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24 de Agosto de 2018
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Escolas combatem evasão escolar com tecnologia

Aplicativos prometem aproximar os pais da rotina dos filhos e diminuir as faltas

Por: Larissa Teixeira
Empresas e redes de ensino estão testando aplicativos para aproximar pais do cotidiano dos filhos na escola   Foto: Getty Images

A tecnologia já dominou o nosso dia a dia e está cada vez mais presente nas salas de aula. Mas será que ela também pode ser uma aliada contra a evasão escolar? É o que algumas redes de ensino e empresas de tecnologia estão tentando descobrir.

Novos aplicativos trouxeram uma série de funcionalidades para alunos, professores e pais – entre elas, o registro de atividades e provas, a divulgação de boletins e o controle de frequência. Neste último caso, as plataformas permitem que os responsáveis fiquem mais perto da rotina dos filhos e sejam comunicados sobre faltas e atrasos.

O aplicativo Minha Escola SP, lançado neste semestre pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, reúne notas, atividades, registro de frequência e a carteirinha de 3,7 milhões de alunos do Ensino Fundamental e Médio. No Paraná, iniciativas similares facilitam o contato entre professores e alunos.

Algumas startups e empresas também têm apostado em novas tecnologias para combater a evasão. No aplicativo Mira Aula, da Mira Educação, utilizado na rede estadual do Mato Grosso do Sul, os docentes têm acesso à lista de chamada para registrar faltas e o sistema comunica a ausência aos pais com o envio de uma mensagem de texto.

Para testar a funcionalidade do projeto, pesquisadores da empresa realizaram um estudo com 198 escolas e mais de 4 mil alunos de escolas do Mato Grosso. Segundo Rangel Barbosa, CEO da Mira Educação, foi identificada uma redução do número de faltas de 10 a 26% entre os alunos cujos pais receberam mensagens.

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Além disso, o app envia semanalmente aos gestores um relatório com dados sobre as faltas, o que, de acordo com Rangel, permite que eles tenham uma visão mais ampla. “Geralmente o diretor está muito atarefado com uma série de atividades e falta tempo para olhar mais atentamente para as faltas. A tecnologia pode agilizar o contato com as famílias e gerar dados mais apurados, para que a partir deles sejam traçadas estratégias de combate à evasão”, diz.

Cautela

O Colégio Estadual Maria da Conceição Pereira Pinto, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), utilizou um aplicativo similar, o Aplicativo Escolar, para marcar reuniões e enviar aos pais em tempo real a confirmação de presença nas aulas. “Com isso praticamente eliminamos os atrasos e melhoramos o relacionamento e a comunicação com as famílias”, relata a diretora Renata Pacheco.

Mas é preciso ter cautela na hora de usar essas novas tecnologias. Tania Zagury, professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro “Os novos perigos que rondam nossos filhos”, destaca que a iniciativa pode ser interessante, desde que utilizada com equilíbrio. “É importante que os pais se atenham apenas ao necessário e respeitem a privacidade dos filhos, para que esse controle não se torne algo persecutório e excessivo. Além disso, é preciso confiar na instituição e sempre trocar informações com a escola”, aponta.

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O aplicativo por si só não resolve o problema da evasão - é preciso inserir as famílias na escola e traçar ações para estreitar esse vínculo, segundo a coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, Maura Barbosa. “Precisamos ressignificar essa cultura de vigiar os alunos. A tecnologia pode auxiliar, mas o ideal é que haja um acompanhamento regular do processo de ensino e aprendizagem”, diz.

Ela aponta que, além dos aplicativos, os gestores podem utilizar outras plataformas para facilitar a comunicação com os pais. “O diretor deve definir junto com as famílias qual a melhor opção, como as redes sociais, um blog da escola ou até mesmo grupos de WhatsApp”, sugere.

 

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