, os problemas fervilham e você ainda tem um aluno que precisa conversar, um professor que pede sua ajuda e o telefonema de uma mãe com uma dúvida. Em momentos assim, esquecemos até por que escolhemos estar naquele lugar e qual o sentido do que estamos fazendo.

Frente a essa realidade, cabe a pergunta: como não perder o caráter humanizador da Educação, mesmo diante de inúmeras demandas de trabalho e problemas? Como não permitir que as dificuldades do dia a dia nos distanciem dos nossos sonhos enquanto escola?

Em uma reunião pedagógica deste ano, escolhemos um vídeo para disparar essa discussão com nosso grupo: a animação “aLike” de Daniel Martinez Lara e Rafa Cano Méndez, que você pode ver logo abaixo. O curta, de cerca de oito minutos de duração, conta a história de um pai que tenta ensinar o caminho que considera certo a seu filho. Dedicado ao trabalho, ele passa o dia cumprindo horários e tarefas, educando o filho a fazer o mesmo. Já o menino ainda carrega a sensibilidade frente aos detalhes encantadores da vida e tem seus próprios sonhos, que o pai, por sua vez, não consegue enxergar, pois está oprimido com as obrigações do dia a dia. É o amor pelo filho que permite resgatar tudo isso.

A partir dessa história fizemos a seguinte reflexão: que escola sonhamos? Será que com a correria dos dias estamos deixando nossos sonhos de lado ou pior, esquecendo-se deles, justamente sendo a escola feita de sonhos, sonhos de tanta gente?! Há um sonho de escola, expresso no Projeto Político Pedagógico (PPP), o sonho de cada profissional que está ali, o sonho das crianças, das suas famílias... Sonhos que buscam dar sentido ao desejo íntimo de cada um e que no coletivo é o que faz a escola avançar. Quer ver uma pequena prova?

Pedro* sonhava em conhecer mais sobre os planetas e o funcionamento do Universo. O professor, percebendo o grande interesse do aluno, propôs que ele desenvolvesse um projeto sobre o tema. Os dois passaram meses pesquisando. No final do ano, o projeto foi inscrito em uma feira de Ciências pela diretora. Pedro ganhou prêmio e uma bolsa de estudos integral em uma escola que trabalha com pesquisas!

Tem também o sonho de uma professora de Artes que mobilizou uma comunidade inteira a colorir, junto com as crianças, os muros da escola por meio do grafite. Ou o sonho de uma professora de Educação Física em ensinar valores para as crianças através da cultura do Futebol. Um projeto que trouxe a visita de um jogador de futebol profissional na escola a até o contato com a seleção do Irã vinda para a Copa do Mundo no Brasil. No ano seguinte a professora foi premiada pela Secretaria de Educação pelo trabalho desenvolvido. E tem a professora que apenas sonhou em ser bem acolhida e ser reconhecida pelo que faz entre seus colegas.

Separei essa pequena amostra de sonhos para mostrar o quão viva é a escola e o quanto ela vai além de um simples cumprimento de tarefas de seus profissionais. Por isso, é importante lembrar sempre que para além do pedagógico de uma escola, o coordenador também está ali para coordenar sonhos!

Muitas pessoas referem-se ao coordenador como o “coração da escola” e gosto dessa definição não pelo significado da centralidade, mas pela sua relação com a sensibilidade. Por ser coração cabe a ele ajudar a manter viva a esperança, para além dos problemas e das desumanidades que enfrentamos no nosso dia a dia.

O coordenador então é aquele que apoia seus pares, desde um simples “Eu topo!”, até um “Vai dar certo! Estou com você!” ou “Desse jeito não ficou legal, mas vamos pensar juntos em outra alternativa!” e tantas outras formas simples de estar junto e acreditar no potencial de cada um.

Quanto ao sonho de escola, que ele esteja estampado em suas paredes e seja retomado quantas vezes for necessário. É ele que nos move.

Aproveite o final de ano para refletir sobre os sonhos da sua escola, do seu grupo e os seus próprios sonhos: quais você conseguiu realizar? Quantos você contribuiu para que fossem alcançados? E se por um acaso neste ano os seus sonhos estiveram um pouco de lado, lembre-se que você tem um ano novinho batendo à porta para recomeçar da melhor forma!

A propósito, uma dica legal de começar um novo ano cheio de sonhos é fazer a Cápsula do Tempo com sua equipe. Realizamos algumas vezes em nossa escola e todos adoram! Cada um escreve uma carta para si com todas as suas metas e sonhos, no fim do ano a cápsula é reaberta e cada um recebe sua carta de volta, podendo fazer o balanço de tudo que planejou.

Por falar em sonhos, um dia eu sonhei em escrever para muita gente. Queria ser jornalista. Mudaram-se os rumos e as paixões e me encontrei mesmo foi na Educação. Mas, de repente, eis que realizei um sonho antigo escrevendo para vocês. Uma palavra apenas: gratidão! Agora, conte-nos sobre os seus sonhos nos comentários e até a próxima!

* O nome do aluno foi trocado para preservar a sua identidade

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há oito anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC.

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