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27 de Setembro de 2018
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Como a Finlândia inspira diretores em escolas do Brasil

Diretores contam à NOVA ESCOLA como práticas de gestão democrática e aprendizagem multidisciplinar melhoraram o desempenho dos alunos

Por: Larissa Teixeira
Foto: Getty Images

Com um dos melhores sistemas educacionais do mundo, a Finlândia é referência quando falamos em boas práticas de ensino, altos índices de desempenho e baixa evasão dos alunos. Para aumentar ainda mais a qualidade da aprendizagem, a Agência Nacional Finlandesa para a Educação implantou, em 2016, uma reforma curricular que trouxe algumas mudanças para a cultura escolar do país.

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Entre os princípios do novo currículo estão a participação ativa dos alunos, o respeito à individualidade de cada um, o investimento em habilidades transversais e socioemocionais, a abordagem multidisciplinar, a diversidade nos métodos de avaliação e a significância da aprendizagem - ou seja, que o conteúdo trabalhado em sala de aula faça sentido para quem está aprendendo.

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Mas será que essas práticas podem também ser aplicadas em escolas brasileiras? O diretor da EMEF Infante Dom Henrique, em São Paulo, acredita que sim. Neste ano, a escola implementou um projeto inspirado em experiências internacionais, como a da Finlândia e de Portugal, para eliminar a divisão tradicional em disciplinas e favorecer a autonomia dos estudantes.

Desde julho, não há mais uma grade convencional de aulas - do 6º ao 9º ano, cada estudante pode definir um “roteiro de aprendizagem” para si próprio, e escolher o que quer estudar em cada dia da semana. Cada grupo de 15 alunos conta com um professor tutor, que acompanha esse roteiro para garantir que ele siga o que está previsto no currículo. As salas de aula são divididas por áreas do conhecimento, em que cada docente ensina para um grupo com diferentes faixas etárias.

O diretor Cláudio Neto conta que esse novo modelo permite a troca de experiências entre alunos de vários anos e maior integração entre as disciplinas, além de valorizar a individualidade dos estudantes. “O aluno tem total autonomia e é sujeito do seu próprio percurso de aprendizagem. Além disso, conseguimos fazer roteiros específicos para alunos que têm dificuldade, o que não era possível antes”, explica.

Gestão democrática

Na EE Alfredo Paulino, em São Paulo (SP), a gestão democrática, a multidisciplinaridade e a educação socioemocional já fazem parte do cotidiano. Há cerca de quatro anos, a escola implementou um grêmio estudantil com os alunos do 1º ao 5º ano, em que eles têm a oportunidade de participar ativamente das decisões sobre o dia a dia da instituição. Além disso, são promovidas assembleias para discutir os problemas da escola e palestras com convidados para debater temas atuais, como o preconceito e o bullying.

“Com a implantação dessa iniciativa, percebemos que as crianças se sentem mais envolvidas com a escola e são capazes de expor ideias, fazer críticas e sugerir melhorias para as práticas cotidianas. Com isso, elas também se sentem corresponsáveis pela manutenção do local”, aponta a diretora Rosângela de Lima Yarshell.

Segundo ela, os gestores podem se inspirar em experiências de fora do país para embasar a sua prática, já que a atuação do diretor é essencial para que as ideias saiam do papel. “Nosso papel é valorizar o aluno e o professor, garantir que eles tenham acesso a materiais e espaços adequados, acompanhar de perto os processos avaliativos e pensar como podemos melhorar”, aponta.

Na EME Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul (SP), a equipe gestora também aposta na colaboração dos estudantes e das famílias para a melhoria da escola. Na construção do Projeto Político Pedagógico (PPP), foram disponibilizados questionários para que pais e alunos contribuíssem com ideias, críticas e sugestões. Além disso, todos os anos são realizados projetos multidisciplinares que abordam questões como bullying e respeito à diversidade.

Para a diretora, Maiberte Brogliato, o engajamento dos alunos é positivo não apenas para melhorar o clima escolar e o desempenho, mas também para trazer significância à aprendizagem. “Quando o aluno apenas recebe as informações, ele entende que aquilo é algo que veio de cima e não enxerga um significado no que está fazendo. Mas quando ele participa do processo, passa a valorizar mais o trabalho da escola”, destaca.

 

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