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17 de Agosto de 2018 Imprimir
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Competências socioemocionais devem estar na escola e no cotidiano

Pesquisadores e especialistas explicam como equipe gestora pode trabalhar com as competências da BNCC

Por: Larissa Teixeira
Alunos debatem em sala de aula
Foto: Getty Images

Além dos conteúdos específicos de cada disciplina, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi construída com base em dez competências gerais que devem ser trabalhadas na escola. O objetivo é que os estudantes aprendam mais do que apenas os componentes curriculares e possam desenvolver um pensamento crítico, além de habilidades socioemocionais importantes para o seu dia a dia.

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Temas como direitos humanos, ética, justiça social, cidadania, cooperação, empatia e respeito à diversidade deverão permear todas as áreas do conhecimento e precisarão estar ainda mais presentes no cotidiano. Por isso, o diretor e o coordenador têm um papel fundamental para garantir que essas competências sejam colocadas em prática.

Adriana Ramos, pesquisadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral (Gepem) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destaca que um dos caminhos é a construção de um plano de convivência, que deve contemplar os valores e princípios da instituição.

Segundo ela, esses princípios podem ser trabalhados de duas maneiras: nas ações do dia a dia, o que envolve o clima escolar e o bom relacionamento entre professores, alunos e funcionários; e em atividades sistemáticas aplicadas dentro da sala de aula - como no caso de uma assembleia de classe ou na criação de situações e conflitos hipotéticos.

“A dupla gestora precisa ter clareza no planejamento para trazer esses temas para o centro do debate. O papel do coordenador é ajudar na formação dos docentes, que muitas vezes não têm isso na sua base de formação, com discussões e reflexões, enquanto o gestor deve garantir que esses objetivos sejam efetivados”, explica.

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Comunidade escolar

A secretária de Educação de Poços de Caldas (MG), Flávia Vivaldi, destaca que toda a comunidade escolar deve ser envolvida no planejamento dessas ações. “É possível criar uma disciplina específica para trabalhar com esses valores, mas também é fundamental que seja feito um trabalho interdisciplinar para que todos se sintam parte do processo”, aponta.

Ela conta que os supervisores pedagógicos e alguns professores da rede municipal passarão por uma formação, a partir de agosto, para tirar do papel as competências previstas na Base. Para isso, foi realizada uma pesquisa com os alunos para identificar a adesão dos valores morais nas escolas e, assim, diagnosticar o que deveria ser priorizado.

Durante o programa, os educadores participarão de atividades e oficinas em que aprenderão a transformar as ideias em ações práticas. Ao final da formação, a secretaria irá elaborar um documento norteador para que as escolas consigam criar um plano de convivência e intensificar o trabalho com valores no dia a dia.

Segundo ela, o investimento em competências socioemocionais contribui para criar um ambiente saudável na escola. “A matriz curricular precisa envolver a discussão sobre direitos humanos, convivência, respeito e clima escolar. Caso contrário, a própria aprendizagem das outras disciplinas fica comprometida”, afirma.

Uma experiência similar ocorreu na cidade de Campinas, em São Paulo, onde algumas escolas receberam um curso de convivência para os professores, em uma parceria da prefeitura com a Unicamp. Na EM João Alves, a equipe conheceu técnicas e estratégias para melhorar o clima escolar, mediar conflitos e discutir temas como violência e preconceito. Entre elas, a criação de espaços de discussão entre os docentes e projetos que favorecem a autonomia dos alunos, como assembleias de classe, atividades de monitoria e grupos de ajuda formado pelos próprios estudantes.

Para o orientador pedagógico da escola, José Luiz Pastre, esses valores devem estar presentes nas diretrizes da instituição, mas o coordenador deve incentivar que os temas sejam levados para a sala de aula. “Nosso papel é diagnosticar os problemas, articular os trabalhos desenvolvidos pelos docentes e garantir não apenas que eles desenvolvam atividades, mas que coloquem isso em prática na própria dinâmica da sala e na maneira como eles trabalham”, destaca.

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