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18 de Dezembro de 2018
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5 lições que aprendi nesse ano como gestora

Há sempre algo novo a se aprender quando se lidera uma equipe pedagógica

Por: Camila Zentner
Crédito: Getty Images

Escola é um lugar de aprendizado para todo mundo – e para o gestor não é diferente! Minha diretora costuma dizer que fomos alunos que gostávamos tanto da escola, que nunca mais saímos de lá. E é um amor louco esse que faz a gente enfrentar rotinas exaustivas de oito horas, às vezes, até dez ou doze horas de trabalho por dia (organize um evento na escola e me diga se não ficamos tudo isso na escola ou mais!). Um amor que coloca seu conhecimento à prova em cada novo desafio que surge, que te faz respirar fundo nos vários conflitos que encara e ainda assim seguir feliz com a escolha feita.

LEIA MAIS No fim do ano, não esqueça quais são os sonhos da sua escola, dos professores e dos alunos

Nesse ano, mais uma vez, estar na gestão me trouxe vários aprendizados e tenho certeza que com vocês não foi diferente. Separei alguns para compartilhar para que possam talvez se identificarem ou, quem sabe, até contribuir um pouquinho na trajetória de aprendizado de vocês. São eles:

  1. Saber ouvir críticas

Você pode pensar que elaborou o planejamento mais incrível do mundo ou a reunião mais clara e necessária possível para seu grupo de professores. Pode até ser que ela fosse mesmo tudo isso, mas pode ser também que não era exatamente aquilo que eles estivessem precisando ouvir ou tampouco o que queriam. Pode ser que esse desencontro passe batido, que eles não te digam nada, prefiram não comentar. Mas pode ser também que te digam isso. E é doído quando acontece: ouvir críticas não é uma coisa muito legal. Sinceramente? É horrível! Principalmente em público.

Apesar disso, são situações frequentes para quem está na linha de frente e que devem ser encaradas com naturalidade, porque faz parte do processo. Aprendi que em situações como essas, até cabe a gente ficar triste ou frustrado (e até chorar nos dias mais difíceis – mas sugiro não na frente do grupo). Mas não dá pra parar por aí. Nessas situações, cabe, sobretudo, ouvir o que os outros têm a dizer, repensar e, se for necessário, fazer diferente. Dizemos tanto ao aluno que se aprende mais com os erros, do que com os acertos, porque para nós haveria de ser diferente?

  1. Ter empatia

No cotidiano da escola é comum que ocorram situações que te desagradem e você questione: mas por que aquela pessoa fez isso? Isso vale para professores, alunos pais, funcionários... E a resposta instantânea é julgar, pensar que você jamais agiria daquela forma, condenar. Mas se tem uma outra coisa que aprendi na gestão é que tal julgamento não resolve nada – a não ser atrapalhar a convivência entre vocês. É preciso ter empatia, abrir a escuta para que possamos buscar o entendimento, nos colocar no lugar do outro, considerar suas trajetórias, contextos... Um olhar empático acolhe e ajuda o outro a crescer. E não é também esse nosso papel? Isso faz, dentre outras coisas, que você pense mais antes de falar, agir, e esteja mais sensível ao que está a seu redor, sem contar que este exercício te torna não só um profissional, como também uma pessoa melhor!

Sobre isso tem um vídeo muito gracinha no youtube que fala um pouco sobre a diferença entre empatia e simpatia, além de destacar as características da empatia:

  1. Construir uma rede de contatos

Esse aprendizado não é de hoje: não fazemos nada sozinhos. Você não precisa saber de todos os temas de estudo do seu grupo, dos assuntos mais atuais em Educação, de como conseguir os passeios mais legais para os alunos, mas pode construir uma rede de contatos que te ajude nesses momentos. Criar uma parceria com uma universidade, por exemplo, é uma forma maravilhosa de garantir a formação em serviço e o acesso aos temas mais atuais em Educação de seu grupo. Abrimos as portas para a pesquisa e a formação in loco de seus estudantes da área de Educação e, em contrapartida, a Universidade trouxe seus profissionais para nos ajudar nas formações, nos estudos de caso e outras atividades. Mas a universidade não é o único parceiro possível.

Recentemente, conseguimos doações de mudas de árvores nativas para um projeto da escola, graças a parceria com uma ONG. Estabelecer bons contatos com escolas vizinhas, outros colegas gestores e com a comunidade local também pode abrir portas e construir pontes. Faça amigos! O trabalho do gestor tende a ser solitário, mas não precisa ser assim.

  1. Fortalecer o sentimento de equipe

Cabe a um gestor saber cobrar o trabalho de sua equipe. Essa sempre foi a parte que eu menos gostei de fazer. Relutei por vezes, até compreender que ela é necessária. As pessoas precisam de prazos e metas (que nem sempre elas vão cumprir), e é justamente aí que entra o papel do gestor de acompanhar e cobrar para que aconteçam. Isso não faz de você um gestor carrasco ou menos querido, como temem alguns coordenadores ou diretores. O que a gente não pode perder de vista é a motivação.

É preciso encontrar a medida entre a cobrança e o elogio – que devem aparecer na mesma proporção. Busque formas de valorizar o trabalho de sua equipe, seja dando visibilidade ao colocá-los para dar uma formação para os outros colegas, seja com um e-mail parabenizando o empenho e o cumprimento do prazo.  Não perca a oportunidade de dizer a toda equipe os avanços alcançados, o quanto cada um foi importante nesse processo. Os momentos de formação em serviço são primordiais, mas não deixe de propiciar situações de descontração como um café da tarde, um jogo, uma celebração.

  1. Ter sempre a criança como foco de tudo o que fazemos

Esse é o meu mantra. A premissa que eu venho seguindo neste e nos últimos anos na gestão e que tem me ajudado muito a me manter firme apesar de todos os desafios do cargo. Sonhe alto, deseje sempre que as coisas mais incríveis aconteçam para você e para sua escola, pois elas podem acontecer. Continue correndo e trabalhe muito para seguir seus sonhos (pois o tamanho do sonho, é o tamanho do esforço). Delegue um pouco do trabalho, porque sozinha você não vai dar conta. Siga registrando tudo e, na medida do possível, tente organizar o que coletou ao longo do ano – isso vai salvar sua vida várias vezes. Se puder faça o que tenha para fazer na hora, deixando para depois, é provável que não faça – as atas, por exemplo, já tenha um computador à disposição durante a reunião e comece a digitar enquanto a discussão acontece. E, para tudo o que você faça, desde o momento que você chega na escola até a hora que sai, tenha como foco principal a criança. Certa vez, uma amiga muito querida me ensinou a seguinte lição que carrego comigo: se a gente não estiver com as crianças, quem estarão? Fique sempre com elas.

E, falando de aprendizagens e desse amor pela escola citado lá no início do texto, encerro o ano com as palavras de Malala do livro “A menina que queria ir para a escola” (Adriana Carranca):

- Eu realizei um sonho. Penso que é o momento mais feliz da minha vida porque estou voltando para a escola. Hoje eu tenho meus livros, minha mochila, e vou aprender... Eu quero aprender sobre política, sobre direitos sociais e sobre a lei. Eu quero aprender sobre como posso mudar o mundo – ela disse, no primeiro dia de aula. O primeiro dia do resto de sua vida.

E Malala voltou a sorrir. Porque continuava sendo apenas uma menina que queria ir para a escola.

Um abraço e até 2019,

Camila Zentner

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há nove anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC.

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