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09 de Fevereiro de 2018 Imprimir
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Coordenadora, gestora, educadora – e mãe

Por: Camila Zentner
A coordenadora pedagógica Camila Zentner e seu filho Felipe   Foto: Vivian Zerbatto Fotografia

Olá, como passaram de férias? Feliz em estar novamente aqui conversando com vocês!

Neste primeiro texto do ano para GESTÃO ESCOLAR, vou começar falando um pouco mais sobre mim e trazer uma informação importante que não aparece nos créditos ao final da página. Não sei se já repararam, mas ao final de cada texto do Blog de Coordenação, há um mini currículo que traz um resumo da sua trajetória profissional e acadêmica de quem assina o texto. No meu caso, vou acrescentar uma informação, um fato que de dois anos para cá fez toda a diferença na pessoa e na coordenadora que sou hoje: sou a mãe do Felipe!

É sobre as mudanças, dificuldades e alegrias que a maternidade trouxe para o meu trabalho na coordenação pedagógica que vamos falar hoje.

Tem uma música do grupo Tiquequê (primeira transformação após o nascimento de um filho: seu repertório infantil se amplia e melhora muito!) que resume um pouco o que quero dizer:

“Ela era uma moça muito esperta,
que fazia e acontecia, mas não era mãe...
Você era uma pessoa encantadora,
trabalhadora, estudiosa,
mas não era mãe...”

(Nasceu mamãe – Tiquequê)

 

Porque quando se é mãe, tudo fica bem diferente! E não vou falar aqui da maternidade romantizada, idealizada... longe disso! A maternidade real, mesmo sendo apaixonante, é barra! Inclusive quando se opta por trabalhar fora e seguir com sua carreira.

Quando se é uma coordenadora mãe, uma das coisas que mudam radicalmente é a sua memória que, na maioria das vezes, como no meu caso, passa a ser inexistente. Com o aumento de tarefas e preocupações em casa, inevitavelmente sua memória começa a falhar no trabalho. Vão pedir coisas a você, que no momento seguinte serão esquecidas, vão falar de casos de alunos, pedir documentos e ao ser posteriormente questionada sobre o assunto, você fatalmente não vai fazer ideia do que estão falando!

Para isso, não há coisa melhor na vida de um coordenador do que o registro. Registre tudo! Vale usar aqueles cadernos, blocos adesivos, tabelas, diário de bordo, portfólio, agenda... Crie espaços com seções específicas para as tarefas que você realiza em seu cotidiano. Ao iniciar o dia, faça a leitura das pendências e compromissos, assim será bem mais fácil conciliar sua jornada.

Seu tempo também será mais curto. Antes da maternidade, eu ficava sempre depois do horário e ainda levava trabalho para terminar em casa. Hoje, é impossível! Só que o trabalho, principalmente em volume, continua o mesmo! O jeito é utilizar melhor o tempo que se tem, otimizando as tarefas, delegando outras quando possível. O coordenador não precisa (nem consegue, embora tente) abraçar o mundo. Peça ajuda ao grupo de professores e demais membros da equipe escolar. Em um momento formativo, por exemplo, você pode pedir a um professor, que domina mais um determinado assunto que você, que seja responsável por compartilhar seus conhecimentos, ao invés de se debruçar por alguns dias para organizar a formação necessária.

Comecei propositalmente falando das dificuldades para deixar o melhor para o final. Porque comigo o que mais mudou nessa história toda foi o meu olhar!

Foto: Vivian Zerbatto Fotografia

O olhar para com as crianças passou a ser muito mais acolhedor. É o olhar de alguém que quer dar colo, saber se a criança comeu, se aconteceu alguma coisa para que ela hoje esteja triste... São coisas simples que na correria do dia a dia você não percebe, mas que com a maternidade lhe saltam aos olhos.

Muda também o olhar em relação às outras mães. Você passa a compreendê-las de outra forma, entender seu sofrimento por não ter outra escolha que não deixar o filho o dia todo aos cuidados de outros para trabalhar. Muda até o olhar para sua colega professora que enfrenta jornadas duplas (até triplas) de trabalho, que cuida dos filhos de uma porção de gente, mas que deixa os seus de lado durante muitas horas do dia.

A empatia, capacidade de se colocar no lugar do outro, fica muito mais aguçada! E a vontade que dá é oferecer a mão e dizer: ”Eu te entendo, estamos juntas nessa!”

Por fim, o que para mim é determinante para deixar meu filho em casa e ir para escola todos os dias: a vontade de construir um mundo melhor para ele e para toda essa geração que está por vir!

Certa vez ao ser questionada sobre a decisão de ter filhos em um mundo que anda tão difícil, uma amiga respondeu: “Porque o mundo está precisando que a gente dê a ele pessoas boas para fazer dele um lugar melhor!” E eu pensei: que sorte a nossa trabalhar com uma porção dessas pessoas e ter a oportunidade de formar seres humanos melhores para mudar tudo que anda errado por aí!

 

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há oito anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC. Ela se tornou mãe do Felipe há dois anos.

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