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26 de Fevereiro de 2019
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Quatro lições de Educação de Singapura

Da formação de professores ao progresso da carreira docente, país asiático que ocupa primeiro lugar do ranking do Pisa é referência em diversos aspectos

Por: Willmann Costa
Estudantes de Singapura em uma aula ao ar livre
Estudantes de Singapura em uma aula ao ar livre. Foto: NParks.gov.sg/Divulgação Governo de Singapura

Uma oportunidade ímpar. É como enxergo a visita a Singapura, a convite da Fundação Lemann e na companhia de um grupo com mais 20 profissionais de Educação, que formavam uma comitiva brasileira educacional. O país asiático ocupa o primeiro lugar do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) – principal exame para medir a qualidade educacional internacional, aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) – e é referência em diversos aspectos no que tange à formação de professores e ao progresso da carreira docente.

Quatro fatos me surpreenderam positivamente e creio que funcionem como grande inspiração para que o Brasil se desenvolva pedagogicamente: avaliações rigorosas, dedicação exclusiva do professor, política de meritocracia por desempenho para docentes e busca constante por mudanças.

Avaliações rigorosas formam a base-chave no ingresso na carreira de professor. Em Singapura, somente aqueles com melhor desempenho se tornarão docentes, o que garante a entrada dos jovens mais qualificados. Ao contrário do Brasil, que possui notas baixas para o acesso aos cursos de licenciatura e pedagogia. O investimento permanente em formação continuada do professor é outro ponto que merece destaque. Após ingressar no Ensino Superior, o professor é remunerado para estudar antes mesmo de exercer a profissão, ou seja, em Singapura os professores estão em constante formação.

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Outro aspecto positivo, tanto para o profissional de Educação quanto para o aluno, é a dedicação exclusiva do professor, que tende a trabalhar somente em uma escola desde o início da carreira, além de contar com excelentes condições de trabalho. Essa mesma lógica poderia ser implementada no Brasil se os concursos públicos oferecessem ao servidor a carga horária de 40 horas semanais, em vez da modalidade mais comum de 16 horas. Essa estrutura garantiria também a permanência, o vínculo e a continuidade do trabalho docente, com maior remuneração e menor desgaste nos deslocamentos para mais de um local de trabalho.

A política de meritocracia por desempenho para professores de Singapura é mais um ponto que nos ensina como se destacar no cenário da Educação. Os docentes e diretores recebem incentivos caso seus alunos tenham bom desempenho nas avaliações externas. Trata-se de uma comprovação de eficiência do trabalho docente.

E, apesar do destaque internacional, Singapura busca melhorar ainda mais seus resultados no campo da Educação. Existe uma preocupação local de preparar a sociedade para as mudanças no mercado de trabalho. Um bom exemplo é a Escola de Formação de Professores de Singapura, que se mostra focada em desenvolver competências socioemocionais, a fim de estimular a criatividade dos jovens.

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No entanto, a criatividade, uma das competências necessárias para enfrentar os desafios do século 21, ainda tem um grande percurso para avançar em Singapura.

Para mim, essa preocupação ficou evidente quando, na tentativa de deixar claro que a escola não é só para atender um seleto grupo de crianças, um dos anfitriões disse: “Os alunos que têm amor em casa vão para a escola querendo aprender, já os que não têm, vão para serem amados”. A lição que interpreto é que a aplicação exclusiva de conteúdo não é suficiente para a Educação e há um valor indissociável da integração entre família, aluno e escola: tanto a escola quanto a família são fundamentais para o desenvolvimento das competências socioemocionais da criança. Trata-se do patamar mínimo do qual a criança necessita para iniciar e, em seguida, manter a curva de aprendizagem ascendente.

Willmann Costa é gerente de educação da Estante Mágica, plataforma de Educação na qual alunos podem publicar o próprio livro, ex-diretor do Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro - RJ, professor de Língua Portuguesa e Literatura, autor do livro “Educação no Século XXI”. Tem mestrado em Psicanálise, Saúde e Sociedade, pela Universidade Veiga de Almeida. Atuou como tutor do programa Gestão de Aprendizagem Escolar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

*Reportagem publicada originalmente no site do Porvir

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