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Conviva Educação
23 de Agosto de 2018
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Profissão professor: livro discute como recuperar o prestígio

Desvalorização começou entre décadas de 1960 e 1980; reformas educacionais sistêmicas podem reverter o quadro

Professor em Sala de Aula
Foto: Getty Images

Até a metade do século 20, o docente era reconhecido nos países da América Latina como intelectual e pela liderança social. Porém, segundo o livro Profissão Professor na América Latina: Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo? (faça o download do livro na íntegra) alguns fatores contribuíram para esse prestígio diminuir.

Os autores da obra, Gregory Elacqua e Emiliana Vegas, Diana Hincapié e Mariana Alfonso, coletaram dados em países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru.

O livro, lançado recentemente como iniciativa da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e apoio do Todos pela Educação, aponta dois fatores que contribuíram para a diminuição do prestígio dos professores.

LEIA MAIS Base: reflexões sobre a formação de professores no Brasil

Entre 1960 e 1980, quando houve rápida expansão de atendimento de estudantes, também foi necessário o aumento do número de docentes. A qualidade da formação inicial dos educadores e as condições de trabalho foram prejudicadas, o salário diminuiu e, consequentemente, houve perda do prestígio da profissão.

O outro fator apontado pelos autores da obra foi que as mulheres passaram a ter melhores oportunidades de estudo e emprego, migrando para outras áreas. Com isso, embora a docência ainda tenha expressiva participação feminina, deixou de ser atrativa.

“É óbvio que essa situação é, em si, positiva, mas a mudança trouxe impacto na profissão docente”, afirmou Gregory Elacqua.

Uma pesquisa recente, a "Profissão Docente", feita no Brasil em parceria pelo Todos pela Educação e pelo Itaú Social, indica que a profissão não seria recomendada por muitos professores.

LEIA MAIS Somente 23% dos professores recomendariam a profissão aos jovens

Realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social, a pesquisa traçou um panorama da profissão com questões relacionadas ao salário e à valorização.

Quando perguntados se indicariam a profissão docente aos jovens, 48% de mais de 2 mil professores disseram que não, e apenas 23% recomendariam. Desses, a maioria trabalha nas etapas iniciais da Educação Básica e tem até 10 anos de carreira.

Reformas educacionais

O livro apontou experiências de reformas educacionais sistêmicas realizadas em cinco países (Chile, Colômbia, Equador, México e Peru) nas últimas duas décadas e que podem ser referência para a melhoria das condições e qualidade do trabalho – e consequente aumento do prestígio docente a médio e longo prazos. 

O primeiro ponto destacado pelos autores, foi como atrair as pessoas para a profissão de professor. Para que estudantes talentosos escolham a docência como profissão, os países analisados têm aumentado salários, estabelecido plano de carreira baseado em mérito, regulamentação do tempo não letivo na jornada de trabalho, incentivos para atrair professores para as escolas que mais necessitam.

“Há poucos interessados em ser professor. Nos países estudados, o Peru é o caso mais extremo: menos de 3% dos alunos de 15 anos declaram querer a profissão. No Brasil, são 5%, contra 21% se comparado com o curso de engenharia. Apesar disso, 20% dos que fazem cursos superiores, matriculam-se em programas de educação, como pedagogia. Acaba sendo refúgio para quem precisa de diploma e vê na área da educação uma alternativa viável. ”, comenta Elacqua.

Outro ponto de destaque é a formação: programas de formação inicial com níveis de qualidade elevados são essenciais para que o profissional esteja qualificado para a função. Nos países analisados, há maiores requisitos para o ingresso em programas de formação inicial docente, incentivos econômicos para candidatos talentosos, regulamentação do conteúdo, sistemas de certificação, financiamento de projetos de melhoria.

A seleção dos professores foi o terceiro ponto destacado no livro. Entre os estudantes formados, os cinco países fomentam uma seleção de educadores pautada no mérito e apoio no início da carreira, com concursos de ingresso na rede pública, programas de integração e períodos probatórios. “É comum o incentivo ao bom desempenho e a punição a quem não mostra resultados nas avaliações docentes”, diz Elacqua.

A publicação traz ainda o detalhamento das políticas públicas realizadas no Equador (Lei Orga?nica de Educac?a?o Intercultural), Peru (Carreira Pu?blica Magisterial e Lei de Reforma do Magiste?rio), Chile (Sistema de Desenvolvimento Profissional Docente), México (Lei Geral do Serviço Profissional Docente) e Colômbia (Estatuto de Profissionalizac?a?o Docente).

Veja aqui o vídeo das discussões com Adriana Guimas (coordenadora do Programa de Tutoria Educacional da Secretaria Municipal de Educação de Manaus), Cláudia Santa Rosa (Secretária Estadual de Educação do Rio Grande do Norte), Gabriela Moriconi (pesquisadora da Fundação Carlos Chagas) e Katia Smole (Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação). Claudia Costin (Diretora do CEIPE, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro) para o lançamento do livro.

*Este texto foi publicado originalmente na plataforma Conviva Educação e adaptado para o site de Gestão Escolar

Conviva Educação é uma iniciativa da Undime e 12 instituições criada em 2013 para apoiar os Dirigentes Municipais de Educação no trabalho cotidiano. Há conteúdos, ferramentas e áreas de trocas de experiências disponibilizadas gratuitamente. Para conhecer, acesse: www.convivaeducacao.org.br.

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