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11 de Abril de 2018 Imprimir
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Como organizar sua escola para a Copa do Mundo

Gestores e professores revelam formas de transformar o grande evento esportivo em uma experiência pedagógica positiva que vai além da torcida nos jogos do Brasil

Por: GESTÃO ESCOLAR
Torcedores vibram durante partida entre Brasil e Colombia, na Copa do Mundo de 2014  Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Rússia recebe a vigésima primeira edição da Copa do Mundo em junho deste ano e muitos torcedores já se preparam para acompanhar os jogos do Brasil aqui do outro lado do mundo. Como é de costume, a rotina de trabalho muda, com manhãs e tardes de folga para que funcionários possam assistir às partidas em suas casas ou mesmo entre colegas nos escritórios e locais de trabalho. O cronograma escolar também se altera para crianças e jovens, e boas práticas pedagógicas podem auxiliar diretores e professores na escolha de atividades vinculadas ao grande evento esportivo.

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Os dias 17, 22 e 27 de junho já estão marcados para jogos do Brasil na fase de grupos, e acontecerão às 9 e 15 horas, no horário de Brasília – em pleno horário de aula nas escolas. “Nesses dias não tem jeito, todos vão ao pátio acompanhar as partidas em uma televisão”, afirma Marlucia Brandão, diretora da EMEIEF Boa Vista do Sul, em Marataízes, no Espírito Santo. Porém, além de colocar a escola inteira como espectadora, a Copa do Mundo pode ser um bom momento para reflexões e até outras mobilizações entre todos os agentes escolares. “O fenômeno da Copa pode ser uma potência pedagógica”, afirma Emanoel Candal, professor de Educação Física na escola Matriz Educação, na zona oeste do Rio de Janeiro, e mestrando em Educação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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O professor estuda o respeito à diversidade cultural e étnica nas práticas esportivas e diz que as diferentes realidades sociais, históricas e geográficas devem ser mostradas como forma de contextualização das mais diversas modalidades. “A Copa do Mundo pode trazer o interesse pelo esporte, no caso o futebol, de forma momentânea, mas o ideal é que possamos incentivar a imersão nas práticas, trazendo a apreensão da identidade cultural e subjetiva que os esportes trazem”. Graça de Paula é vice-diretora do Centro Educacional Asa Norte (CEAN), em Brasília, e relata que seus alunos acabam estimulados a praticar futebol e até se inscrevem em campeonatos, mas não deixam de discutir os impactos de grandes competições nas diferentes partes do mundo. 

Para um calendário escolar diversificado e interessante para os alunos, pais, professores e funcionários durante a Copa, a diretora Marlucia, a vice-diretora Graça e o professor Emanoel dão algumas dicas de como organizar a escola e estimular o engajamento pedagógico nesse momento de agito coletivo.

 

Treino é treino, jogo é jogo

Preparar o cronograma escolar incluindo a Copa do Mundo no mês de junho desde o começo do ano foi essencial para o planejamento escolar, aponta a vice-diretora do CEAN. Graça lembra que a equipe da direção de sua escola ficou de olho nas tabelas dos jogos e estipulou as datas em que o Brasil jogaria. Com isso foi possível prever quais atividades teriam menor impacto com a ausência de alunos, evitando a necessidade de muitas reposições de aulas. “O segredo é o planejamento e quem não o fez no começo do ano, recomendo que faça agora no início do bimestre”.  

As escolas públicas recebem algumas orientações de suas respectivas secretarias de ensino sobre como agir nos dias de jogos, mas Graça de Paula aponta que é possível se basear nas mesmas regras aplicadas a grandes eventos passados, além de inovar em atividades vinculadas ao tema o quanto antes para que a escola evite impactos negativos em sua rotina. Marlucia Brandão concorda e exemplifica que na sua escola a coordenação apresenta um calendário mensal com pelo menos uma programação diferenciada nos murais e, assim, todos já ficam sabendo com antecedência para que possam se envolver e planejar, o que não foi diferente com a Copa.

Atividades esportivas podem ser parte do programa de engajamento da Copa do Mundo, como aconteceu na EMEIEF Boa Vista do Sul, no Espírito Santo   Foto: Acervo pessoal

Quem pede, recebe
“Tenho uma equipe nota 10, o que facilita tudo!”, diz a diretora da EMEIEF Boa Vista do Sul, ressaltando que durante as atividades que envolvem toda a escola é necessário uma boa comunicação entre os funcionários para um engajamento capaz de incentivar positivamente os alunos. “Primeiro o pedagogo, depois os coordenadores que administram as salas e até a cozinha precisam saber quando há uma programação diferente, afinal a rotina muda para todos”, afirma. Marlucia diz que para a Copa do Mundo teve de sensibilizar o professor de Educação Física, que por sua vez envolveu outros colegas no cronograma especial, gerando uma cadeia positiva de atividades.

“O professor é um protagonista que leva os conhecimentos para os alunos e faz despertar ideias neles, que acabam por se engajar em uma relação de troca, mesmo nas dificuldades”, afirma a diretora da escola no Espírito Santo. Ela lembra, por exemplo, que a escola foi acometida pela falta de internet e computadores, mas os funcionários trouxeram seus próprios notebooks para que os alunos pudessem pesquisar temas variados em assuntos interdisciplinares como a Copa. 

Emanoel Candal aponta que os docentes podem aproveitar oportunidades como essa para ir além das suas próprias disciplinas – e colaborar com outras experiências que possuem. “Temos um projeto de festival de cultura corporal que pode ser experimentado na Copa do Mundo”, adianta ele. “Vivências diversas com música e um professor de matemática que toque um instrumento pode participar”.

 

Criatividade no meio de campo
O professor de Educação Física da escola Matriz Educação afirma que a Copa é repleta de expressões múltiplas, lembrando episódios políticos e culturais que acompanharam o evento e têm muito a proporcionar à escola e aos alunos. “Ser brasileiro é mais do que ganhar a Copa”, concorda Marlucia Brandão, dizendo que em sua escola todos os professores vão trabalhar o história e cultura, apresentando as bandeiras, incentivando a descoberta sobre todas as nações envolvidas na competição. Por meio de um sorteio por turmas, cada sala de aula estudará um país e todas as disciplinas terão atividades relacionadas.

“O sistema monetário de um lugar será estudado durante as aulas de matemática no mês de junho, as turmas vão confeccionar as bandeiras eles mesmos nas aulas de Artes e todo a escola representará o Brasil, acolhendo a diversidade”, explica.  

 

Chame a torcida para o campo
Todas essas ideias de atividades temáticas devem partir de discussões entre direção, coordenação, professores, alunos e pais. Graça de Paula diz que, em sua escola, os alunos gostam de contextualizar a geopolítica envolvida nesses grandes eventos internacionais e foram eles que propuseram os debates. “Como os países se comparam além das condições técnicas para os jogos? Os alunos de Ensino Médio adoram trazer as problemáticas”, relata. Além dos agentes escolares, os pais devem estar cientes dos calendários diferenciados, como a Copa Mundo. “O pai e a mãe devem estar envolvidos, como em qualquer projeto pedagógico”, pontua Emanoel, lembrando que isso evita a possibilidade de pais quererem que seus filhos faltem na escola para assistir aos jogos, já que o laço entre a família e a escola estão firmes e as atividades fazem sentido para todos.

Alunos da EMEIEF Boa Vista do Sul participam de gincana esportiva   Foto: Acervo pessoal

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