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04 de Fevereiro de 2019
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6 materiais sobre Educação Infantil para gestores escolares

São livros, filmes e sites para aprofundar os estudos na etapa de ensino

Por: Camila Zentner
Crédito: GettyImages

Enquanto o período de acolhimento e adaptação das crianças pequenas acontece na Educação Infantil, fervilham em nossas cabeças os temas de estudo para o grupo de professores ao longo do ano. Muitas dessas ideias surgem a partir da avaliação feita do ano anterior e da análise do que precisamos avançar para o melhor desenvolvimento de nossas crianças.

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Algumas preocupações costumam ser recorrentes nesse universo. Como a importância do brincar que, por vezes, acaba ficando de lado em meio a rotina de inúmeras tarefas que criamos para os pequenos. Ou a livre expressão deles por meio das Artes, que pode ser bloqueada de várias e sutis maneiras, a começar pela ansiedade de querer deixar a escola mais “bonita” e decorar tudo, por exemplo, com desenhos prontos, ao invés de reservar espaço para as produções das crianças – os reais artistas daquele espaço. Ou ainda a nova Base Nacional Curricular (BNCC), que agora começa para valer e também traz algumas mudanças significativas para a Educação Infantil.

Esses são apenas três dos inúmeros desafios que aguardam os gestores da Educação Infantil ao longo do ano. Por isso, é importante que o gestor se fortaleça em seus estudos sobre concepção de infância e especificidades desta etapa de ensino. Separei alguns dos materiais que têm me ajudado muito nessa trajetória. São livros, filmes, documentários e sites que podem auxiliá-lo nessa busca. É uma lista pequena, mas que pode auxiliar no seu trabalho de fortalecimento como gestor dessa etapa de ensino, bem como no trabalho com seu grupo de professores e as crianças.

LIVROS

  1. Para pensar as linguagens da infância

Desde a época da minha especialização me apaixonei pelo trabalho desenvolvido pelas escolas da infância italianas, em especial de uma cidade chamada Reggio Emilia. Um livro para conhecer essa abordagem, que é referência mundial, e inspirar o trabalho é “As Cem Linguagens Da Criança: A Abordagem de Reggio Emilia na Educação da Primeira Infância” (de autoria de Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman). Apesar de relativamente antigo (foi lançado em 1999), ele traz ensinamentos e reflexões que podem nos ajudar a pensar a escola ainda hoje. O livro conta a história da experiência em Reggio Emilia, como tudo começou lá na década de 60, os princípios e as características dessa abordagem, relato de educadores e alguns projetos desenvolvidos com as crianças.

“A criança
é feita de cem.
A criança tem cem mãos
cem pensamentos
cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem
modos de escutar
de maravilhar e de amar.
Cem alegrias
para cantar e compreender.
Cem mundos
para descobrir.
Cem mundos
para inventar
Cem mundos
para sonhar.
A criança tem
cem linguagens
(“Ao contrário, as cem existem”, de Loris Malaguzzi)

  1. Para pensar a pedagogia da escuta e a organização do espaço

O mais bacana é que recentemente foi lançado o volume dois da obra, intitulado “As Cem Linguagens da Criança: A Experiência de Reggio Emilia em Transformação”. O livro conta quais foram as mudanças realizadas ao longo do tempo, posterior a publicação do primeiro livro e como estão as escolas hoje, após mais de 50 anos depois de seu início com o grande educador Loris Malaguzzi. Você vai encontrar nessas obras temas como: respeito a infância, pedagogia da escuta, organização do espaço, valorização das diferentes linguagens infantis, trabalho por projetos e documentação pedagógica.

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  1. Para pensar os campos de experiência da Base

Falando ainda da abordagem italiana, mas com o foco na BNCC, minha terceira indicação é o livro “Campos de experiências na escola da infância: contribuições italianas para inventar um currículo de Educação Infantil brasileiro” (organizado por Daniela Finco, Maria Carmem Silveira Barbosa, Ana Lúcia Goulart de Faria). A publicação é de 2015, anterior a aprovação da nova Base Curricular, mas que traz subsídios para refletir sobre o conceito de Campos de Experiência, que é uma das novidades surgidas aqui com a Base, contudo tem suas raízes lá nas escolas italianas. Trazendo provocações importante de como pensar um currículo para as crianças pequenas brasileiras sem perder a especificidade da Educação Infantil, considerando seus contextos, a escuta, a descoberta, imaginação, investigação e invenção.

FILMES E DOCUMENTÁRIOS

  1. Para pensar sobre os primeiros anos de vida

Por sorte, nos últimos anos tem sido lançado vários filmes, documentários e séries sobre a primeira infância e um dos responsáveis é a produtora Maria Farinha Filmes. Selecionei três dos meus preferidos, mas  outros estão disponíveis também para download nas plataformas VIMEO e VIDEOCAMP. “O começo da vida” fala da importância dos primeiros anos de vida na formação dos sujeitos. Gravado em nove países, o filme traz depoimentos de pais, mães, avós, educadores e crianças de classes sociais e formações muito diferentes sobre o período de gestação até os seis anos de vida de uma criança.

  1. Para pensar o brincar

Outras duas produções da Maria Farinha Filmes que recomendo são “Tarja Branca” e “Território do Brincar”. A partir dos depoimentos de adultos de diferentes gerações, “Tarja Branca” faz uma reflexão sobre o tempo, como ele é usado por crianças e adultos hoje e no passado em um manifesto para continuar sustentado o espírito lúdico. Ainda sobre o tema, “Território do Brincar” coloca a relação vital do brincar não só com a primeira infância, mas em todas as fases da vida.

SITES

  1. Para fomentar o desenvolvimento integral das crianças

Não tem jeito, no dia a dia da gestão o site que a gente mais acessa são os buscadores (como o Google), que nos leva para qualquer lugar! Nessas buscas todas, encontrei o site do Instituto Alana, que traz uma proposta toda voltada para a primeira infância com diversas ações e projetos pensados para essa importante fase do desenvolvimento humano. Os programas que mais acessei dentro do site e me ajudaram foram:

- Criança e Consumo: contém links com acesso para legislação específica, tem um “Caderno de Consumo Sustentável”, com orientações importantes, uma série de vídeos relacionados, palestras e até curtas de 30 segundos que podem ser usados em reuniões de pais, ideias para promover uma Feira de Troca de Brinquedos etc.

- Criança e Natureza: plataforma com breve explicação desse projeto que incentiva o contato da criança com a natureza, inclusive nos grandes centros urbanos, traz notícias sobre o tema, uma série de vídeos e tem até uma biblioteca com indicações de leitura sobre o assunto.

Existe uma gama muito grande de excelentes materiais voltados para Educação Infantil – basta estar atento às escolhas, tendo em mente sempre que para além dos materiais, a base do trabalho com os pequenos é sempre ouvir o que eles têm a dizer, o que querem aprender, quais são suas curiosidades e encantamentos pelo mundo que as cercam. Como já dizia o grande educador italiano Loris Malaguzzi: “As escolas não são locais para palestras, mas lugares onde os professores escutam atentamente, para poderem juntar-se à ‘aventura’ das crianças no mundo do conhecimento”.

Até a próxima!

Camila Zentner

Camila Zentner Tesche é formada em Pedagogia com especialização em Educação Infantil pela Universidade de São Paulo (USP) e está na coordenação pedagógica da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira há 10 anos. A EPG atende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I e, desde 2015, faz parte do mapa de escolas inovadoras do MEC.

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